Existem palavras que carregamos como pedras, esperando por um "momento certo" que nunca parece chegar.
Mas o que acontece ao que calamos enquanto o tempo passa?
Neste episódio, convido-o a esvaziar os bolsos e a descobrir a leveza de uma conversa que já devia ter acontecido.
Neste episódio do Tudo com Vagar, sentamo-nos à sombra da honestidade para falar sobre as conversas que adiamos.
Quantas vezes guardamos palavras como se fossem pedras pesadas num bolso, acreditando que o silêncio protege, quando, na verdade, ele corrompe?
Do meu refúgio no Alentejo, observo como a natureza não hesita: se há fome, come-se; se há cansaço, descansa-se. No entanto, nós, humanos, muitas vezes mascaramos o que sentimos com um "está tudo bem" dito entre dentes, permitindo que pequenas mágoas se tornem pedregulhos impossíveis de carregar.
Partilho convosco a minha própria dificuldade com o conflito e como tenho aprendido que a paciência, tantas vezes, é apenas uma fuga disfarçada.
No Monte das Lages, aprendemos que, se não podarmos a vinha na altura certa, ela nasce torta.
O mesmo acontece com os nossos afetos. Falar não é apenas resolver um problema; é abrir uma janela para que entre ar novo - um ar que pode ser frio no início, mas que refresca e renova a alma.
Exploro a diferença entre o silêncio que cura, aquele que sentimos ao fim da tarde no campo, e o silêncio que nos mói por dentro.
Deixo-lhe um desafio prático para esta semana: tire o peso da imaginação e passe-o para o papel.
Marque esse encontro, faça esse telefonema. O alívio que mora do outro lado de uma conversa honesta é o caminho mais curto para a paz interior que tanto procuramos.
Venha daí, respire fundo e descubra como habitar o seu tempo com mais verdade e menos pressa.
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