21 de janeiro
UM RITUAL MATINAL
Pergunta a ti mesmo o seguinte, antes de mais nada, todas as manhãs:
O que me falta para estar livre da paixão?
E quanto à tranquilidade?
O que sou? Um mero corpo, um proprietário, ou uma reputação? Nenhuma d
O quê, então? Um ser racional.
O que é exigido de mim? Que medites sobre tuas ações.
Como me desviei da serenidade?
O que fiz de hostil, antissocial ou desatencioso?
O que deixei de fazer em todos esses casos?
EPICTETO, DISCURSOS, 4.6.34-35
Muitas pessoas bem-sucedidas têm seu ritual matinal. Para algumas, é meditar. Para
outras, é se exercitar. Para muitas, é escrever num diário: apenas algumas páginas em que
elas registram seus pensamentos, medos, esperanças. Nesses casos, o que interessa não é
tanto a atividade em si, mas o ritual da reflexão. A ideia é dedicar um tempo para olhar
dentro de si mesmo e examinar-se.
Tirar esse tempo é o que os estoicos defendiam mais do que qualquer outra coisa. Não
sabemos se Marco Aurélio escrevia suas Meditações de manhã ou à noite, mas sabemos
que ele arranjava seus momentos de tranquilidade solitária — e que ele escrevia para si
mesmo, não para alguém. Se você está procurando um lugar para começar o próprio ritual,
não pode fazer melhor que o exemplo de Marco Aurélio e a lista de perguntas de Epicteto.
Todos os dias, a partir de hoje, faça essas perguntas difíceis a si mesmo. Deixe a filosofia
e o trabalho árduo guiarem-no para respostas melhores, uma manhã de cada vez, ao longo
de uma vida.