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Liberdade. Essa é a palavra que uso para definir podcasts.
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Competência técnica e profissional tem jeito, o dinheiro pode comprar. Mas competência moral...
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Os advogados e jornalistas que insistem que não existe a materialidade das provas, não são necessariamente desonestos, parte da quadrilha ou mal-intencionados.
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Uma das vantagens de envelhecer é a oportunidade de compreender que a vida é feita de ciclos. Olha só: temos a infância, a adolescência, a juventude, a maturidade, a envelhescência e a velhice. Em cada fase descobrimos coisas novas que servem de base para a fase seguinte. Aos 50 anos comprovei que a partir da maturidade são os ciclos de nossos filhos que determinam os nossos. Pouco depois que meu filho nasceu, 34 anos atrás, mudei-me de São Paulo para Alphaville em busca de um lugar calmo para viver, que me lembrasse a Bauru onde nasci. O interior, a comunidade, o sossego e a qualidade de vida que aquela Alphaville de 1986 oferecia. E assim foi.
O nascimento de minha filha, 28 anos atrás, coincidiu com a mudança para uma casa em Aldeia da Serra onde permaneci por 8 anos, até que as crianças atingiram uma idade crítica dos 12 a 14 anos, quando Aldeia da Serra não bastava mais. Foi quando percebi que um ciclo havia passado, o da infância dos filhos. Era hora de retornar para Alphaville, onde as necessidades da adolescência seriam melhor atendidas. Em 1997 fomos para o condomínio Melville, para a casa de nossos sonhos. E ali foram anos fantásticos até os adolescentes chegarem aos 20 anos... Em 2012 meu filho mudou-se para São Paulo e minha filha estudava e trabalhava também por lá. O ciclo da adolescência se encerrara. E a casa dos meus sonhos ficou grande e vazia. As “crianças” estavam distantes. Era hora de mudar novamente. E me vi às voltas com a busca de uma nova casa, desta vez dentro de São Paulo, perto dos filhos, menor e mais adequada ao novo ciclo que se iniciava. Perdi o sono a cada noite, só de pensar que iria me desfazer da casa de meus sonhos...
E então, em dezembro de 2014 encontrei um apartamento em Moema e, muito a contragosto, comecei o processo de mudança. Iniciado o processo, as coisas começaram a acontecer. Encontrei uma casinha deliciosa para instalar meu escritório, distante 80 metros de meu apartamento. Parei de usar automóvel. Faço quase tudo que preciso a pé e de UBER. E apareceu uma oportunidade de construir um estúdio dentro da casa que eu aluguei. O apartamento se mostra mais que suficiente, fica todo mundo feliz e, aos 60 anos, comecei um novo ciclo, o da envelhescência. O da velhice ainda vai chegar. Olho para trás e não me arrependo de nada.
É assim mesmo que a vida acontece, em ciclos. E fica a cada dia mais claro que permanecer preso a um ciclo é negar-se a oportunidade de evoluir.
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Entre 1993 e 1995 uma novela de rádio foi ao ar na Tanzânia, África.. A produção foi montada por estudiosos e cientistas, com o objetivo de influenciar os ouvintes a se proteger contra a AIDS. O resultado (cientificamente obtido): um quarto da população na área coberta pela novela mudou seu comportamento, reduzindo drasticamente a contaminação pelo HIV. Em apenas dois anos, uma novela de rádio mudou os pensamentos, as percepções e o comportamento das pessoas. Muito bem.
Em julho de 2010, 2544 brasileiros escolheram em um conjunto de 54 valores positivos e negativos “os 10 mais representativos de como o Brasil opera hoje”. Resultado (em ordem de importância): Corrupção, Pobreza, Crime/Violência, Desemprego, Analfabetismo, Poluição Ambiental, Burocracia, Agressividade, Incerteza sobre o futuro e Desperdício de Recursos. Surpreso? Eu não. Aquela pesquisa de Valores apresentou o conjunto organizado de percepções e sentimentos que identificam o Brasil... pelos brasileiros. O debate que se seguiu foi todo focado na questão educacional.
Voltando agora ao exemplo daquele programa de rádio mudando o comportamento dos africanos: há pelo menos 40 anos nossos tele e radio jornais, jornais impressos, revistas e especialmente o cinema, esfregam em nossas caras as mazelas do Brasil, como se o Brasil fosse só mazelas. Num país onde a maioria da população, com educação deficiente, tem a televisão como única janela para o mundo, não é difícil entender como se constrói aquela percepção de (des)valores que a pesquisa apresentou. Especialmente quando a realidade mostra que as tragédias diárias existem mesmo e quem deveria lutar contra elas, pouco faz.
Se a novelinha de rádio africana mudou a realidade do país em dois anos, uma lavagem cerebral de 40 anos é capaz de fazer o quê? O Brasil é uma grande cozinha. Nela existe uma lixeira. Mas o Brasil não é só a lixeira. A relação de valores que a pesquisa apresentou como representativos do Brasil, não é obra do acaso. Tem sido pacientemente construída ao longo de pelo menos duas gerações. Isso é o que eu chamo de burrice.
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No começo dos anos 1960, em Bauru, meu pai comprou seu primeiro carro, um Lincoln, que hoje descobri que era o Humpmobile 1941. Era o carrão da família, comprado de segunda, terceira ou quarta mão. Eu tinha cerca de sete anos de idade e aquele automóvel imenso tinha um grande banco traseiro onde eu me esbaldava junto com meus irmãos mais novos. Aquele banco era o universo das nossas aventuras. O carro, que já tinha mais de 20 anos, vira e mexe parava na rua com algum defeito. Ninguém ligava para a seguradora mandar o guincho... Foi então que meu pai começou a ter problemas com dores nas costas. Um dia ele foi ao médico e, após os exames de praxe, ouviu a pergunta fundamental: que carro o senhor tem? E o médico descobriu que meu pai empurrava o Lincoln pesadíssimo. Receitou então: “Troque de carro que as dores passam.” Pois bem, quarenta anos depois visitei um fantástico museu do automóvel – que infelizmente não existe mais - em Canoas, no Rio Grande do Sul. Andando pelo corredor, dei de cara com o quê? Com um Lincoln Continental! Igualzinho ao do meu pai! Imediatamente pedi: “Ô, posso sentar no banco de trás”? Com o coração disparado abri a porta traseira... E tomei um susto! Aquele banco imenso para aquele garoto de sete anos agora era um tímido banquinho para o senhor de quase cinquenta. Foi uma imensa decepção. É impressionante como o tempo diminui o tamanho das coisas... Eu não me preparara para o fato de em quarenta anos ter crescido na altura e na largura, mudado o ângulo de visão e começado a ver o mundo sob outra perspectiva. Hoje, dezenas de automóveis depois, 80 quilos a mais e sem a liberdade de imaginação de criança, é impossível reviver as mesmas sensações, escolhas e impactos que senti. E se é assim com uma experiência pessoal que vivi intensamente, imagine como é com os fatos que não vivi e que se perdem na história, 50 ou 60 anos atrás... Por isso não me conformo com a quantidade de gente que pauta o debate político no Brasil com fatos que aconteceram antes delas terem nascido. Como se o Brasil fosse o mesmo daquele banco traseiro antigo. A fila anda. O tempo passa. A gente muda. O mundo é outro! Vira o disco, meu! Saí do velho automóvel e continuei a caminhar até encontrar o carro que meu pai comprou para substituir o Lincoln Continental: um Renault Gordini. Nunca mais ele teve dores nas costas.
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Olha, eu tenho me incomodado com nível rasteiro ao qual chegou o jornalismo brasileiro, especialmente nestes dias de campanha política. Semana passado tivemos uma experiência horrorosa com a participação de Jair Bolsonaro no programa Roda Viva, transformado em palanque para ressentimento e militância política de jornalistas. Na Globonews, boa parte da entrevista de Ciro Gomes foi dedicada a discutir seu temperamento explosivo. Olhos no passado, no assessório, deixando de fora o principal, o que é que esses caras pensam pro futuro. Meu amigo Adalberto Piotto, um dos mais brilhantes entrevistadores que conheço e estranhamente fora das grandes mídias, escreveu em seu Facebook:
“Em nenhuma escola de jornalismo - não nas sérias - se aprende que agressividade significa independência em relação ao entrevistado. Isso é uma invencionice de quem tem carência de informação e problemas com o debate. Nem se aprende que jocosidade, arrogância e preconceito são ferramentas úteis no jornalismo. Na verdade, são características execráveis. A elegância e a clareza dos fatos objetivos são suficientes para a condução de uma entrevista. Entrevistado não é subalterno de jornalista. Ninguém é obrigado a se expor ou responder a tudo que lhe é perguntado. Por isso, a elegância e a clareza dos fatos na condução de uma conversa nos são mais úteis no convencimento do interlocutor. No fim, todos serão julgados pelo público. A tudo isso chamamos de civilidade, de convívio social.”
Pois é. Agressividade, jocosidade, arrogância e preconceito, aplicados a favor de militância política são as características de toda uma geração de jornalistas que parece ter perdido seu norte. Falta de preparo, superficialidade e apego a agendas progressistas que transformam o confronto de ideias em ofensa, são a norma. Assistimos então jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão perdendo relevância, ouvintes, assinantes e espectadores, enquanto as mídias e canais independentes crescem de importância. O povo quer personalidade, opinião consistente e gente capaz de exercer aquilo que Carlos Alberto Di franco colocou em primeiro lugar em seu Decálogo da Qualidade Jornalística: Humildade, coragem e prudência. Quem mais perde é a sociedade.
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Em 2015 lancei o LíderCast, um podcast voltado para liderança e empreendedorismo, mas com uma pegada diferente. Eu percebi que a maioria dos programas que tratavam do assunto seguiam uma fórmula: entrevistavam alguém que era pobrezinho, cresceu pelo esforço, ficou bem sucedido e “se ele conseguiu, você também consegue”. Parecia leite desnatado: não tinha gosto de nada. A fórmula que segui foi convidar gente que faz acontecer, e não importa o quê. E a perspectiva é: o que é que tira você da cama pela manhã com tesão pra fazer acontecer”? E assim já tive todo tipo de gente no programa, do ex-ministro ao jovem barbeiro da cidadezinha do interior; da empreendedora à frente de uma startup à especialista multicultural; do dono do bordel ao pastor. O programa não tem roteiro, não tem perguntas programadas, a gente simplesmente senta e conversa. E saem histórias maravilhosas, inspiradoras e provocativas.
Bom, eu virei o foco estes dias para a liderança e empreendedorismo na política, aproveitando as eleições que aí estão, e comecei a agitar minha rede de contatos para trazer candidatos para o programa. Há meses estou tentando, mas é uma dureza, viu? Os assessores de comunicação dessa turma não têm a menor ideia do que seja um podcast, e a maioria dos contatos nem resposta tem. Mas dois candidatos vieram até o estúdio. Paulo Rabello de Castro, do PSC, cujo programa foi ao ar no dia 21 de Junho, e João Amoêdo, do partido Novo, cujo programa iria ao ar no começo de Setembro. Dois candidatos com propostas novas, nanicos, sem histórico político e que dão prazer de ouvir. E são solenemente ignorados pela grande mídia tradicional. Pois então, a Rede Globo acaba de anunciar uma rodada de entrevistas com os candidatos, mais uma vez deixando ambos de fora. Então decidi publicar o LíderCast do Paulo Rabello de Castro dentro do podcast Café Brasil, ampliando muito a audiência, e antecipar o LíderCast do João Amoêdo no Youtube. Lançando já. Se quem tem ideias novas é boicotado pela grande imprensa, cabe a cada um de nós trabalhar para que sejam ouvidos. Você pode encontrar as entrevistas em www.lidercast.com.br. Olha, a minha parte eu fiz, a sua é por meio das curtidas, dos compatilhamentos e dos comentários. Nem precisa concordar com eles, basta fazer com que sejam ouvidos.
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O Facebook acaba de deletar 196 páginas e 87 contas no Brasil alegando que participavam de "uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas (...) e escondia a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. Uma explicação genérica e suspeita, cheia daquele discurso por justiça social e pela proteção dos usuários oprimidos. E é suspeita especialmente porque todas as páginas banidas “coindecentemente” identificam-se como “de direita”.
A acusação é subjetiva e não se sustenta quando se pedem evidências. Alguém recebeu uma denúncia, investigou, acusou, julgou e condenou. Dentro de quatro paredes, sem dar chance de defesa ao “réu”.
“Pô, Luciano, mas o Facebook é uma empresa privada, pode fazer o que quiser”!
É. Mas por sua natureza e alcance, o Facebook cruzou os limites do que entendemos como liberdade de mercado. O produto que o Facebook oferece é o acesso a ideias e, diferente das mídias tradicionais, não tem um concorrente que possa lhe fazer frente. É dominância total. O Facebook é uma ferramenta de trabalho, de informação, de interação e relacionamento. E de repente, fica claro que a informação, a interação e os relacionamentos que ele permite, são apenas os que agradam seus donos. Inaugurando uma tirania digital, começa então a censurar ideias, o que seria um pequeno problema se ele fosse uma fábrica de tijolos, mas não é. O Facebook é um ambiente de circulação de ideias. A censura seria um pequeno problema se fosse um ambiente envolvendo pequenos grupos. Mas não é. São mais de 2 bilhões de usuários. Nessas proporções, seu impacto e influência na sociedade ultrapassa os limites da liberdade de mercado, para tratar dos limites de expressão, garantidos na Constituição.
Sabe o que vai acontecer? Haverá uma reação, políticos perceberão a manobra e será criada uma lei limitando a ação das mídias sociais na censura à liberdade de expressão.
Isso é bom? A mão peluda do Estado intervindo? Não, claro que não! Mas qual é o meio para se combater essa tirania digital?
Cara, mas sabe o que me embrulha o estômago de verdade? É ver jornalista velho celebrando a censura!
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Uma pesquisa perguntava se o Brasil é um país racista. A maioria respondeu “sim”. Mas quando a pergunta era “E você? É racista?”, a resposta era “não”. Eu não sou racista! Racistas são os outros. Se em vez de racismo a pergunta fosse sobre preguiça, ignorância, desonestidade e outros atributos nada elogiosos, tenho certeza que a resposta seria a mesma: o problema nunca sou eu, são os outros.
Isso leva a uma reflexão sobre a esperteza individual contra a estupidez coletiva. Como indivíduos somos ótimos. Honestos, estudiosos, aplicados, respeitosos, competentes… mas como um coletivo somos um desastre! Agora reflita comigo: se o coletivo é a soma dos indivíduos, como é que 200 milhões de pessoas honestas e gentis formam um país corrupto e violento? Ah, não tenho culpa. O problema são os outros... Olha só, a sensação de culpa existe como um mecanismo que nos ajuda a reconhecer quando fazemos algo que prejudica nosso papel social dentro de um grupo, ameaçando nossos laços sociais. A sensação de culpa nos ajuda a perceber que fizemos algo errado e temos de consertar. E normalmente não conseguimos nos livrar da sensação de culpa enquanto não corrigimos ou compensamos o erro. Somos uma espécie social. Uma emoção que nos faz reconhecer nossas más ações é, portanto, boa! Não é uma emoção negativa! Admitir que fizemos uma besteira não é fácil, mas podemos crescer a partir dessa experiência se aprendermos com ela e, na próxima, não cometermos o mesmo erro.
Onde quero chegar?
Tá vendo esses políticos que você detesta? Estão lá por culpa sua. Tá vendo esses serviço ruim que você recebe? É culpa sua. O alto imposto que você paga. A péssima educação. O péssimo atendimento de saúde. As péssimas condições de negócios. Tudo culpa sua. Mas você teima dizer que são culpa dos outros, não é? Pois é. Não vai aprender nunca. Talvez nas próximas eleições decida mais uma vez lavar as mãos, continue dizendo que odeia política e jamais se engaje em ações para mudar o que está aí. Afinal, você é o esperto, não é? Estúpidos são os outros.
Sei.
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