Astronauta

Astronauta

By Felipe SimãoComedyArtsBooks
Download on the App Store

Astronauta episodes

  • 10 - Corpo entorpecente

    Não quero guaraná,

    não quero café,

    não quero coca-cola,

    nem adianta vir com chocolate,

    não quero doce,

    não quero rapé,

    não quero cocaína,

    pois me perco na instante infinitude do orgasmo,

    eu me desfaço no espasmo,

    eu me descompasso

    e pareço um astronauta perdido no espaço,

    o meu corpo é meu entorpecente

    meu desejo é fugaz

    e despedaça todos os meus ais

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 9 - Pais e seu Renatos

    Parece um grande fetiche,

    mas é só sexo ruim,

    talvez uma madrugada em São Paulo,

    o nosso cansaço mental nasce de discussões hipotéticas,

    tamanha é a nossa solidão,

    visceral

    vício

    de querer a resposta certa para a discussão que perdemos

     

    Faz muito tempo que não sonho

    da última vez nem me lembro,

    acho que nunca aconteceu,

    era uma mania dos meu pais,

    eles tinham lágrimas exatas

    sonhos bem definidos,

    decepções tão acertadas

    elas já estão acostumados e por isso não pensam no divórcio,

    nem no amor-próprio, nem nisso,

    os filhos vieram e os sonhos se foram,

    o eterno ciclo de “dar um jeito”,

    mas se a minha ambição fosse tão forte

    quanto os desejos que eles tinham,

    eu me levantaria dessa cama

    e correria a cidade inteira,

    faz tempo que não penso em nada, perdi a criatividade,

    faz tanto tempo que fui são, que nem posso me declarar doente,

    eu sempre fui ausente e por isso ela agora tá com outro

    ele não tinha amor, mas abriu os braços,

    ofereceu abrigo e proteção

     

    É tanta inércia que eu nem sinto a minha dor,

    eu poderia listar uma série de substantivos

    que não fazem muito sentido, mas rimam,

    me limito a dizer que ela tava certa,

    lá em casa tem um poço

    e a água tem gosto de merda

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    2 min
  • 8 - Cride

    Tudo ao meu redor o celular captura,

    eu não vivo a realidade, só a disruptura

    nada dura

    mais que trinta segundos

    e nem um segundo a mais

    Ô Cride, fala pra mãe,

    é que o Tik Tok me deixou burro demais

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 7 - Credo

    Eu tenho credo de credo,

    porque eu creio

    que acreditar

    é crer

    que há crédito

    em criar ilusões

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 6 - Criações

    Criações

    são constantes construções

    cravadas na utopia

    no felizardo dia, aniversário,

    sai da crica a criança que cria universos perfeitos,

    onde não há crime

    nem quem queira ser cruel

     

    Criar uma canção,

    mais belo louvor,

    em que a dor não tem começo

    nem tem fim o amor

     

    Construções

    são sonhos que acorrentamos no baú,

    escondido no porão mais profundo

    que sacoleja na ansiedade sublime de explodir

    e recolorir o mundo

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 5 - Dedos ocos

    Meus dedos são ocos

    de tantos socos que eu dei contra paredes;

    os meus dedos são ocos

    como são ocas as minhas ideias,

    os meus dedos são ocos,

    como ocas são as minhas poucas relações;

    os meus dedos são ocos

    como é o oco tudo que me circunda

    meus dedos são ocos;

    como é o oco o meu ser

    que não admite ser

    outra coisa além de uma massa de músculos

    um amontoado de nervos que se torcem até explodir;

    eu sou oco e não me toco de ser,

    ser oco é destino

    do homem que nega o seu lado feminino

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 4 - A maldita rima de Sipriano

    A sua beleza é natural,

    a natura que dura no brilho do seu olhar

    naturaliza a beleza

    que a natureza já não pode mais mostrar;

    quando ficamos sozinhos,

    na nossa cama,

    de todo jeito inflama,

    o amor se faz torrencial;

    na mimosisidade dos carinhos,

    penteando os seus cachos com o nariz

    eu que tudo sabia, me torno aprendiz

    na melodia dos afagos, fico a pensar

    no quanto de defeito que há

    no obsessivo perfeito que o homem tenta recriar

    devastando tudo;

    num pigarro bruto,

    o pássaro mudo não consegue chiar

    o esfacelamento das conchas do mar

    morreu sem conseguir avisar,

    tossindo fumaça de gasolina

    e nesse caos apocalíptico

    você é a luz que me fascina,

    a esperança que me contamina nessa terra de penitência,

    o mundo se perdeu da própria essência,

    mas a delicadeza dos seus gestos

    me faz esquecer a crise global

    a minha própria crise existencial,

    a prescrição dos manifestos

    o meu senso crítico

    a nossa paixão toma conta do ar

    e eu só quero te respirar

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    2 min
  • 3 - Retinas

    Eu acredito que não estou apaixonado por você

    mas

    vis à vis

    tête à tête

    nós dois no chão da quitinete

    tudo muda e o meu mundo gira entorno do seu ser

    mesmo que você não queira ser

    minha namorada

    mesmo que essa história seja

    uma réplica do roteiro de “Vidas passadas”

    mesmo que esse amor seja

    uma tiririca que brotou entre as ruínas

    é inegável a magia

    de olhar no fundo das suas retinas

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 2 - Vergonha de amar

    Às vezes a execução desmantela a inspiração

    o pensamento singelo

    que desenha um lindo castelo

    nas curvas da massa cinzenta;

    a emoção que o coração não pulsa,

    a mente inventa;

    o desespero se compulsa

    quando os sentidos percebem

    o que realidade não sustenta;

    os olhos devem

    um brilho de luz à memória;

    o nerd esquisito

    sente no coração o sopro do apito

    e mas a ansiedade mais alto começa palpitar,

    em vão repete a mesma história,

    a incansável vergonha de amar

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min
  • 1 - Oriente

    No oriente,

    terra nascente

    No horizonte,

    o sol

    No ventre,

    a civilização

     

    Nas frestas das janelas,

    o vento soprou primeiro

    No oco das flautas,

    o sopro encontrou o som

    No oco das armas,

    a pólvora encontrou a explosão,

    No oco dos cachimbos,

    o ópio encontrou a combustão

     

    Eu corro,

    corro,

    mais de mil léguas percorro,

    porém continuo deitado

    desatino fadado

    nunca consigo alcançar o dragão

    Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

    1 min

About Astronauta

From the publisher's feed

Astronauta é um livro com rimas embaralhadas, mostrando a confusão que é se perder no universo da poesia.

Hosted on Acast. See