In memoriam de Emílio Cordeiro de Lima
Emílio levanta clamando por Maria
— Ali outra goteira, traz o balde
Sinto o cheiro de querosene
Obscurecida agora pelo toró
O velho raspa o fumo co’a
Navalha, repousa-o na seda
Fita um lugar p’ra cuspir
Em julho as pernas doem mais
Digo não mais ocultando o riso
Diz, referindo-se às trevas
Entrego a rede como oferenda
Vou ao pote de barro buscar água
Um trovão bambeai-me as pernas
Brada a voz pelas sombras
À boca, sem despejar em outro
Perplexa e supersticiosa:
— Ouviram? A rasga mortalha
Ainda sinto o cheiro do querosene
Vez ou outra passa por cima
Cada cuspida antes do trago
Tudo permanece aqui dentro