Nas últimas conversas que tive com a Nathalia, em 2025, a ideia de gravar um episódio dedicado ao disco A Love Supreme, de John Coltrane, aparecia como algo recorrente, principalmente por conta da celebração dos 60 anos de seu lançamento.A gravação desse episódio não chegou a acontecer, mas a conversa que trazemos hoje, embora não seja sobre Coltrane nem sobre esse disco, pode ser lida como um tributo indireto àquela ideia: a de uma obra capaz de produzir uma imagem possível de “Deus para ateus”, para quem escuta com atenção e se permite penetrar por ela.
Neste episódio, o exercício é deslocar as compreensões que costumam situar as experiências do “espiritual”, do “espiritualizado” ou do “espiritualizante” no campo da religião, da doutrina ou dos códigos que organizam práticas voltadas à transcendência e ao metafísico. O movimento aqui é outro: pensar o espiritual como aquilo que afeta o espírito, que opera como uma mediação sensível nas nossas relações com a realidade.
Acompanhados de Djalma Corrêa, Sun Ra, Elza Soares, 24 Carat Black, Juçara Marçal, Hugh Mundell, Édouard Glissant, Nei Lopes e Suzanne Césaire, percorremos caminhos que encontram nas artes uma arma espiritual necessária para enfrentar este mundo.