"Uma Teologia da Natureza”
Pregadora: Aqueldan Feldberg
Sinopse: Nos livros proféticos e nos livros históricos, a personificação de pessoas que não são humanas e as atividades em que se envolvem são ainda mais frequentes do que no Pentateuco. O foco muda da terra como uma unidade única para uma infinidade de atores: rios, árvores, campos, montanhas, estrelas. Campos e montanhas choram e sofrem pela infidelidade humana, e testemunham esse fato diante de Deus. O quadro não é totalmente sombrio, é claro; humanos e personagens não-humanos se reúnem para louvar a Deus e se alegrar quando sua saúde é restaurada. O regresso dos exilados é uma fonte de alegria para as árvores, tal como a restauração da fertilidade agrícola o é para os seres humanos. A relação entre Deus e a natureza também cresce em complexidade nos Profetas. Na maioria dos textos, a natureza não-animal é, em contraste com os seres humanos, uma criatura fiel e obediente, mas alguns textos retratam o mar como rebelde e recalcitrante. Os livros proféticos não apresentam uma imagem de personagens não-humanos que seja insípida e unidimensional, mas uma imagem em que são tão heterogêneas e complexas quanto os seres humanos. A natureza luta, treme, sofre, recebe conforto e se alegra. A ruptura entre Deus e Israel não é apenas uma questão humana, mas um problema sentido por todas as criaturas que partilham espaço e lugar com o povo de Deus. A natureza não-animal não fica parada, esperando que os humanos resolvam as coisas, mas, em vez disso, entra na brecha, junto com profetas, sacerdotes e pessoas comuns, até mesmo com o próprio Deus.
Texto base: Ezequiel 22