Uma das grandes questões nesse conflito era a circuncisão. Ela não era uma ordenança humana (compare com Mt 15:2, 9). Em vez disso, a circuncisão havia sido estabelecida por Deus como sinal de Sua aliança com os descendentes de Abraão, Seu povo (Gn 17:9-14).
2. Leia Êxodo 12:43-49. Além dos filhos de Israel, quem deveria ser circuncidado?
As bênçãos da aliança não estavam restritas aos filhos de Israel, mas eram estendidas a qualquer escravo ou estrangeiro que desejasse experimentá-las, desde que fosse circuncidado. Após a circuncisão, o estrangeiro teria o mesmo status diante de Deus de um israelita nato: ele seria “como o natural da terra” (Êx 12:48). A circuncisão, portanto, era indispensável (para um homem) ser membro pleno da comunidade da aliança de Deus. E visto que Jesus era o Messias de Israel, parecia natural aos judaizantes insistir que nenhum gentio poderia se beneficiar de Sua salvação sem antes se tornar judeu.
3. Leia Romanos 3:30; 1 Coríntios 7:18; Gálatas 3:28; 5:6. Como Paulo compreendia a circuncisão?
__________________________________________________________________
Ao afirmar que nenhum gentio poderia ser salvo sem primeiramente se unir ao judaísmo, os judaizantes estavam misturando dois conceitos distintos: aliança e salvação. Ser membro da comunidade da aliança de Deus não garantia a salvação (Jr 4:4; 9:25). Além disso, o próprio Abraão foi salvo (justificado) pela fé, o que ocorreu antes da circuncisão, e não por causa dela (Rm 4:9-13).
A salvação sempre foi pela fé, enquanto a aliança foi uma provisão graciosa por meio da qual Deus revelaria a Si mesmo e Seu plano salvífico ao mundo inteiro. Israel havia sido escolhido para esse propósito (Gn 12:1-3). No entanto, o problema era que, ao associar de maneira muito próxima a aliança e a salvação, esses cristãos judeus vieram a considerar a circuncisão como algo meritório. Contudo, a graça salvadora de Deus não age onde as obras humanas atuam.
Portanto, impor a circuncisão aos cristãos gentios como meio de salvação era distorcer a verdade do evangelho (Gl 1:7; 2:3-5), anular a graça de Deus (Gl 2:21) e tornar Jesus de nenhum proveito (Gl 5:2). Além disso, era negar o caráter universal da salvação (Cl 3:11; Tt 2:11). Paulo jamais poderia concordar com esse tipo de pensamento.
Qual é o perigo de pensar que a salvação é resultado de, simplesmente, ser membro da igreja certa?