Partindo de elementos da filosofia de Nietzsche, proponho uma reflexão aberta sobre a contemporaneidade, onde a burrice, a pós-verdade e a recusa dos fatos são percebidos não como causa da nossa crise política, mas, sim, como sintomas de um evento muito maior: a “morte de Deus”, ou seja, a ampliação do niilismo ocidental. O ser humano contemporâneo não possui mais um norte absoluto, isso gerou uma grande crise de consciências, visto que, com a dissolução dos valores superiores, o ser humano ficou sem referencial e sem saber por onde prosseguir, porém, tenta desesperadamente se agarrar em valores ultrapassados e caducos para que de certa maneira, possa substituir o vazio que foi deixado pela falta de sentido (morte de Deus). Nesta perspectiva, a polarização política máscara um problema ainda maior, a crise moral do nosso século. Que só poderá ser dissolvida e assimilada através de um olhar artístico poético como abertura para o movimento.