A palavra não é boa ou má, isso é culpa de quem a utiliza. A mudança de um sistema opressor também será realizada e refletida pela linguagem. Eliminar ou ressignificar expressões que maltratam seres humanos, tais como,"vadia", "preto safado", "viadinho", "traveco", "mongolóide"... é fundamental. Querer atingir"minúcias" como uso de "todes", "todxs", demonstra o reverso da urgência. Mulheres negras ainda recebem menos anestesia no sistema público de saúde, meninas negras são massacradas pela servidão doméstica na casa de gente branca... Será que o menino morto a pedradas por ser efeminado morreu pelo uso da vogal "o", ou por um sistema feito para assassiná-lo. Existe a hierarquia das urgências intimamente conectada à da vida. E a língua nunca será neutra, "purificada". Ela é humana também. Negada aos travestis espancados nas esquinas em que suas famílias os abandonaram.