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Duas observações básicas é preciso ainda fazer, sobre tais propostas e acomodações: a primeira, é mais do que óbvia, ou seja, as concessões que nos oferecem têm elevado preço, por mais inocentes que se apresentem, à primeira vista. Além do mais, nada impede que desfaçam o trato, a qualquer tempo, quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. A cobrança virá, então, sobre aquele que concordou com o trato e que, de suposto aliado, passa a vítima inerme de sua própria tolice.
Nem sempre, porém, essas bravatas e ameaças terminam assim, amistosamente, num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes, mas continuam a estimar-se e respeitar-se.
Usualmente, o rancor está firme atrás delas, e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo, sob variadas formas: pequenos incidentes na vida diária, malentendidos entre familiares, doenças inesperadas, aflições maiores.
Calma, paciência, tolerância. Não altere a voz, não se deixe irritar, não reaja da maneira que ele espera, pois assim não conseguirá ajudá-lo.
Resista, mas resista mesmo, ao impulso de “responder-lhe à altura”, mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. Se o tem mesmo, tanto melhor. Use o com a mesma voz tranquila e serena. É muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas, quando somente uma grita, O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária, que cai num vazio, que o aturde e o traz à razão.
Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar espíritos endividados. É claro que também somos endividados, talvez tanto quanto eles, ou até mais. Precisamos, no entanto, mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa, lutando, enfrentando os nossos espectros interiores, as censuras da consciência, as cutiladas do remorso, conscientes de que o nosso erro está presente em nós, e não podemos voltar sobre nossos passos, para desfazê-lo.
Podemos, no entanto, e devemos, e temos que reconhecer, a força da sua presença em nós. Sem essa abertura corajosa, não dá sequer para começar. E, como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo.
Acesse o programa Mediunidade e Obsessão pela Rádio Rio de Janeiro 1400 KHz AM diretamente por este link.
Participe do programa enviando sua mensagem ou pergunta através do e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp da Rádio aos cuidados de Moisés Santos.
Certa noite, devido à ausência de grande número de companheiros, a sessão alcançou um clima de maior intimidade, o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições interiores, para falar-nos de maneira inusitada, revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento, experiência, enfim, uma respeitável bagagem espiritual, dosada e sustentada pela sua aflorante emotividade. Pelo que depreendemos, tivera um passado de brilho e destaque, aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual, tão dificilmente conquistada, e recair nos velhos processos da vaidade. Mas, graças a Deus, estava curado o querido companheiro.
Não se assuste, não se apavore, não tema e, sobretudo, não deixe de comparecer ao trabalho, por causa dessas dissonâncias psicofísicas, pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados, ou seja, afastá-lo do trabalho.
Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que, embora não dotados de mediunidade ostensiva, sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutrinador, tenha ou não mediunidade ostensiva. O cerco em torno dele é permanente, tenaz, implacável, impiedoso, porque acham, os companheiros desencarnados doentes, que o neutralizando, acabam com o grupo, o que, muitas vezes, infelizmente, é verdadeiro.
Dissemos alhures, neste livro, que cada manifestação é diferente. Nunca sabemos, ao certo, as intenções do Espírito que se aproxima, que problemas nos traz, quais são suas características, qual a razão de sua presença entre nós. Além do mais, a própria mediunidade não é um instrumento de precisão, como um microscópio ou um relógio, que funcione, repetidamente, de maneira previsível e controlável. O médium é um ser humano ultrasensível, de psicologia complexa, incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado, mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação, como um telefone ou um rádio, muito embora se fale em sintonia e em vibrações, quando a ele nos referimos.
São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. Quando conseguimos colher, em nosso afeto, um desses poderosos companheiros extraviados, há uma verdadeira celeuma na retaguarda. Podemos contar, logo, com manifestações de indignados e agressivos assessores seus, que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço, ou que o arrasam, com a sua decepcionada hostilidade. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas, sentiu todo o peso de sua responsabilidade, ante aqueles Espíritos que levara ao transviamento.
Muito temos falado, aqui, sobre as organizações do submundo da dor e do desespero. Tentemos estudá-las mais de perto. É claro que jamais nos trouxeram, nossos irmãos desarvorados, os esquemas e organogramas de suas instituições, mas, de tanto ouvi-los falar delas, creio possível montar, com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”, um quadro inteligível desse tenebroso painel de desespero e aflição.
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