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By Duarte CalistoSociety & CultureDocumentary
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  • Cafezinho 381 – País-pererê
    Eis uma situação / totalmente pervertida -- uma nação que é rica / consegue ficar falida, o ouro brota em nosso peito, / mas mendigamos com a mão, uma nação encarcerada / que doa a chave ao carcereiro para ficar na prisão. Cada povo tem o governo que merece? Ou cada povo / tem os ladrões a que enriquece? Cada povo tem os ricos que o enobrecem? Ou cada povo tem os pulhas / que o empobrecem? O fato é que cada vez mais / mais se entristece esse povo num rosário de contas e promessas num sobe e desce de prantos e preces. Este não é um país sério / já dizia o general. O que somos afinal? / Um país-pererê? folclórico? tropical? misturando morte e carnaval? Um povo de degradados? / Filhos de degredados largados no litoral? / Um povo-macunaíma sem caráter-nacional? Espelho, espelho meu! / há um país mais perdido que o meu? Espelho, espelho meu! / há um governo mais omisso que o meu? Espelho, espelho meu! / há um povo mais passivo que o meu? E o espelho respondeu / algo que se perdeu entre o inferno que padeço / e o desencanto do céu. Esse é um trecho de um poema de Affonso Romano de Sant´Anna publicado em 1998. Ouviu? Mil-novecentos-e-noventa-e-oito. Eu lembrei dele quanto tentei escrever um texto sobre a CPI do Covidão e seu relator Renan Calheiros. Foi inevitável pensar nesta nação Macunaíma com seus heróis sem caráter.   Versão no Youtube:   https://youtu.be/FfgE2miKoAU   Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    4 min
  • Café Brasil 767 - Sexo bom revisitado
    E aí? Vai um filminho de sacanagem? Uma pornografiazinha básica? Um brinquedinho daqueles? Uma coisinha pra apimentar a relação? Como é que você se relaciona com essa questão de apimentar o sexo, hein? Bem, o programa de hoje vai tratar do negócio do sexo. é uma revisita a um programa lá de 2013 e o ponto de vista aqui é diferente de tudo que você já viu e ouviu. Quer apostar? O papo é bastante sério, mas eu não posso dizer o mesmo da trilha sonora, cara… O meu conselho é: quando entrar a música, tire as crianças da sala.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    38 min
  • Cafezinho 380 – Minha vida naquela rua
    O texto de hoje é de autoria de Walter Mancini, de 78 anos. Não fecharei as portas . Uma notícia falsa que circulou recentemente na internet dizia que, devido as medidas de isolamento social implementadas em São Paulo, meu restaurante, o Famíglia Mancini, estava falido e iria fechar as portas para sempre. É mentira. De certa forma o boato foi bom, porque recebi dezenas de ligações, e-mails e até cartas de clientes de todo Brasil me apoiando, isso me deu ainda mais gás para lutar pelo meu negócio. Há 42 anos, em 10 de maio de 1980, eu fundei o Famíglia Mancini na rua Avanhandava, na capital paulista. Desde então, todos os dias, às 6h30 da manhã, eu sou o primeiro a chegar. E o último a sair, já de madrugada. Tanto trabalho rendeu frutos. De lá para cá, na mesma rua, abri outros quatro restaurantes e uma galeria de arte. Minha filha inaugurou por lá uma loja de roupas e acessórios. Revitalizamos a vizinhança e a transformamos em um ponto turístico, um pólo gastronômico a céu aberto. Desde o estouro da pandemia, no entanto, as coisas ficaram bastante difíceis. Não só o meu restaurante, como todos os outros, foram obrigados a fechar as portas, atendendo somente por delivery. Nesse abre e fecha, infelizmente voltamos a servir almoço a partir deste sábado, 24. Mas a queda foi tão grande que, se antes eu comprava um caminhão de verduras e legumes no Ceasa, hoje é suficiente ir à feira livre. Os meses foram passando e meu caixa acabou. Para manter todos os meus estabelecimentos abertos, honrar compromissos com fornecedores e, principalmente, pagar todos os meus funcionários, precisei recorrer ao banco. Desde então, em média, tenho despesas mensais de cerca de R$130.000,00 por restaurante. Somando tudo, em um ano acumulei 9 milhões de reais em empréstimos. Estou no limite do meu crédito. Mas não estou falido. Hoje, eu ainda emprego cerca de 300 funcionários. Antes, eram mais, mas muitos foram embora. Acertei as contas com todos eles, com decência e dentro da lei. Sem traumas e numa relação carinhosa e de agradecimento. Daí, você me pergunta: não seria melhor fechar? Não! E a razão é simples: a minha vida está naquela rua. Eu quero que aqueles restaurantes durem mais 100 anos. Não sou um investidor. Sou o mantenedor. Cuido com amor. Eu não sei onde isso tudo vai dar, mas sei que, se os restaurantes morrerem, eu morro junto. Morre o restaurante, morre o Valter. Mas eu não me entrego fácil. Não posso deixar baixar o moral. Vou lutar para sobreviver porque aquilo ali é a minha história, eu estou defendendo a minha vida. Daqueles restaurantes eu tirei o sustento da minha casa e a criação dos meus filhos. Não existe para mim essa história de “encerrar as atividades”. Isso nem passa pela minha cabeça. Estou falando da herança dos meus filhos, e não dá para pegar um legado e jogar fora. Para mim aquelas casas têm as digitais de Deus. Então, como eu posso fechar um lugar assim? Seria uma ousadia. Eu sou apenas o caseiro Dele. Mesmo diante de uma situação tão dramática, hoje eu estou tranquilo e sereno. Sabe por quê? Porque eu não persigo dinheiro. Eu persigo um sonho. Eu não quero o lucro ou trocar de carro todo ano. Minha natureza não é a da ganância. Eu quero ver a máquina voltar a andar, quero ver aquela rua toda iluminada novamente e repleta de pessoas felizes, com saúde e com esperança de viver. O que pingar no meu caixa eu vou usar para pagar todas as contas. Não estou desesperado. Eu estou, sim, agradecido de ter a companhia dos meus colaboradores e funcionários. Sem soberba, devo tudo aos meus funcionários e os meus clientes. Estamos todos abraçados. A rua Avanhandava não morreu. Ela só está adormecida e vai acordar já, já. Essa crise é como uma batalha para mim. Eu vou defender aquilo que eu criei. Vou lutar e vou vencer.   Versão no Youtube:  https://youtu.be/_2xn6N57PUo   Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    7 min
  • Cafezinho 379 – Mentiras
    A mentira está institucionalizada, em horário nobre e na cara dura. Ou melhor, cara de pau. E a mentira quase nunca é confrontada com a verdade. O sujeito chega na mídia, diz uma mentira descarada e fica tudo por isso mesmo. Houve um tempo em que jornalistas ridicularizavam o mentiroso. Hoje não, especialmente se o mentiroso fizer parte da minha tribo. Mentir é parte do jogo e contestar a mentira é “ser grosso”, “jogo político”, “criar factóides” e algum ismo aí. E neste Brasil onde “nóis invertemo as coisa” os mentirosos são tratados com respeito, pompa e circunstância. É um tal de “senhor candidato” pra cá, Vossa Excelência pra lá que me deixa nervoso!  Pô, quando é que essa gente será tratada como “mentiroso de uma figa”? Vivemos tempos complicados, nossa saúde, nossas finanças, nosso futuro estão ameaçados. Nós precisamos de nossas tribos para nos sentirmos seguros, protegidos, por isso nos tornamos cada vez mais tribais, polarizados. E as mentiras se tornam ainda mais poderosas. Abrimos mão de nossa inteligência para dar licença às mentiras dos iluminados que nos prometem proteção. E aí é isso que está aí... Afinal, as mentiras ditas pelos líderes de sua tribo, em nome de sua segurança, são para seu bem-estar, não é? Olha, bote uma coisa na cabeça: tirando as pessoas que amam você, ninguém está interessado em sua saúde, em sua segurança, em seu bem-estar. O interesse é no poder, na vitória mesmo que a custo de conflitos e divisões. E se para isso tiver de sacrificar a verdade, paciência. Sempre, sempre haverá alguém tentando progredir às suas custas. Acredite. Isso não é mentira.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    5 min
  • Cafe Brasil 766 - LíderCast Ilona Becskeházy
    E a educação brasileira, como é que vai, hein? Mal, não é? E não é de hoje. Para todo lado aparecem especialistas com a solução que jamais é implementada. O discurso é ótimo cara, mas o resultado é pífio. Pois eu fui buscar alguém que vem do universo corporativo, de um mundo focado na gestão e na eficiência, para contribuir com a solução para esse nosso carma. Neste episódio, mais um da série LíderCast, trago Ilona Becskeházy, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, para discutir o assunto.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    1 hr 45 min
  • Cafezinho 378 – Capitu traiu Bentinho?
    No grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, surgiu uma interessante discussão: no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, Capitu traiu ou não Bentinho? Na discussão, mostrei um trecho de uma entrevista da escritora Lygia Fagundes Telles, onde ela diz que fez algumas leituras do romance. A primeira, ainda jovem, a segunda leitura, já madura. E então, aos 80 anos, Lygia diz: “Capitu traiu Bentinho? Eu já não sei mais. Minha última versão é essa, não sei. Acho que, enfim, suspendi o juízo. No começo, ela era uma santa; na segunda, um monstro. Agora, na velhice, eu não sei.”    Em diversos episódios de meu podcast Café Brasil tenho focado na importância da dúvida, para desespero dos que sabem tudo. Aí vem o rótulo de negacionista, terraplanista e outras bobagens, que fazem parte do repertório dos que têm certeza de tudo e que acabam sendo os verdadeiros negacionistas.   Conheço um monte de gente com conhecimento, ilustrada, gente com muita experiência de vida e que...se acha. Gente que transforma conhecimento em fé. Falta-lhe al inteligência emocional que coloca o conhecimento nos trilhos. Wilson Mizner, dramaturgo e escritor norte-americano, um dia disse assim: Respeito a fé, mas é a dúvida que educa. Alimentar a dúvida é um exercício de fitness intelectual, sacou? No podcast Café Brasil 706 – Humildade Intelectual, eu digo que a humildade representa a liberdade de não ter de provar todo o tempo que você é superior. A humildade é cheia de emoções encantadoras, como admiração, companheirismo e gratidão. Humildade é o reconhecimento de que existe muito que você não sabe, e que muito do que você sabe está errado ou distorcido. A humildade de assumir a dúvida leva à sabedoria.   Versão no Youtube:  https://youtu.be/Lq933v5W-2U   Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.  See omnystudio.com/listener for privacy information.
    4 min
  • Convite para três encontros
    Nos dias 26,27, e 28 de abril, Luciano Pires promoverá três encontros virtuais como parte do Desafio AS MÍDIAS E EU. Depois de mais de 30 anos como criador de conteúdo, tendo a informação como matéria prima, Luciano desenvolveu métodos para filtrar as informações, selecionando aquilo que é pertinente dentro do tsunami de mentiras, fake news e manipulação no qual se transformaram as diversas mídias.
    Descubra o passo a passo para se proteger das mentiras, refinando sua capacidade de julgamento e tomada de boas decisões.
    Saiba mais em https://mlacafebrasil.comSee omnystudio.com/listener for privacy information.
    3 min
  • Cafezinho 377 – Uma onda de crimes
    Lincoln Steffens foi possivelmente o maior repórter investigativo americano da história. Sua autobiografia registra como ele e seu principal concorrente, iniciaram uma onda de crimes quando Theodore Roosevelt era presidente da Comissão de Polícia de Nova York. Uma tarde, Steffens estava no porão do quartel-general da polícia, onde os policiais jogavam pôquer. Pensando que ele estava dormindo, os detetives contaram uma história sobre como um jovem policial ingênuo ajudou alguns homens a carregar uma carroça porque suas coisas estavam bagunçando a rua. E depois descobriu que os homens eram ladrões que haviam limpado a casa. Steffens escreveu a história para o New York Post. Seu principal concorrente, Jacob Riis do The Evening Sun, foi repreendido por seus editores por ter sido furado, e então apareceu com uma história de crime que Steffens não tinha. Entrando numa competição pelo maior furo, os dois repórteres policiais redobraram seus esforços e logo os jornais de Nova York estavam cheios de histórias de crime, espalhando o pânico entre os moradores da cidade. Isso foi constrangedor para Roosevelt, que deveria ser um reformador. Roosevelt chamou os dois repórteres em seu escritório. Riis confessou que teve acesso não autorizado aos relatórios da polícia porque eles foram colocados em uma determinada mesa. Steffens contou sobre seus cochilos. Eles combinaram uma trégua e a “onda de crimes” cessou. Veja bem, não é que os crimes tenham parado, mas o relato massivo sobre os crimes parou. E a impressão de uma onda crescente de crimes desapareceu e a vida da população de Nova Iorque voltou ao normal. Isso aconteceu por volta do ano 1900. Notícias são as coisas importantes e interessantes que acontecem ao longo do dia. Mas quem define o que é importante e o que é interessante? Quem vai contar os fatos. Essa história mostra bem como “notícia” é tudo aquilo que o jornalista ou editor quiser que seja. Em outras palavras: notícias são fabricadas. E a intensidade que o jornalista ou editor der a ela determina como sua cabeça será feita. ______________________________________ O mundo está caótico, as fontes de informação deixaram de ser confiáveis e você é forçado a tomar decisões nesse cenário. Muitas pessoas não acreditam mais nas fontes tradicionais de informações que as guiaram até aqui. Outras estão completamente afogadas pelo tsunami de dados e informações que chegam pela internet sem qualquer ordem, priorização ou filtragem. Esse cenário é irreversível. É dentro dele que temos de encontrar o alimento intelectual para guiar nossas escolhas. E é natural que, em meio ao caos e à histeria, você se sinta inseguro e angustiado. Meu, para que lado eu vou? Quem conseguir se livrar dessa insegurança que tira o sono, saberá com inteligência julgar e fazer as escolhas certas para sua vida pessoal e profissional. Simples não é, mas existem métodos. Saiba mais em http://mlacafebrasil.com _________________________ Versão no Youtube:  https://youtu.be/l-pTQWzuy4I   Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    8 min
  • Café Brasil 765 - Foxes and Fossils
    Mais um Café Brasil musical, daqueles que eu adoro fazer. Descubro uma banda e apresento para você. Hoje é a turma do Foxes and Fossils, uma banda que nunca gravou um disco, que não fez turnês, que toca covers e... bom, escute os caras.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    39 min
  • Cafezinho 376 – Amizades supérfluas
    Quando digo que amizades verdadeiras não deveriam ser desfeitas por desavenças políticas, não nego a importância dessas desavenças. Nossas vidas serão dramaticamente afetadas pelas pessoas que escolhermos para exercer o poder. Quem nega suas convicções para não magoar os outros, submete-se às convicções desses outros. É muito raro encontrar alguém que concorde 100% com nossas opiniões. A regra é que surjam sempre discordâncias, mas é preciso lembrar que ideias têm consequências. Existem certos valores íntimos que, se não forem compartilhados, impedem que uma amizade verdadeira permaneça. Ficam amizades supérfluas. Me afastei de um amigo quando descobri que ele agia como um cavalo com a esposa. Me afastei de um amigo que virou sócio ao perceber que era um mentiroso contumaz.  Nossos credos, nossos valores jamais devem servir como desculpa para a falta de decência ou de empatia. Nossos credos e valores jamais devem ser postos de lado em nome da amizade. Mas se com valores não se mexe, é possível negociar com os credos. Ser flexível. Aceitar, até um limite, quem acredita em coisas diferentes. É por isso que, no meio de uma limpa gigantesca, mantive amigos que defendem o socialismo ou passam pano para os criminosos que gerenciaram o Brasil por quase 20 anos, por exemplo. A amizade deles não é supérflua, vale mais que as crenças políticas. Essa é a consequência boa da polarização do país: estamos valorizando as amizades que valem o tempo de vida que aplicamos a elas. E tempo de vida se valoriza não apenas em quantidade, mas em qualidade. Não tenho tempo de vida para amizades supérfluas.     Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    4 min