Em 2022, o crescimento surpreendeu as expectativas do início do ano, que eram de crescimento abaixo de 0,5%, e deve crescer acima de 3%. Entenda o que causa essa previsão para 2023 e suas consequências.
O setor de Serviços fez a grande diferença no ano de 2022, último a se recuperar do baque que sofreu com a pandemia, surpreendendo aqueles que não acompanham de perto o desempenho da economia brasileira, puxando os demais setores, indústria e agropecuária, junto.
Mas 2023 não vai ter o setor de Serviços puxando o PIB. Além disso, os juros foram elevados na economia brasileira ao longo das inúmeras reuniões do COPOM/BC, desacelerando o consumo e os investimentos para combater o maior dos males, a inflação que ressurgiu com força.
Esse movimento, inquestionavelmente prudente, também foi tomado pelos bancos centrais dos demais países para conter o mesmo mal que os tem atingido. A consequência foi a desaceleração das economias mundiais, com previsão de crescimento menor em 2023 (2,7%) que em 2022 (3,2%).
Então, o cenário será mais difícil para o Brasil em 2023 por conta da queda no consumo mundial de commodities, que já vem derrubando os preços do petróleo, carnes, grãos etc. impactando o agronegócio exportador brasileiro. O que se repete com os produtos industrializados.
No cenário interno, o consumo também terá queda, pois o custo dos financiamentos de eletrodomésticos, veículos, casas, ficou mais alto, freando o consumo. Os investimentos também tendem a diminuir porque o custo do capital ficou alto e por conta do risco da política fiscal.
A política fiscal poderia ajudar um país em estagnação, mas somente de forma temporária. No caso brasileiro, o aumento de gastos pode mais atrapalhar que ajudar, se causar retorno de inflação para a economia. Caso isso aconteça, os juros tendem a ficar altos por mais tempo.
Os gastos ajudam no aumento do consumo que tiram a economia da situação de estagnação, mas se for acompanhada de inflação, os juros permanecerão altos e o país pode mudar de uma situação de estagnação de crescimento para de estagflação, com crescimento baixo e inflação.
Para evitar o baixo crescimento é importante a manutenção de um ambiente de reformas na economia. A Reforma Tributária e um arcabouço de responsabilidade fiscal, por exemplo, precisam ser aprovados, trazendo competividade, estabilidade e crescimento sustentável ao país.