O IBGE divulgou que o IPCA do mês de maio subiu 0,83%, maior elevação em 25 anos. Em 12 meses, a alta acumulada é de 8,06% e de 3,22% no ano.
As explicações para essa elevação não estão ligadas à demanda. Diante de um cenário de desemprego e queda de renda, a cesta de preços do setor de serviços sofreu deflação no período, mostrando que não há pressão pelo lado da demanda.
A maior pressão inflacionária está do lado da oferta, com a energia elétrica tendo alta de 5,37% no mês de maio, que correspondeu diretamente por 0,23 p.p. no cálculo do IPCA. A condição climática causada pelo La Niña em que apresenta diminuição do volume de chuvas nas regiões de hidroelétricas do País tem contribuído para a alteração de bandeiras tarifárias do setor.
Os preços das commodities agrícolas seguem pressionados no mercado internacional, elevando o preço da carne, soja e outros itens. As commodities minerais também estão com seus preços pressionados, principalmente a gasolina, o etanol, o diesel, o gás de cozinha e os minérios.
Estes fatores não são diretamente influenciados por elevações da SELIC, mas o câmbio sim. Com o Real se valorizando, talvez esses preços em Reais venham a cair, ajudando a inflação para que venha ficar dentro da meta, de 5,25%