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Neste episódio, só falta mesmo indicar o nível de inglês e de Excel da convidada. Falámos sobre o curso profissional de teatro na Escola Secundária de Felgueiras, em que a maior parte das pessoas só queria fugir à matemática, da primeira vez que surgiu a possibilidade da Educação, ainda na lista de opções para a faculdade e da experiência do mestrado, na certeza do sonho e da aventura em Lisboa. Adivinhem com qual das seguintes é que a Cidália se emocionou: com a descoberta do teatro para a infância no contacto com o Projeto Boca Aberta, com o início do Coletivo Casa e o desempenho de funções como fundadora ou com o regresso a casa que sucede tudo isto? Ganha uma lágrima engarrafada quem acertar.
Começámos pelo mais importante: revelar quem vai ser o meu padrinho de casamento. Depois falámos do voluntariado com crianças refugiadas na Turquia, onde os tiros irrompem durante a noite mas as pessoas são felizes com pouco; a ansiedade da inércia ao regressar e a partida como desculpa para dizer coisas que precisavam de ser ditas. Descobrimos a origem do medo das despedidas na primeira experiência de emigração de um pai, no dia depois do jantar que já não sabe ao mesmo, e na morte inesperada de uma avó, antes de se observar uma família que já não é "aquela família". Pelo meio, a vontade de conhecer Portugal, a síndrome do impostor, o ódio a pessoas falsas, uma história para a posteridade e os rivais que importam: Quim Barreiros vs. Emanuel e Deus vs. um psicólogo.
O Miguel Loureiro não tinha agenda, por isso tive de combinar com o Miguel de Riba. Falámos sobre como a catequese o levou ao teatro, sobre o mestrado em Património Cultural (e não em Comunicação, Arte e Cultura, para que não restem dúvidas), sobre desinfetar as compras do supermercado e criar uma banda de tributo aos Diabo na Cruz. O Miguel começou a interessar-se por música aos doze anos com uma guitarra no colo, longe de imaginar que ia cantar ao vivo numa jam session em Guimarães. Na primária, escrevia duas vezes a mesma sílaba no início das palavras porque era assim que falava. Mas, como Ângelo Rodrigues que também é, não deixou que as adversidades o derrubassem e a gaguez não o impediu de ser uma pessoa de palco.
As janelas estão abertas. O barulho dos carros ouve-se no interior. Sentados à mesa, a conversa continua sobre a vinda para Portugal quando o Jonathan tinha apenas sete anos e o processo de fazer a ponte entre as realidades portuguesa e brasileira, mesmo antes dos três meses de regresso às raízes e às memórias. Falámos de relações à distância, da propensão para amizades no feminino, do trabalho em produção e da prevalência das mulheres também na área. Não podiam faltar as plantas como escape ao confinamento, a apendicite e o pedido de desculpas público ao staff do Hospital São João e um cheirinho de Normal People. PS. - “Quantos de nós temos alpendres?”
No início, sou só eu a tentar disfarçar o facto de ter perdido para sempre os primeiros doze minutos da "conversa", que segundo o Jonathan é só um eufemismo para a palavra "entrevista". Se calhar por ver a coisa mais como uma entrevista e menos como uma conversa é que estava tão nervoso. Mas a partir do momento em que os microfones captaram de facto as nossas vozes, podem ouvir-nos falar do percurso académico do Jon, de Coimbra a Braga e do único ano em Jornalismo ao mestrado adiado em História de Arte; de "pseudo-ciências" como a astrologia e o tarot e do crescimento no seio de uma família que era um espécie de ONU das religiões; do candomblé e da sua relação com a comunidade LGBT; e, contra todas as expectativas, da Bíblia, do Frederico Lourenço e da importância das notas de rodapé.
Estou inclinada para achar que esta é uma das conversas mais interessantes que tive no podcast até agora, talvez porque não sou íntima do Ozório e senti que, também eu, ia ficando a conhecê-lo conforme falávamos. Esta segunda parte foca-se no peso e na leveza dos seus quarenta anos, e assim se descobre a coincidência da data em que nasceu com algumas efemérides políticas, a transição da direita para a esquerda qual Zita Seabra invertida, a visão do manifesto comunista como uma ideologia aproximada do cristianismo e o privilégio como lente para olhar um sistema capitalista e neoliberal. Não podíamos deixar de fora a pessoa mais importante da sua vida, a dificuldade do coming out noutra geração e a vontade de ser pai. No fim, um incentivo para que sejamos, todos, ativistas da liberdade.
Neste episódio, falámos do percurso universitário de alguém que não suporta os cânones académicos, que se farta muito facilmente e tende a deixar as coisas inacabadas, mas que procurou sempre a liberdade e a palavra, sobretudo uma na outra; da descoberta do teatro, com o devido agradecimento ao António Alves Vieira, responsável por uma mudança não só profissional mas espiritual, política e social; da teatralidade no poema, do livro como negócio e do “Mar Subverso” que obriga a uma ordenação do caos; da evolução da escrita com o tempo cada vez menos desassossegado, da inspiração como mensagem divina ou diabólica que faz o poema acontecer e da bandeira temática tricolor dos surrealistas.
Na segunda parte desta conversa que muito me orgulha, começámos pela música, nas relações românticas, nos bairros londrinos e nos camarins do teatro; falámos de racismo, na visão de alguém que acredita que é a obrigação de todos nós fazer parte da mudança; relembrámos o dia em que foram divulgados os resultados do Brexit e pensámos sobre os seus efeitos numa Londres multicultural e falsamente educada; vimos, à luz da lua cheia, a importância de encontrar (mas não esperar, nem procurar) um parceiro; e levantámos os véus da descoberta da escrita e do regresso aos palcos portugueses. Depois, a Belisa reformulou a minha pergunta da praxe e deu a resposta como bem lhe apeteceu, ou não fosse ela a Belisa.
Estamos de volta! E começámos esta segunda temporada com uma introdução que, segundo ela, fez a Belisa gostar mais dela própria. Continuámos por caminhos que provam que eu estava certa em tudo o que disse. Falámos, nesta primeira parte, do conjunto de acasos que a levaram a estudar teatro, das motivações para sair de Portugal aos 18 anos, das semelhanças entre o meio artístico português e londrino, da coragem ou ingenuidade necessárias para mudar de curso e, como não podia deixar de ser, da experiência da morte da mãe. A Belisa deixou-me entrar, como deixa sempre, e partilhou a sua jornada pessoal, desde a importância da aceitação às novas formas de viver a vida que surgem depois de um acontecimento destes. Acabámos com a certeza de que é possível transportar a memória de uma pessoa em pequenos gestos do dia-a-dia e com a convicção (pelo menos da parte da menos cética das duas) de que, se conseguirmos acreditar com força numa coisa, conseguimos fazê-la acontecer.
Para fechar a primeira temporada, fui rever os meus planos para quando a quarentena acabasse, sobre os quais falei logo no episódio 8, o primeiro do confinamento. Agora, quatro meses depois, com a voz marcada pelo cansaço próprio de quem está prestes a ir de férias, descubro se cumpri ou não os planos que fiz. Pelo meio, vou falando do meu detox de redes sociais, dos meus primeiros eventos desconfinados, de uma cabana em Valongo, de um documentário que não aconselho, do meu eczema, de distância nas amizades e, como sempre, do Slow J. Boas férias, malta! Até setembro!
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