O autoembargo faz parte de um acordo bilateral firmado entre o Brasil e a China desde 2015 e poderá impactar vários mercados de proteína.
O governo brasileiro suspendeu as exportações de carne bovina para a China após a confirmação de um caso de Mal da Vaca Louca. A doença é causada por um príon, uma molécula de proteína sem código genético, que consome o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja.
O animal diagnosticado com a doença tinha 9 anos e estava em uma pequena propriedade em Marabá, no Pará. De acordo com o Ministério da Agricultura, a doença provavelmente é atípica, não havendo risco para a população, uma vez que os casos atípicos não são transmissíveis.
O Brasil segue um protocolo de 2015 assinado pelos 2 países para suspender temporariamente as vendas quando ocorrem novos casos da doença. O Brasil não possui capacidade laboratorial para determinar a tipologia da doença, tendo que aguardar a contraprova realizada no Canadá.
No ano passado, o Brasil enfrentou suspensão nas exportações de carne bovina para a China por mais de 100 dias devido à comunicação de 2 casos atípicos em MT e MG. As autoridades chinesas só liberaram as exportações meses depois da análise, pois tinham estoques elevados.
A suspensão, se demorada, pode trazer impactos em vários mercados de proteínas animal e vegetal. O preço da carne bovina pode cair, puxando os preços da carne de frango e suína juntos. Os insumos necessários para a produção dos animais, como soja e milho, também sofrem.
Por um lado, no curto prazo, isso pode ajudar a conter a inflação brasileira, mas, por outro lado, pode fazer com que o desempenho do agronegócio seja abaixo do esperado para o ano de 2023. Quanto antes o caso for diagnosticado e as exportações liberadas, melhor.