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Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos tem averbado pesadas derrotas em tribunal. A começar pelas tarifas. Paradoxalmente, o seu discurso, mas que otimista, parece simplesmente lunático. Seria um divertimento se não fosse um perigo.
Mais a sul, outro perigo: o regresso da família Fujimori ao poder no Peru. Keiko será a próxima presidente do país à quarta tentativa, certamente para vergonha de sociais-democratas e outros esquerdistas peruanos, que se terão esquecido de qualquer coisa.
Andy Burnham tenta, por seu turno, não se esquecer de nada: o próximo primeiro-ministro britânico tem em mãos a constituição de um governo que tentará salvar o legado de centro-esquerda do país.
Numa impressionante sucessão de líderes efémeros e por isso de algum modo dispensáveis, o Reino Unido tem novo primeiro-ministro – cuja eleição não deverá merecer concorrência entre os deputados da Câmara dos Comuns, o que é um primeiro sinal positivo. Mas a enormidade dos desafios, nomeadamente o crescimento da extrema-direita, deixa dúvidas sobre a prestação possível dos trabalhistas.
De crescimento da extrema-direita se fala também na Colômbia, mais um país da América do Sul que optou pelo segurança do ‘chapéu’ dos Estados Unidos. Adiante se verá o que dizem os brasileiros sobre o assunto.
Na Europa, entretanto, uma cimeira do Conselho Europeu que debatia assuntos importantes – como o orçamento para os próximos anos – foi enigmaticamente reduzida a um único: a Ucrânia. Não haverá aqui algum exagero?
Num programa que volta a ser monotemático para assinalar um momento da mais alta importância – a assinatura do acordo entre Estados Unidos e o Irão – vale a pena ‘rebobinar’ a linha do tempo e perceber quem ganhou o quê e quem perdeu. Uma intervenção inútil? Uma guerra que podia ter sido evitada? Com que consequências para os diretamente envolvidos? E para os que optaram, ou ousaram, por manter-se à margem?
Portugal está pela quarta vez no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Um destaque que lhe é merecido por ser considerado um país que faz pontes das mais diversas entre números ‘tabuleiros’ diplomáticos.Um tema tão abrangente, que acabou resultando numa conversa sobre o… campeonato do mundo de futebol.Na frente diplomática, destaque também para a visita do presidente chinês, Xi Jinping, à Coreia do Norte, o único país do mundo com que Pequim mantém um acordo de defesa.Na defesa mas não muito está o Irão, novamente acossado pelos Estados Unidos, com o alto patrocínio de Telavive – não vão os Estados Unidos esquecer-se de bombardear Teerão.
Estará o presidente Donald Trump a perder a paciência com o seu aliado de sempre, Benjamin Netanyahu? Ou terá Trump finalmente compreendido que está nas mãos de Netanyahu, que é quem verdadeiramente comanda os destinos da guerra. Seja como for, não nos devemos preocupar: no fim, o Estado hebraico, a sua ‘click’ instada nos Estados Unidos e o setor norte-americano da defesa acabará por vencer face a qualquer ‘desalinhamento’ da Casa Branca. Como sempre. Mais próxima da Europa, e sendo para todos os efeitos um problema europeu, a Arménia está prestes a ir às urnas. Rússia e Estados Unidos fazem o papel do costume: interferem cada um por seu lado para saírem vencedores. Entretanto, na Hungria, o novo primeiro-ministro, Péter Magyar, o ‘carrasco’ de Orbán, tenta gerir um país que, como o próprio sabia antecipadamente, está soterrado sob a herança do antigo líder do Fidesz.
Uns passos à frente e depois outros atrás – com uma cadência que não segue qualquer ritmo que se possa mensurar. É assim que se desenvolvem as negociações em torno da paz entre o Irão e os Estados Unidos. Do pouco que os EUA conseguiram no Médio Oriente, avulta a sensação de que Teerão tem mais apoios que no início da guerra, o que não é, com certeza, a finalidade da intervenção militar. Longe dali, como se em desespero, o presidente russo, pela voz de Sergey Lavrov, convidou os diplomatas a saírem do país, que é o mesmo que os convidar a permanecerem. Entretanto, na América Latina e no Brasil, ‘cheira’ a eleições.
Depois de uma cimeira entre a China e os Estados Unidos que só cumpriu os mínimos, o presidente chinês, Xi Jinping ainda mal se tinha despedido do seu homólogo Donald Trump quando ‘foi à porta’ receber o presidente russo, Vladimir Putin. Um recado para Washington? Para a Ucrânia?
Entretanto, a Europa anda a vasculhar nas suas fileiras para encontrar quem poderá cumprir a espinhosa missão de ser um possível futuro interlocutor do bloco junto da Rússia. A boa notícia é que a União parece estar a ultrapassar a fase de negação e assumir que é preciso falar com o inimigo.
De inimigos sabe o chefe do governo espanhol, acossado por sinais de corrupção por todos os lados. O antigo chefe de governo José Luís Zapatero é só o problema mais recente que Sánchez, que ira a eleições para o ano, tem em mãos.
Numa altura em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está de visita à China, vale a pena seguir com muita atenção aquilo que serão os entendimentos e os desentendimentos entre as duas maiores economias do mundo. Convém, para isso, ter umas ideias prévias sobre o assunto.
Entretanto, no Médio Oriente há como que uma trégua, com os iranianos, que têm na China um dos seus mais importantes aliados, à esperado do que se passará em Pequim.
Trégua é coisa que não está no horizonte do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que, depois da clamorosa derrota nas eleições locais da semana passada, parece ter os seus dias políticos cada vez mais contados.
Donald Trump está a ser humilhado pelos Estados Unidos? O chanceler alemão acha que sim. Em contraponto, o secretário-geral da NATO emitiu opinião segundo a qual as cimeiras da NATO devem perder o seu carácter anual, não vá o presidente dos Estados Unidos sair melindrado. É o estado da arte do estado da guerra. E o estado da arte do Estado que está em guerra, um deles, passa também por mais um atentado dirigido à figura de Trump. É o caos? Parece. Entretanto, Trump, sempre ele, recebeu o rei Carlos III do Reino Unido – um país onde o primeiro-ministro tem, a 7 de maio, uma verdadeira prova de fogo do que será o seu futuro político.
Cessar-fogo, negociações, viagens que afinal não se fazem, levantamento de embargos que afinal não se efetivam. No meio de uma guerra cujos avatares se percebem mal, é o resto do mundo que está suspenso dos humores de Donald Trump e de quem mandar no Irão.
Nesta guerra de nervos, um dos primeiros a ceder foi o Japão: a nova primeira-ministra, que teme que o seu país fique ainda mais isolado lá longe onde está, tratou de voltar ao conjunto de nações que querem rearmar-se antes que seja tarde demais. Os antigos ocupantes de Taiwan temem pela segurança da ilha.
Bem longe dali, alguns temem que a Bulgária seja a nova Hungria da União Europeia. Mas nada indica que isso venha a ser verdade.
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