No acumulado de 12 meses, chegou a 9,68%, com várias cidades já registrando inflação de 2 dígitos, como Fortaleza e Curitiba. A pressão inflacionária vai aumentar?
No mês de setembro de 2020, o IPCA ficou em 0,64%. Nos 3 meses seguintes, ficou em patamares ainda maiores, com dezembro fechando o ano de 2020 com um IPCA de 1,35%. A partir de setembro, o IPCA deve se estabilizar nesse patamar elevado. O problema é baixá-lo.
Os combustíveis, principalmente a gasolina, têm sido os vilões ao longo desse ano. Em agosto, a gasolina, sozinha, foi responsável por um aumento de 0,17 p.p. do índice, por conta de seu reajuste de 2,80% no mês. Em 8 meses, a gasolina sofreu reajustes em 7 deles.
Os alimentos têm sofrido influência de diversos fatores. As commodities internacionais têm se valorizado com o excesso de estímulos monetários dos EUA e demais países. A oferta tem se complicado aqui dentro do país com a crise hídrica deste ano, que ameaça a safra.
A crise hídrica também traz um componente preocupante no custo da energia elétrica, que até diminuiu o seu ritmo de crescimento no mês de agosto em relação a julho, mas que vai voltar a preocupar no mês de setembro, com o reajuste da bandeira vermelha.
O que deveria estar ajudando a conter os preços dos itens importados ou que usam insumos importados, o câmbio, que deveria estar abaixo de R$5,00, está sendo pressionado por questões políticas e fiscais. Gasolina e commodities terminam ficando mais caros por conta disso.
As paralisações dos caminhoneiros podem ainda ser mais um fator para complicar o IPCA no mês de setembro. Na última vez que aconteceu, durante 10 dias entre maio e junho de 2018, o IPCA teve um pico fora do comum, puxado principalmente pelos combustíveis, devido à sua escassez.
Só resta ao Banco Central continuar elevando a SELIC, sua única ferramenta disponível, para conter a inflação e, principalmente, sua inércia. Infelizmente, a recuperação econômica de 2021 pode ser comprometida e, com certeza, 2022 terá um ritmo de crescimento ainda menor.