O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) optou por reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14% ao ano, sinalizando que o cenário externo ainda permanece incerto por conta da indefinição do conflito no Oriente Médio e da incerteza da política monetária em países avançados, principalmente nos EUA. No ambiente interno, ressaltou que os indicadores econômicos apresentaram uma moderação gradual da atividade econômica, com sinais mistos entre setores, embora com mercado de trabalho ainda aquecido.
A inflação apresentou desaceleração recente, mas ainda acima do teto da meta, com expectativas para 2026 e 2027 permanecendo acima da meta, segundo o Boletim Focus, em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Tal situação ainda demanda uma política monetária contracionista, observando os desenvolvimentos da política fiscal e seus impactos na política monetária.
Quanto aos fatores de risco inflacionários, destacou:
(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia;
(ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;
(iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e
(iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.
Em relação aos fatores de risco de baixa:
(i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
(ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e
(iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
A decisão veio alinhada com as expectativas do mercado, que ainda projeta uma nova queda da Selic para 13,75%, mantendo-se assim até o final do ano. O comentário final do Copom numa decisão unânime pela redução dos juros ainda foi de que: O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
Você acha que o Copom agiu corretamente, mesmo com todas essas explicações?