Ouvimos aqui o coreógrafo Victor Hugo Pontes a construir coreografias ao longo do percurso de uma caminhada com 15 participantes, agentes e alvos de observação ao mesmo tempo - de si mesmos, e do espaço. Cenografias compostas por estruturas não planas, atribuladas, são características das peças do coreógrafo, que viu, na caminhada que guiou em Monchique, o cenário perfeito de observação da relação dos corpos num espaço tão particular.
Neste episódio, escutamos as memórias e referências do artista provenientes das suas inúmeras peças e dos seus processos criativos, que se tornam a base de uma pesquisa interna de cada um dos participantes - “Se este caminho não servir para encontrar nada, que sirva para nos encontrarmos”.
Aconteceu no dia 27 de setembro de 2020, em Monchique.
Victor Hugo Pontes nasceu em Guimarães, em 1978. É licenciado em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Trabalha como coreógrafo, encenador e intérprete. Como criador, a sua carreira começa a despontar a partir de 2003 com o trabalho Puzzle. Desde então, vem consolidando a sua marca coreográfica, tendo apresentado o seu trabalho por todo o país, assim como em Espanha, França, Itália, Alemanha, Rússia, Áustria, Brasil, entre outros. É, desde 2009, o diretor artístico da Nome Próprio – Associação Cultural, com sede no Porto.
A dança é a relação de um corpo com o espaço, num determinado tempo. O nosso espaço será a serra de Monchique, num percurso de três horas, em Setembro de 2020. Assinalo a data, porque vivemos um tempo novo. Vejo esta caminhada como uma aula de dança em que estaremos em relação com a natureza e em que os nossos corpos serão influenciados pela paisagem, por palavras, por sons ou pela presença dos outros caminhantes.
Edição de som: Rémi Gallet