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As espantosas repercussões do caso Epstein não param de crescer e prometem chegar aos lugares mais recônditos do planeta.
Enquanto lá não chegam, vão empestando algumas das sociedades mais civilizadas do mundo, entre elas os Estados Unidos, o Reino Unido, a Noruega ou a Suécia. Impressionante como um tipo qualquer que se tornou milionário conseguiu deixar a descoberto a que há de pior na alma humana.
Na Índia, continua o ‘carrocel’ dos acordos comerciais: depois da União Europeia é a vez do Brasil – ao que não é alheio o facto de mais de 1,4 mil milhões de almas estarem ansiosas por passarem à condição de consumidores.
Ainda a oriente, a primeira-ministra japonesa, mais uma ‘dama de ferro’, tem caminho inesperadamente livre para fazer mais ou menos o que quiser tanto na política interna como externa; não é todos os dias que se vê alguém a governar com uma maioria qualificada – o que pode bem servir para se avaliar o que pode resultar de um poder demasiadamente concentrado.
Perante mais uma ronda de negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, coloca-se a questão de se saber se os seus resultados podem beneficiar de algum modo aqueles que querem o estabelecimento da paz. Para todos os efeitos, a Europa continua a ser o parente pobre deste choque de forçar que se dá, mais uma vez, no Emirados Árabes Unidos.Do outro lado do Atlântico, o ‘caso’ Epstein’ espalha as suas metástases por todo o lado – inclusivamente para o lado de cá do oceano – o que não é necessariamente mau para Donald Trump.Entretanto, vale a pena tentar-se perceber para onde vai a Índia e a sua frenética atividade na área da negociação de parcerias estratégicas comerciais com os principais blocos económicos.
Ainda as consequências do que foi dito em Davos, com destaque para a intervenção do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, uma espécie de grito de independência, mas também do presidente ucraniano, que quis ‘colar-se’ aos Estados Unidos em detrimento de uma Europa que está ao seu lado desde o primeiro instante.Entretanto, a União Europeia na Índia e o Reino Unido na China tentam em paralelo manter-se ao largo das consequências da estratégia comercial dos Estados Unidos.A palavra de ordem é encontrar alternativas a um mercado que se vai fechando, mas principalmente que confunde taxas alfandegárias com armas letais no combate geopolítico.
As tarifas impostas por Donald Trump transformaram-se numa arama de arremesso contra tudo o que mexe, sejam países inimigos, amigos ou outros.Desta vez o alvo são os países europeus – ou mais propriamente os oito países europeus que que não souberam incorporar as mais recentes lições da geografia, que dizem que a Gronelândia é dos Estados Unidos.Toda uma nova conceção do que é a ordem mundial observada a partir das varandas da Casa Branca chegou a Davos – e não foi para ser negociada ou debatida, mas apenas anunciada.Quem quer, quer; quem não quer, tem de querer. Uma boa oportunidade para o Vinho do Porto.Em Espanha, Pedro Sánchez resiste a tudo – respaldado pela força da economia, mas com certeza também pela força política que tem demonstrado nos palcos internacionais.
No Irão, na Ucrânia e até talvez mesmo no Mercosul.O fantasma do presidente dos Estados Unidos está por todo o lado, como se apenas a agenda da sua administração tivesse força de lei.Num contexto em que apenas a agenda da administração Trump tem força de lei, a crise no Irão, a continuação da guerra na Ucrânia e mesmo assinatura do tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul estão com certeza na mira das fantasias de Donald Trump.
A começar na Venezuela; os Estados Unidos dão mostras de que a sua nova estratégia de segurança não é letra morta num qualquer documento emanado da Casa Branca. O regresso em força da Doutrina Monroe não é uma promessa: é uma certeza a que os países da América do Sul são ‘convidados’ a aderir com todas as suas capacidades, por muito que isso queira dizer submissão à vontade soberana do ‘grande irmão’ do norte. Cuba, Colômbia, México e Brasil que se cuidem!
A continuar na Gronelândia; será ali, naquela ilha tão próxima do Canadá (o 51º Estado dos EUA?) que os Estados Unidos colocam o limite oriental do Hemisfério Ocidental, deixando de fora o resto da Europa. Será 2026 o ano da morte da NATO – no caso de ela ainda estar viva? Já se ouvem os primeiros acordes do Réquiem pela morte da aliança EUA-Europa. Ou já estaremos no segundo andamento?E a acabar na Ucrânia; a grotesca declaração de Volodymyr Zelensky sobre a Venezuela vai ajudar a Ucrânia a manter-se à tona? E o que vale a ‘profissão de fé’ de gauleses e britânicos em enviar tropas para a linha de guerra, uma vez conseguido o cessar fogo? Moscovo alguma vez admitirá tal coisa? A resposta é ‘não’!
Por todos os quadrantes de observação que se possam comentar, fica claro que o programa "A Arte da Guerra" tem as próximas 52 seções mais que asseguradas. Da Europa aos Estados Unidos, da América do Sul aos mares da China, não há qualquer dúvida que o ano que agora chega estará repleto de tensões, confrontos e guerras.
No penúltimo capítulo do ano de "A Arte da Guerra", vale a pena revisitar os últimos 12 meses – sendo certo que não parece haver grandes motivos para ficarem saudosos na memória coletiva do mundo.
Por esse motivo, também nada indica que possam servir de antecâmara a um 2026 minimamente mais feliz.
Se o cessar-fogo em Gaza era um assunto que não induz nenhum otimismo, tudo ficou ainda mais difícil com o massacre na Austrália e com a resposta do governo israelita, para o qual a explicação da tragédia reside no facto de o governo australiano ter reconhecido o Estado da Palestina.
Pouco otimismo merece também a ronda de negociações de um cessar-fogo para a Ucrânia, desta vez concentradas em Berlim – o que por certo pouco terá agradado a Paris.
Entretanto, na América do Sul, o Chile é mais um país a abraçar proposta de extrema-direita, o que coloca mais pressão sobre as eleições presidenciais que hão de decorrer no Brasil em outubro do próximo ano.
A nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos abre um novo capítulo da presença dos EUA no mundo ou será apenas uma ‘manifestação de interesses’ por parte do atual presidente, eventualmente para esquecer com a próxima administração? Partindo-se do princípio que é uma estratégia que ‘veio para ficar e ficou mesmo’, o que será da NATO? E da União Europeia? E do Médio Oriente? Por falar em Médio Oriente, vale a pena percorrer um ano de Síria sem a presença venenosa da família al-Assad. Como também vale a pena perceber-se em que ponto está a persistente crise política em França – num quadro em que ‘macroonistas’ e socialistas testam a possibilidade de um alinhamento circunstancial, mas em que todos já só pensam nas presidenciais de 2027.
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