A linguagem é limitante. A maneira como descrevemos o mundo ao nosso redor é restrita aos vocábulos que conhecemos e que sabemos usar. Muito por isso, nosso vocabulário para falar de Deus é também um exercício de incompletude. Usamos palavras complexas, mas que são parciais e incompletas. Usamos termos bonitos e que aparentam profundidade para esconder a restrição linguística para explicar Deus.
Teólogos usam ideias como “onipotência”, “onisciência” e “onipresença” para falar de um Deus completamente transcendente que sabe de tudo, está em todo lugar e pode qualquer coisa. Essas palavras, e as ideias contidas nelas, não estão erradas, mas nos aprisionam e nos fazem perder de vista a experiência de ler o texto bíblico e ficar boquiabertos com a maneira como os autores apresentaram a divindade.
A proposta dessa série é passear pelas narrativas mais antropomórficas de Deus no Antigo Testamento e usar essas passagens como um ponto de partida para construir ideias sobre Deus. Talvez, trilhar o caminho de um Deus mais humanizado possa nos levar a uma transformação como indivíduos e como comunidade.
*A arte da capa é uma obra de Carlos Araújo.