Nos Estados Unidos, há mais de 1.500 emissoras públicas de rádio e televisão espalhadas por todo o país. As primeiras emissoras educativas de rádio surgiram nos anos 1920.
A convidada desta edição é a professora e pesquisadora Patricia Aufderheide, da School of Communication da American University em Washington. Durante a entrevista, a professora discutiu a aprovação da Lei de Radiodifusão Pública de 1967, a criação da Corporation for Public Broadcasting (CPB) e o surgimento da rede Public Broadcasting Service (PBS).
Patricia define a estrutura da radiodifusão pública norte-americana como uma “ecologia”, ou um ambiente, em que as emissoras públicas atuam de forma descentralizada. “Este é um sistema que não é um sistema. Às vezes as pessoas falam ‘o sistema público de radiodifusão’. Não é. É um serviço para as emissoras. Não existe sistema. A radiodifusão pública [dos Estados Unidos] é uma ecologia, um ambiente formado por várias organizações diferentes”, explica.
Ao comentar o esforço dos canais públicos para captar recursos suficientes e garantir uma programação de qualidade, Patricia mencionou a TV Cultura de São Paulo como um exemplo de uma emissora que produz programas de alto nível a partir de uma única cidade. Familiarizada com o cenário da televisão brasileira, a professora foi bolsista do Programa Fulbright no Brasil no final dos anos 1990.
“Respeito profundamente a TV Cultura, que consegue fazer uma boa programação em uma cidade. Mas a maioria dos lugares não consegue fazer isso. Você pode fazer uma boa programação na cidade de Nova York e em Boston; mas não em lugares como Des Moines, Fresno e Santa Fé”, observa.
Durante o programa, Patricia Aufderheide comentou sobre a criação de um serviço de streaming pela PBS. “Para oferecer qualquer conteúdo, a PBS precisa negociar separadamente com centenas de emissoras públicas de televisão em todo o país. Para disponibilizar esse aplicativo, ela precisa configurar funcionalidades no servidor que garantam que todos sejam remunerados e que o acesso seja possível para o usuário”, detalha Patrícia.
Esse processo cria uma série de etapas para o telespectador acessar o sistema, dificultando o uso do serviço de streaming. Em tom bem-humorado, ela diz: “Agora compare isso com a Netflix. É só procurar pelo grande N no telefone e pronto”.
Apesar da atuação descentralizada das emissoras públicas, a radiodifusão pública dos Estados Unidos cumpre um papel essencial na promoção do debate público.
“Muito da história da radiodifusão pública norte-americana tem a ver com as pessoas reconhecendo que é um recurso valioso para a democracia”, afirmou a professora Patricia.
Sugestão de leitura sobre o tema:
History Timeline / Corporation for Public Corporation
Linha do tempo da radiodifusão pública dos Estados Unidos (1961-2022).
History of Public Broadcasting
Livro de John Witherspoon e Roselle Kovitz com atualização de Robert K. Avery e Alan G. Stavitsky. Current: The Public Telecommunications Newspaper, 2000.
This is NPR: the first forty years
Livro coletânea de Susan Stamberg (introdução), Cokie Roberts (prefácio) e outros autores. Chronicle Books, 2010.
Opportunities and challenges for public broadcasting’s role in provisioning the public with news and public affairs.
Artigo disponível gratuitamente para leitura. De Patricia Aufderheide e Jessica Clark, com participação editorial de Jake Shapiro, publicado em Media Re:Public, Side Papers, Public Broadcasting and Public Affairs, 2008.
US Public Broadcasting: A Bulwark against Disinformation?
Capítulo disponível gratuitamente para leitura. De Patricia Aufderh