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Nas noites de Lisboa, os novos fadistas procuram um estilo próprio «sem trair as tradições». Carminho, uma voz que, para já, só é possível escutar ao vivo, tenta resumir o desafio: «Há muitas músicas que são livres, não têm que defender nada mas o fado tem uma raiz a defender».
«É uma alquimia que não se explica, é um sexto sentido!». Tal como muitos protagonistas destas noites, Raquel Tavares, uma das mais jovens intérpretes da canção de Lisboa, não acredita na expressão Novo Fado. Diz que é uma "alma" que é possível identificar, mesmo com novas sonoridades e arranjos. Viagem por quatro lugares da cidade, onde se afinam as cordas da guitarra portuguesa e se marca encontro com o destino.
«A malta fica sempre a chorar, por causa da falta do patacom» desabafa o mecânico de bicicletas Ansumane no principal mercado de Bissau, que às vezes parece um enorme balneário da selecção portuguesa de futebol. De facto, neste que é um dos cinco países mais pobres do mundo, falta dinheiro para quase tudo.
Na escola primária de Iemberem, a 250 quilómetros da capital da Guiné, só não há falta de alunos, verifica o repórter, gravando o método da cantilena. «As duas coisas que mais matam são a malária e a ignorância» dirá Sílvia, uma missionária brasileira nesta zona remota. Eis a Guiné-Bissau, país entalado entre as bombas, por explodir, da guerra colonial e uma liberdade armadilhada de carências.
No sul da Guiné-Bissau, o chimpanzé tem nome de gente. Na pista de Dari, uma equipa de cientistas portugueses estuda, há cinco anos, os chimpanzés das matas de Cantanhez com o objectivo de ajudar a salvar uma espécie ameaçada.
Um jornalista da TSF passou 15 dias com o grupo de investigadores, coordenado pelas primatólogas Catarina Casanova e Cláudia Sousa. Acompanhou o quotidiano das caminhadas pelo mato, da recolha de vestígios, das conversas com os habitantes das tabancas e testemunhou, guardando o registo sonoro do momento raro, o encontro com um grupo de chimpanzés.
Para uns, a faina é, cada vez mais, de lamentos e protestos. Para outros, é um sector vital de pesquisa, uma boa oportunidade de negócio. Portugal, país com extensa costa e ainda maior tradição atlântica, vive tempos de encruzilhada.
A TSF foi escutar as razões de pescadores e armadores descontentes mas deu também ouvidos a quem resolve arriscar. Num porto, outrora de grande azáfama, conferiu a lista de embarcações abatidas; noutro, testemunhou o baptismo de um grande pesqueiro, com tecnologia de ponta. No cais, espreitou algumas redes vazias e, ao largo, as jaulas que prometem fartura de aquacultura.
Velam pela noite dentro enquanto dormimos, nas cidades e no campo. Trabalham em silêncio pelo sustento da casa. Comem, calados, nas celas e rezam sete vezes ao dia. São os monges brancos da Cartuxa de Évora, em Portugal desde o século XVI.
Recentemente estreado em Lisboa, «O Grande Silêncio», de Philip Groning, mostra-nos, pela primeira vez, como é a vida no interior da Grande Chartreuse, casa-mãe da Ordem dos Cartuchos. No grande ecrã da rádio podemos agora espreitar o mosteiro alentejano onde «se fala a Deus, dos homens, e não aos homens, de Deus».
A poeira da Mauritânia é um dos ingredientes obrigatórios da festa do Rali Lisboa-Dakar. Depois dessa poeira assentar, o que revela, afinal, um dos países mais pobres do mundo?
A TSF registou alguns instantâneos de passagem, à boleia da primeira Expedição Oficial Euromilhões Lisboa Dakar. Em Nouakchott, capital mundial dos Mercedes de origem duvidosa; no Parque Nacional do Banco de Arguin, património da UNESCO vigiado por um português; em Chinguetti, espreitando velhos livros, escritos, há muitos séculos, em pele de gazela. Uma viagem com um pé no oceano Atlântico e outro no deserto do Sara.
Depois de um longo reinado de Herman José, surgiu, nos últimos anos, uma nova geração de humoristas. Gato Fedorento, Nilton, Aldo Lima e Pedro Tochas são alguns dos nomes que associamos a um sorriso ou uma gargalhada.
Uns são mais organizados, outros assumem o improviso como munição para o riso mas quase todos trabalham muito nos bastidores. Entre a renovação do veterano Contra-Informação e a estreia do novo programa de Herman José, a TSF foi saber como nasce o humor em Portugal.
Já foi o maior produtor mundial de Cacau, no início de 1900. Agora, São Tomé e Príncipe sonha ansiosamente entrar na era do petróleo. Pelas estimativas do Fundo Monetário Internacional, nos próximos 7 anos, até 2015, o país vai receber cerca de 400 milhões de dólares da exploração de 30 mil barris diários.
Mas São Tomé, o segundo país mais pequeno de África e um dos mais pobres do mundo, ainda tem mais de metade da população a viver abaixo do limiar da pobreza.
Em 2012 quando o petróleo chegar encontrará um país e uma população de 150 mil pessoas quase sem electricidade, água potável ou saneamento.
A chegada do ano novo já pesa nas carteiras dos portugueses. Pão, electricidade, transportes são apenas alguns pontos de uma extensa lista de aumentos. Poucos estão a salvo dos apertos mas, para algumas famílias, o caso é mesmo muito sério.
Desde que abriu, em 2000, os gabinetes de apoio ao sobreendividado, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) regista um aumento do número de pessoas em apuros. A TSF foi ouvir quem lida com o problema todos os dias, quem o estudou em profundidade e registou três casos concretos, onde as contas se fazem até ao último cêntimo mas o dinheiro nunca é suficiente.
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