Coemergência | Podcast

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Coemergência | Podcast episodes

  • #77 Irmãos na Comunidade Amada: Thich Nhat Hanh e Martin Luther King (com Marc Andrus)
    Martin Luther King e Thich Nhat Hanh são duas importantes figuras na promoção da transformação social por meios não-violentos. O primeiro atuou no movimento dos direitos civis nos Estados Unidos; o segundo se opôs à Guerra do Vietnã, fundou a Escola de Jovens para o Serviço Social e promoveu o budismo engajado durante décadas. O encontro deles é superficialmente conhecido nos meios budistas, mas a profundidade dessa conexão foi menos explorada até o momento. Marc Andrus, bispo anglicano da Diocese Episcopal da Califórnia intensamente engajado em questões de justiça social e climática, nos fornece um livro que modifica esse cenário: trata-se de Brothers in the Beloved Community: The Friendship of Thich Nhat Hanh and Martin Luther King, Jr. (Irmãos da Comunidade Amada: A Amizade de Thich Nhat Hanh e Martin Luther King Jr.). No livro, Andrus leva a sério duas afirmações feitas por Thich Nhat Hanh em 2014: a de, quando soube do assassinato de Luther King, ter feito o voto de continuar construindo a "Comunidade Amada" aspirada por King; e a de sempre ter sentido o seu apoio. O livro reflete sobre e elucida a natureza destas afirmações. O resultado é uma bela meditação sobre como e por que nutrir a "Comunidade Amada". Foi esse o tema da entrevista com o bispo Marc. E a falta de comunidade, sobretudo comunidades unidas pelo laço do amor, tanto na vida cotidiana quanto na capacidade dos nossos sistemas de pensamento de reconhecer interdependência, não está na raiz de tantos problemas da contemporaneidade?
    1 hr 7 min
  • Interser #11 História e filosofia da desobediência civil (com Eraldo Souza dos Santos)
    Seres de todos os reinos, Seguindo a nossa exploração da intersecção entre os mundos ditos interno e externo, a presente conversa explora uma importante tradição de transformação social que trabalha nos dois polos, e com a qual temos muito a aprender: a da desobediência civil. O entrevistado da vez foi Eraldo Souza dos Santos, que é filósofo e historiador do pensamento político. Atualmente ele está concluindo doutorado na Panthéon-Sorbonne, com uma pesquisa precisamente sobre desobediência civil, e já pesquisou e ensinou em várias universidades europeias; ele também vai publicar em breve um livro sobre a abordagem de Hannah Arendt sobre o tema. O Eraldo explorou episódios importantes da história e da filosofia do conceito, bem como sua intersecção com temas como a função das narrativas, o papel da mídia, da polícia, da presença ou ausência de um horizonte de reconciliação. Eu gostaria de destacar também como, em diversos momentos, o Eraldo também desenvolveu reflexões que me parecem particularmente importantes sobre o quão centrada no estado e nas instituições liberais contemporâneas tem sido nossa imaginação. Dois recados rápidos: seguimos fazendo o grupo de estudos que, neste momento, trata de transformação social da perspectiva da não-violência e da formação da "Comunidade Amada". Estamos lendo A Dádiva do Amor, de Martin Luther King, e Paz é Cada Passo, de Thich Nhat Hanh. E se você quer nos apoiar, estamos no apoia.se/coemergencia. Cogite também divulgar nossos episódios em suas redes, caso eles te toquem ou pareçam benéficos de alguma maneira. Um grande abraço e ótima conversa!
    1 hr 54 min
  • #76 Crescendo Zen (com Rachel Melo)
    Seres de todos os reinos, Vocês que nos ouvem provavelmente têm, ou tentam ter, algum trabalho interno de familiarização com a própria consciência e com as emoções, de reconhecimento da interdependência, de abertura do coração. E se é o caso, em algum momento você com certeza já pensou que muito sofrimento teria sido evitado se você tivesse tido acesso a algum referencial de como fazer esse trabalho algumas décadas antes. Quantas vezes espera-se que as crianças lidem com suas emoções de maneiras que nem os adultos conseguem lidar, mas sem de fato apoiá-las no processo? Ou quantas vezes, nas escolas, é pedido às crianças e adolescentes que prestem atenção, sem que ensinemos métodos e referenciais sobre como realmente cultivar essa habilidade? Pois bem, a nossa convidada de hoje, Rachel Melo, criou e tem executado o Crescendo Zen, um projeto que nos dá esperança de que as próximas gerações cresçam equipadas com ferramentas para lidar com suas mentes e suas emoções; para serem pessoas que escutam, que buscam entender, que respeitam. Pessoas que, enfim, sabem regar e ter regadas, em si e em todas as demais, as sementes de felicidade, sabedoria, amor e compaixão que têm já presentes em si. Espero não apenas que você ache a conversa interessante, mas inspiradora. Que projetos como os da Rachel e outros semelhantes, nessa área e em muitas outras, possam se manifestar em cada canto da nossa rede de vida interdependente, e contribuam para melhorias muito profundas na vida de todos os seres. É inteiramente possível! O presente episódio conta com a participação especial da querida Izabelle Lopes. Dois recadinhos rápidos: a segunda rodada do Grupo de Estudos sobre os Mundos segue rolando, com a leitura conjunta de A Dádiva do Amor, de Martin Luther King, e Paz é Cada Passo, de Thich Nhat Hanh. É sempre uma alegria a gente se juntar e contemplar juntos textos tão profundos! Mais informações no link da bio do nosso instagram. E se você quiser apoiar nosso podcast, estamos em apoia.se/coemergencia. O apoio é muito bem vindo! Um grande abraço para todo mundo!
    1 hr 50 min
  • Mudita #2 (com Caroline Bertolino)
    Seres de todos os reinos, A coluna Mudita é um convite a exercitarmos uma comunicação mais consciente em nossas vidas individuais e coletivas. É certamente correto que precisamos falar sobre o sofrimento, preferencialmente de maneiras que nos ajudem a ultrapassá-lo. Mas é também importante seguirmos uma direção afirmativa, positiva, propositiva, e falarmos daquilo que desejamos nutrir no mundo. A convidada pra essa rodada de fala apreciativa é a psicóloga Caroline Bertolino, especialista em autocompaixão. Quer saber o que ela tinha a dividir? É só dar o play e vir se alegrar com a gente!
    19 min
  • #75 O poder da bondade (com Lama Jigme Lhawang)
    Seres de todos os reinos, somos o Coemergência, seu podcast sazonal, e estamos de volta para dividir com vocês uma gravação recente que adoramos fazer. Tivemos a alegria de conversar com Lama Jigme Lhawang, professor brasileiro do Dharma, ordenado pela linhagem Drukpa, e que está envolvido em uma série de iniciativas que admiramos. Entre elas, é o idealizador do Instituto de Ciências Contemplativas do Brasil, por meio do qual oferece o programa Kindfulness. O Lama Lhawang falou bastante sobre essas iniciativas com a gente, além de contar um pouco mais sobre o podcast que iniciou em 2022 para falar sobre temas sensíveis não estamos tão acostumados a ouvir de professores budistas.
    1 hr 42 min
  • #74 Cuidado, silêncios e outros temas de literatura (com Fernanda Sousa)
    Seres de todos os reinos, O Coemergência #74 se situa em várias travessias: entre a fala e o silêncio, entre a experiência e a linguagem, entre as violências estruturais e a agência de pessoas que anseiam, sonham, criam. Esses são alguns dos aspectos das belíssimas reflexões trazidas pela pesquisadora Fernanda Sousa. Ela tem investigado a literatura, e especificamente os diários, de Carolina Maria de Jesus e Lima Barreto, "à luz de uma tradição literária e musical afrodiaspórica" em seu doutorado no Programa de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo. A Fernanda, dentre outras coisas, também publicou várias resenhas na Folha de São Paulo, traduziu intelectuais da diáspora negra e escreveu o posfácio de Perder a Mãe: uma jornada pela rota atlântica da escravidão, a edição brasileira de Lose Your Mother, de Saidiya Hartman, publicada pela Bazar do Tempo. Para além do interesse que poderíamos ter mais específico por literatura ou pelo diário desses autores, é muito digno de nota o quanto aspectos da sociedade brasileira, e da história dessa sociedade tão estruturada pelo racismo, se permite ver nesse microcosmos. Mas textos e pessoas nunca são apenas um reflexo das estruturas. Ao abordar os diários e sua autoria, a Fernanda nos convida também a reflexões éticas: o que seria ler com uma ética do cuidado? Como os silêncios, mas também os silenciamentos, se manifestam na literatura? Se eu a entendo corretamente, parece que um ponto relevante é o respeito à complexidade das pessoas e suas experiências, que nunca podem ser inteiramente capturadas na linguagem, nem tornadas superficiais em vez de profundas. São pessoas que, por exemplo, resistem, mas que também fazem muito mais que resistência.
    1 hr 33 min
  • #73 Experiências sensoriais como saída para corpos esgotados (com Danilo Patzdorf)
    Seres de todos os reinos, estamos de volta com mais um episódio do Coemergência. Desta vez para tratar de um tema urgente e pouco discutido: a crise da sensibilidade e seus efeitos nas nossas vidas. Convidamos para nosso papo o artista, educador e pesquisador do corpo Danilo Patzdorf (@danilopatzdorf). Danilo é uma daquelas pessoas raras que entra com corpo-alma-mente em investigações teórico-práticas motivadas pelo desejo de entender as causas do nosso sofrimento. Este ano ele defendeu a tese “A somatopolítica neoliberal e a crise da sensibilidade do corpo ocidental“, em arte-educação, na ECA/USP. Se ficou difícil de entender, não se preocupe. Danilo foi super generoso e explicou tudo pra gente! Sua hipótese é que sofremos em grande medida por conta do distanciamento com nossa dimensão estética, sensível e sensorial, o que fragiliza nossa capacidade de perceber e enfrentar aquilo que nos tira energia e que nos impede de dar sentido à existência. O papo foi muito provocante. Esperamos que apreciem tanto quanto apreciamos.
    1 hr 43 min
  • Interser #10 | Políticas Públicas Solidárias (com Lorena Barberia)
    Seres de todos os reinos, Muitas vezes nesse podcast falamos, e com razão, sobre como não basta tratarmos apenas da dimensão individual de nosso bem-estar e sofrimento; afinal, existimos de maneira interdependente. Mas pode ser muito importante concretizarmos um pouco mais essa afirmação. Em nossos sociedades contemporâneas, o que significa pensar também sobre as dimensões sistêmicas de nossas vidas? Certamente o tema das políticas públicas é de grande importância. Tendo isso em mente, a coluna Interser teve a honra de receber Lorena Barberia, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora científica da Rede de Pesquisa Solidária em Políticas Públicas e Sociedade, dentre muitas outras coisas. A professora Lorena falou detalhadamente sobre o tema da pandemia, uma área que deixa particularmente clara a insuficiência de abordagens meramente individuais para problemas coletivos, bem como do combate à fome no Brasil e questões mais amplas sobre saúde pública. Para quem quiser nos apoiar, estamos em apoia.se/coemergencia. Cada apoio faz muita diferença! Que nosso voto amanhã reflita nosso compromisso mais profundo com a teia de seres vivos. Que seja um passo rumo a um mundo sem fome, sem exploração, se destruição da natureza, sem genocídio indígena e do povo negro, sem violências de raça e gênero. Nada disso se resolve inteiramente nas urnas, nem perto disso, mas a construção é facilitada ou enormemente impossibilitada por meio delas.
    2 hr
  • #72 Meditação na Quebrada (com Flavia Kolchraiber, Thais Aparecida e Wender de Campos)
    Durante um evento em São Paulo, o nosso amigo Valentin Conde, que já foi entrevistado por aqui, nos apresentou a Flavia Kolchraiber. Ele contou que a Flavia está fazendo um trabalho lindo com meditação e práticas contemplativas em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, e achou que seria legal um programa com ela no Coemergência. Nós achamos também, muito. E depois de uma breve conversa, achamos que uma outra boa ideia seria trazer com ela dois jovens que estão participando dessas iniciativas lá em Parelheiros. E assim foi. A Thais Aparecida e o Wender Gomes de Campos toparam nosso convite e deixaram essa conversa muitíssimo mais rica, falando sobre como tem sido esse processo a partir de suas próprias experiências. Essa edição foi tão importante pra gente porque é um tema sempre presente nas nossas reflexões. A ausência de diversidade nos ambientes ligados à meditação e às práticas contemplativas no Brasil é clara, notória e algo que sempre nos gerou incômodos e questionamentos. Ainda que essas barreiras não estejam colocadas de maneira explícita, parece que as práticas de meditação e os ensinamentos associados a elas não são pra todo mundo. Afinal, quando olhamos pras pessoas interessadas ou que integram esses grupos, o cenário é sempre um pouco parecido. Pessoas brancas, de classes sociais privilegiadas e com alta escolarização. As excessões sempre existiram também, é claro, mas a paisagem geral soa pouco convidativa para quem não se enxerga representado por esses esteriótipos. Chacoalhar essa realidade é urgente, e iniciativas como a da Flavia podem nos oferecer um horizonte pra isso. Nossa aspiração é de que esse episódio possa ajudar a inspirar esse movimento.
    1 hr 54 min
  • #71 Tem algo errado comigo
    Tudo que percebemos como inadequação só pode existir à luz de uma norma do que seja o adequado. E há áreas da vida em que, de fato, precisamos de referenciais: na ética, por exemplo, referenciais lúcidos e maleáveis, acompanhados da atenção às situações em sua concretude, são muito úteis, e sua ausência pode ser perigosa. Mas a comparação da nossa experiência com uma “segunda coisa” pode também nos colocar em luta contra a vida como ela é, nesse momento, e produzir um senso de inadequação e de insuficiência muito injusto para seres com tanto a oferecer ao mundo, como todos, sem exceção, somos. O episódio #71 apresenta a primeira de duas partes de uma conversa sobre o cultivo da atitude de “aceitação radical” em relação à nossa experiência, exemplificada nos domínios do corpo, das sensações, da mente e dos fenômenos. Há muito o que explorar no assunto, desde a distinção entre aceitação e passividade até as dificuldades e potencialidades de uma maior abertura à vida, e é evidente que mal arranhamos a superfície. Mas como a honestidade com nós mesmos e uns com os outros é a base de bons relacionamentos, mesmo essa abordagem exploratória pode render alguns bons frutos. Onde quer que você esteja, qualquer que seja a sua experiência agora, que esse papo possa ser uma boa companhia para você!
    1 hr 13 min

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A proposta do Coemergência é explorar temas importantes da nossa sociedade e da vida cotidiana, sempre à luz da relação entre os nossos mundos interno e externo. Partimos do princípio de que a maneira…