Contribuindo para a temporada Rios de Curitiba, Antonio Gerardi, diretor de Recursos Hídricos da SMMA, elogiou as iniciativas apresentadas no primeiro episódio da temporada, de Leny Toniolo, que reuniu Poder Público e sociedade para recuperar o córrego dos Imigrantes, e de Diego Saldanha, que criou uma ecobarreira no rio Atuba. Gerardi lembrou que a iniciativa de Leny faz parte do programa Amigos do Rio e que medidas como essa têm contribuído para os números positivos da cidade em relação à qualidade da água. “De 2022 para 2023, 50% dos pontos dos rios urbanos de Curitiba melhoraram a sua qualidade, o que prova que há um trabalho conjunto da sociedade”, relatou o representante da Prefeitura de Curitiba, no CMC Podcasts. Gerardi lembrou ainda do trabalho diário dos servidores públicos e dos desafios de manter a qualidade das bacias hidrográficas da cidade, e listou as principais iniciativas da Prefeitura durante a atual gestão: “Além da coleta diária, tem a coleta seletiva, tem os ecopontos, nós temos um trabalho com as cooperativas de catadores, que trabalham em conjunto com a Prefeitura, [..] o Ecocidadão, que é a troca de resíduos por alimentos. Tudo isso faz com que se forme uma economia circular, você tira o lixo, dá retorno e incentiva o produtor rural”. Por fim, falou da importância do novo Parque Colina do Abranches, que servirá para drenagem em uma região importante na cidade. Julio Cesar Gonchorosky, por sua vez, destacou o papel da Sanepar no cuidado das bacias hidrográficas e falou um pouco sobre o Museu Planeta Água, visitado pela equipe do CMC Podcasts. Para ele, o local, que está sendo operado na primeira estação de tratamento de água de Curitiba, é uma forma de “despertar nas pessoas a importância da água e das ações que a gente tem que tomar daqui pra frente e de lembrar a todos, em especial as crianças, que água é o bem maior que nós temos”. Além disso, Gonchorosky enaltece o alcance de 98% da cobertura de esgoto em Curitiba, “uma das melhores do Brasil”, e elege os dois principais desafios da Sanepar: as ligações incorretas ou inexistentes de esgoto e a manutenção de tubulações, avariadas ou antigas, na rede de coleta da cidade. Gonchorosky ainda falou dos avanços promovidos pelo aplicativo da Sanepar e da tentativa de inclusão de informações sobre a situação dos rios para aumentar a conscientização. Ele ressalta que “50% dos rios de Curitiba estão debaixo da terra” e que, por isso, a população, muitas vezes, desconhece os rios da região em que está. “O Poder Público, sozinho, não faz, sem a vontade, o desejo e a cobrança da população, essa é a ação transformadora”. Contribuindo com essa visão, a geógrafa Juliana de Carvalho, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em hidrologia urbana há mais de 10 anos, ressalta a importância de se compreender os cursos de água enquanto resultado do que acontece em sua bacia hidrográfica “um rio não é só um rio, ele é resultado de toda uma área de drenagem […] e toda a água que chove nessa área acaba chegando nos rios”. Para ela, a conscientização é o primeiro passo, mas acrescenta que medidas simples podem fazer a diferença e apresenta soluções práticas que mostraram resultado durante sua pesquisa na bacia do rio Belém. Buscando soluções para os rios de Curitiba Em busca dessas soluções, Juliana simulou medidas que “tentam recriar os processos naturais de retenção e de infiltração da água, através de soluções baseadas na natureza sem precisar desconstruir ou reconstruir a cidade”. Dentre elas, destacou medidas que podem ser aplicadas por cidadãos comuns, como a destinação de águas de calhas para jardins, a implementação de cisternas e o rebaixamento de calçadas e meios-fios em áreas com maior permeabilidade do solo. A pesquisadora ainda falou das valas de infiltração, estrutura com várias camadas de filtragem e que podem ser aplicadas em vias como a avenida das Torres e na Linha Verde. Dentre as sugestões, os convidados falaram ainda da necessidade de tornar as cidades mais verdes e resilientes, conscientizar a população em relação à destinação do lixo e à ligação do esgoto e de repensar as calçadas da cidade, trazendo mais acessibilidade e permeabilidade, o que, para Júlio, é “um solução simples que pode resolver dois problemas urbanos”. Por fim, citam como bom exemplo de iniciativa pública o projeto “Reserva hídrica do futuro”, feito em áreas marginalizadas, como aterros, e que passam a ser extremamente importantes para a contenção de cheias e como fontes de água alternativas. #CMCPodcasts, #Verdequecombinacomagente, #RiosDeCuritiba, #SecretariaMunicipalDoMeioAmbiente, #Sanepar, #RioBelém, #Curitiba, #CâmaraDeCuritiba, #VcNaCMC