Território Cyberus

Território Cyberus

By Editora CyberusFictionScience Fiction
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Território Cyberus episodes

  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 8 | Final

    Na parte final de “Fogo Fato”, Gilmar da Silva volta a tomar os remédios e consegue controlar as visões que o atormentavam. As semanas passam em aparente tranquilidade: a família volta à rotina, o silêncio substitui as discussões e a sensação de normalidade parece finalmente retornar à casa.

    Mas a estabilidade é frágil. Convencido de que está melhor, Gilmar decide interromper a medicação por conta própria. Embora nada pareça alterar sua percepção da realidade, pequenos sinais começam a sugerir que o horror nunca desapareceu de fato — apenas permaneceu adormecido.

    Em meio ao som da chuva, relâmpagos sobre a floresta e sonhos inquietantes, uma intensa luminosidade rompe a escuridão da noite. Quando Gilmar desperta e encara a mata, vê novamente o “fogo fato”, agora muito próximo de sua casa. E então compreende: era hora de tomar o remédio novamente.


    Voz e edição pela atriz: Júlia Pascali
    Trilha: “The Order’s Theme”, de Myuu (Creative Commons Attribution 4.0)


    3 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 7

    “Fogo Fato” é um conto de Maurício Coelho que mistura horror psicológico, memória fragmentada e tensão familiar em uma noite de tempestade. Nesta parte da narrativa, Kelly e Jéquison aguardam o retorno do avô, Gilmar, que chega em casa completamente abalado após afirmar ter visto uma misteriosa “bola de fogo” ao lado de um homem chamado Ramiro — alguém que, segundo Tainara, simplesmente não existe.

    Enquanto a família tenta distinguir delírio, doença e realidade, pequenos detalhes começam a reforçar a dúvida: objetos parecem diferentes para Gilmar, memórias entram em conflito e marcas roxas em suas mãos o fazem recordar a dor constante provocada pela cromomicose. Entre relâmpagos, silêncio e descrença, o conto constrói uma atmosfera de paranoia e estranhamento típica da ficção fantástica amazônica.


    Voz e edição pela atriz: Julia Pascali
    Trilha: “The House of Leaves”, de Kevin MacLeod (Creative Commons Attribution 4.0)


    9 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 6

    No coração da mata, sob uma chuva que já não apaga o calor da noite, dois homens encaram o inexplicável.

    Gilmar e Ramiro testemunham uma esfera de fogo pulsante à beira do rio — uma presença que muda de cor, emite sons inquietantes e parece… viva. À medida que a luz se intensifica e assume formas quase humanas, o que antes era curiosidade se transforma em medo puro.

    Sem compreender sua origem — natural, sobrenatural ou algo além de qualquer categoria conhecida — resta apenas fugir. Mas mesmo à distância, o calor e a imagem daquele encontro continuam marcados na pele e na memória.

    "Fogo Fato — Parte 6" aprofunda o mistério e conduz o ouvinte a um limite incômodo entre o fenômeno físico e o desconhecido.

    Voz e edição pela atriz Júlia Pascali
    Trilha sonora: "Cylinder 7", por Chris Zabriskie (Creative Commons Attribution 4.0)

    5 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 5

    Uma tempestade rasga a madrugada — e algo além da chuva parece se mover no escuro.

    Jéquison acorda sob o som de trovões e relâmpagos, tentando retomar o controle de uma noite inquieta. Um pequeno acidente no banheiro quebra a normalidade, mas é ao encontrar sua prima Kelly, desperta e em silêncio diante da janela, que o desconforto ganha forma: luzes estranhas e possíveis vozes vindas do mato, próximo ao rio.

    Entre o medo e a dúvida, os dois decidem procurar os avós. Mas a sensação de que há algo errado já se instalou — sutil, persistente, impossível de ignorar.

    "Fogo Fato — Parte 5" mergulha em uma atmosfera tensa e imersiva, onde o cotidiano se desfaz aos poucos diante do inexplicável.

    Voz e edição pela atriz Julia Pascali
    Trilha sonora: "Floating Cities", por Kevin MacLeod (Creative Commons Attribution 4.0)

    5 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 4

    🎧 Fogo Fátuo — Parte 4 já disponível

    Gilmar e Ramiro voltam ao rio durante a noite para testar a história. O ambiente muda: escuridão total, chuva intensa, sons da mata amplificados. O que antes era só relato agora vira observação direta.

    Gilmar tenta manter o ceticismo, buscando explicações plausíveis para tudo — ausência de luz, erro de percepção, coincidências. Ramiro, por outro lado, se apoia na repetição da experiência e até em memórias de infância, onde lendas como a Matinta Pereira funcionavam como formas de interpretar o desconhecido.

    Durante a espera, pequenos eventos aumentam a tensão: a perda momentânea da lanterna, a sensação de estar sozinho, a chuva que, em condições normais, tenderia a extinguir qualquer combustão visível.

    Mas ocorre uma inconsistência crítica.

    A luminosidade aparece.

    Inicialmente, poderia ser atribuída a descargas elétricas atmosféricas. No entanto, a fonte da luz não está no céu.

    Está no rio.

    O fenômeno descrito por Ramiro se manifesta novamente, agora diante de ambos.

    A partir desse ponto, o conflito deixa de ser apenas entre crença e ceticismo.

    Passa a ser entre explicações possíveis e um evento que, até então, não se encaixa nelas.

    🎧 Voz e edição pela atriz: Júlia Pascalin
    🎼 Trilha: Echos of Time (Volume 2) — Kevin MacLeod (Creative Commons Attribution 4.0)

    8 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 3

    🎙️ Fogo Fátuo — Parte 3

    Depois de colocarem a conversa em dia — entre preocupações com os filhos, lembranças de um tempo em que estudar era privilégio raro, o futebol local e ecos ainda mal resolvidos do regime militar — Gilmar e Ramiro caminham em silêncio à beira do rio.

    É nesse intervalo, onde a fala cede espaço ao ambiente, que Ramiro rompe o silêncio com algo que não pertence ao cotidiano: ele afirma ter visto uma “criatura”. Não um animal, não algo identificável dentro da experiência comum, mas uma labareda de fogo sobre a água — um fenômeno que, do ponto de vista físico convencional, seria altamente improvável.

    O relato desafia diretamente a expectativa empírica: fogo exige combustível e oxigênio; sobre a água, tenderia a se extinguir rapidamente. Gilmar reage com ceticismo imediato, buscando uma explicação plausível baseada em experiências conhecidas — como lixo em combustão que se apaga ao contato com o rio.

    Ramiro, no entanto, sustenta a observação. Introduz novos elementos: o fogo parecia “ver”, reagir, mudar de cor — verde, azul, vermelho intenso — e, mais ainda, repetir sua aparição ao longo do tempo. Aqui, o fenômeno deixa de ser apenas físico e passa a flertar com o campo do inexplicado, onde percepção, memória e possível interpretação simbólica se misturam.

    Sem evidência verificável, o que resta é o conflito clássico entre testemunho individual e ceticismo racional.

    A tensão se resolve provisoriamente em um experimento empírico rudimentar: observar o fenômeno diretamente.

    Ramiro propõe um teste — retornar ao local à noite e aguardar. Se a entidade aparecer, a hipótese dele ganha força; se não, a explicação cética permanece suficiente. Gilmar aceita, mas não sem estabelecer um contrato claro: caso nada aconteça, a aposta será paga com uma cerveja em garrafa.

    O acordo está feito.

    Agora, a narrativa se desloca do campo da fala para o da observação.

    E, como em qualquer experimento, resta uma variável crítica:
    o fenômeno vai se repetir?

    🎧 Voz e edição pela atriz Júlia Pascali

    4 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 2

    🎙️ Fogo Fátuo — Parte 2

    Na continuidade da rotina de Gilmar da Silva, o dia avança sob o calor e a repetição dos gestos cotidianos: o preparo do suco de acerola, o almoço simples, o cansaço acumulado e o descanso fragmentado entre uma tarefa e outra.

    As crianças retornam da escola trazendo movimento à casa: fome, conversa e pequenas expectativas, como o açaí que não veio. Entre elas, cada uma segue seu próprio ritmo: brincar, estudar, ou apenas existir naquele espaço limitado.

    A aparente estabilidade, no entanto, é interrompida pela chegada de Ramiro, velho conhecido de Gilmar. Em sua mão, uma ferida persistente e deformante revela mais do que um problema físico, expõe dificuldades de acesso ao tratamento, incompreensão sobre a própria doença e uma aceitação resignada do sofrimento.

    Entre nomes de medicamentos mal pronunciados e a descrença na cura, o encontro desloca o conto do cotidiano para algo mais inquietante: a presença concreta da deterioração do corpo, da negligência estrutural e daquilo que insiste em permanecer sem solução.

    O que antes era apenas rotina começa a adquirir outra densidade, onde o visível e o ignorado passam a coexistir.

    🎧 Ouça agora Fogo Fátuo — Parte 2.

    Voz e edição pela atriz Júlia Pascali

    7 min
  • Fogo Fátuo | Maurício Coelho | Parte 1

    🎙️ Fogo Fátuo — Parte 1

    Na primeira parte do conto, acompanhamos o amanhecer na casa de Gilmar da Silva, um ribeirinho que sustenta sua rotina entre o cuidado com os netos e a precariedade silenciosa do cotidiano. Em uma cozinha pequena, o leite é aquecido no velho papeiro, dividido com precisão entre copos reaproveitados, enquanto cada criança revela, em gestos simples, suas próprias formas de ver o mundo.

    Kléver, já à beira de repetir mais um ano escolar, carrega o peso do atraso. Kelly encontra nos estudos uma espécie de direção. Jéquison, ainda imerso na curiosidade infantil, prefere observar bichos e pequenos mistérios da natureza. Thaynara, silenciosa, traz consigo sinais de desgaste que Gilmar percebe — mas não nomeia.

    Sem pressa, entre o calor do fogão e a urgência da escola, a cena constrói um retrato íntimo de uma família marcada por afeto, limitações e tensões sutis.

    Uma abertura que parece simples — mas prepara o terreno para algo maior: a dúvida entre realidade e percepção, que atravessará toda a narrativa.

    🎧 Ouça agora “Fogo Fátuo — Parte 1” e entre nessa história.

    Voz e edição pela atriz Júlia Pascali

    "Cilinder Five" - Chris Zabriskie

    Licença: Creative Commons Attribution 4.0 (CC BY 4.0)

    5 min
  • Literatura fantástica: narrativas da Amazônia contemporânea. Entrevista com Maurício Coelho

    O “COEPi com Você”, transmitido pela Rádio Jornal Meia Ponte (87,9 FM), recebeu o escritor paraense Maurício Coelho em uma conversa que atravessa literatura, Amazônia e ficção especulativa.

    Formado em Biologia e Letras/Inglês, Maurício compartilha sua trajetória desde o início como leitor até a entrada na escrita, passando pela tradução de uma adaptação de “Alice no País das Maravilhas” em 2014 — ponto de partida para sua produção autoral. A conversa também aborda a criação da editora independente Cyberus, com foco em publicações por financiamento coletivo e na valorização de novos autores, além da tradução de nomes relevantes da ficção científica, como Claire Winger Harris.

    O episódio explora ainda as relações entre ficção científica, fantasia e terror dentro do campo da literatura fantástica, destacando como elementos do imaginário amazônico — como o Boto — podem dialogar com essas narrativas contemporâneas.

    Durante o programa, foi apresentada a canção “Foi Boto” (1933), de Waldemar Henrique e Antônio Tavernard, além da leitura de um trecho do livro “Fogo Fátuo e Outras Histórias”, trazendo uma atmosfera de suspense às margens de um rio amazônico, onde realidade e estranho se misturam.

    Além da entrevista, o programa contou com quadros variados, incluindo informações do COEPi, poesias de Marieta, reflexões sobre formação política, participação infantil e novidades culturais.

    Um episódio que conecta tradição, literatura e imaginação — com a Amazônia como pano de fundo e ponto de partida.

    12 min

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