Educando Seu Bolso

Educando Seu Bolso

By Frederico TorresBusinessInvesting
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Educando Seu Bolso episodes

  • Maus hábitos que atrapalham suas finanças
    O economista Frederico Torres lista no quadro Educando Seu Bolso no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência 880 AM, quais são os erros mais comuns que atrapalham a estabilidade financeira dos brasileiros. Ouça aqui:
    23 min
  • Os hábitos que não fazem o monge

    Quem não tem um ou outro hábito inapropriado na vida que atire a primeira pedra. Cada um de nós tem lá os seus, com os quais convive – e de certa forma sofre – regularmente. Tá viciadinho no Candy Crush? Não consegue ficar mais de meia hora sem dar uma sapeada nas redes sociais pra ver o que tá acontecendo? Não consegue parar de roer unha? Não se culpe, isso acontece nas melhores famílias. De todos esses maus hábitos cotidianos, há uma parte deles que é relacionada com o modo como lidamos com nosso dinheiro, e é sobre eles que quero falar hoje. Pra facilitar, fiz uma listinha de alguns daqueles que deveríamos evitar quando se trata de cuidar do nosso bolso:

    1. Comprar lanches todos os dias no trabalho/escola

    É claro que usar a lanchonete do trabalho/escola é bem mais fácil do que fazer a matula diariamente com frutas, iogurtes, sanduichinhos. Não menos óbvio, é mais gostoso comer o pão de queijo recém-saído do forno da lanchonete do que a maçã ou o iogurte desnatado que você trouxe de casa. Afora as questões nutricionais, sobre as quais não vou entrar no mérito, é muito mais cômodo – e potencialmente mais gostoso – comprar o lanche ao invés de levá-lo de casa.

    Um exemplo: um pão de queijo e um suco de laranja pequeno saem por uns R$6,00 na lanchonete daqui do trabalho. Uma fruta e dois ou três biscoitos trazidos de casa cumprem o mesmo objetivo nutricional e saem por um terço do preço, se muito. Convenhamos, usar a lanchonete vez ou outra não vai abrir um fosso no seu bolso. Mas fazer disso uma prática comum pode sim atrapalhar suas finanças (já falamos aqui o quanto tem sido caro lanchar fora de casa). Então podemos combinar que essa visita à lanchonete vai ser bem de vez em quando?

    2. Evitar de obter a oferta de serviços que case com sua necessidade

    Pagar suas contas de serviços em dia é um ótimo hábito, mas pagar mais do que deveria definitivamente não é. Muita gente possui pacotes de TV a cabo ou internet que oferecem muito mais do que se realmente consome (também já falamos sobre isso aqui). Se você trabalha o dia todo, chega em casa cansado e, quando tem vontade de assistir a um filme, dorme no meio dele, pra quê canais de cinema à vontade? Paga caro pelo pacote do Brasileirão, mas mal mal consegue ver o jogo do seu time? Que tal revisar seu consumo e encontrar um pacote que realmente se adeque às suas necessidades? Aposto que você conseguirá encolher um pouco seus gastos fazendo esse pequeno esforço.

    3. Tratar todas as dívidas igualmente

    Se você está pendurado em dívidas, pare, respire e analise: quais dessas dívidas são as mais caras? Quais delas você paga mais juros? Coloque todas as dívidas enfileiradas e fique livre das mais caras primeiro. Não dá pra achar que todas têm a mesma ordem de prioridade de pagamento: primeiro, as primeiras coisas! Estabelecer prioridades é um bom começo pra sair do buraco das dívidas, nem que você precise ir lá tomar um café com seu gerente pra ver um jeito de renegociar essas dívidas e diminuir suas prestações. Em ordem decrescente de custo, comece limando o cartão de crédito rotativo e o cheque especial, as modalidades campeãs de juros desde sempre. Depois, liquide as faturas do cartão de crédito parcelado com juros e, por fim, do crédito pessoal não consignado. Se você conseguir ficar livre dessas quatro modalidades, já sentirá um alívio enorme!

    4. Pular de cabeça no rotativo do cartão de crédito

    A dica de cima tem tudo a ver com essa: o rotativo do cartão de crédito é uma das armadilhas mais perigosas em que você pode entrar: é muito fácil cair nela e muito difícil sair dela! Um pecado mortal digno de excomunhão. Os juros dessa modalidade de crédito são os mais caros do planeta (falamos disso no rádio nesta semana, ouça aqui). A saída é parecida com a dica 3: renegocie, tome um crédito pessoal para refinanciar essa conta (se possível um consignado). E tranque a carteira nos meses seguintes pra reduzir seus gastos e dar conta de pagar essa dívida, sem perder de vista que rotativo, nunca mais!

    5. Gastar por conta nas férias

    Férias são para serem bem aproveitadas, porque afinal todo mundo merece um bom descanso depois de um ano inteiro de trabalho ou estudo. Mas aproveitar bastante não significa gastar os tubos e ficar apertado o resto do ano. Na medida do possível, pesquise quais as épocas de alta temporada e evite viajar nesses períodos. Procure alternativas mais baratas de hospedagem. Há várias pousadas que são bem honestas e bem mais em conta que os hotéis tradicionais (já falamos disso aqui). E mais: em tempos de dólar nas alturas, se você evitar ir pro exterior, seu bolso agradecerá. O Brasil tem inúmeras oportunidades para você desfrutar de suas férias sem cometer um atentado ao seu bolso.

    6. Deixar sua poupança por último na fila dos gastos mensais

    É muito comum pagar todas as suas obrigações mensais primeiro para só depois ver o quanto sobrou e guardar o seu dinheiro (já falamos disso aqui). Ora, a sua poupança também é uma obrigação, sua para com você mesmo. Então, faça suas contas, seu orçamento e veja o quanto acha que consegue poupar todo mês. E faça isso logo que receber seu salário; não espere até o final do mês, pois gastos extras vão aparecer do nada e você, sem perceber, acabará deixando de cumprir essa sua obrigação mensal tão importante.

    7. Se esquecer de reajustar as contribuições para a aposentadoria

    Para aqueles que contribuem periodicamente para um plano de previdência, é muito comum definir um valor mensal no início e se esquecer de reajustá-lo com o tempo. Aumentos de renda costumam vir desacompanhados de aumento das contribuições. De vez em quando, uma vez por ano que seja, lembre-se de reavaliar suas contribuições para seu plano de previdência, pois você pode estar pagando proporcionalmente menos, o que reduzirá suas retiradas no futuro. Além disso, você deixa escapar o benefício tributário de contribuir até o limite de 12% da Renda Bruta Tributável. O ideal, neste caso, é fixar o percentual, e não o valor absoluto.

    8. Sair pra jantar comprometendo seu orçamento

    Muita gente tem o hábito de botar o papo em dia com os amigos que não vê há tempos – e mesmo aqueles que são vistos com mais frequência – num jantar fora de casa. A comida fora de casa está bem salgada ultimamente, não é? Então, por que você não opta por sair pra tomar um café? Melhor ainda: compre as bebidas de preferência da sua turma, convide-a para ir à sua casa e levar os belisquetes. Fica mais em conta para todos, evita o sobrepreço de comer em restaurantes nestes tempos bicudos e sobretudo atende ao mais importante: atualizar o papo.

    9. Pagar o preço de compras de última hora de datas comemorativas

    Maio e dezembro vêm sempre na mesma época, ano após ano. Muita gente deixa pra comprar os presentes na véspera do Dia das Mães ou do Natal, justamente quando eles estão mais caros. Evite aqueles ofertões de "tudo pela metade do dobro" que o comércio costuma oferecer nestas datas, aproveite os descontos ao longo de todo o ano pra comprá-los. Uma outra estratégia interessante é se planejar: faça uma lista dos presentes que você costumeiramente compra todo ano: de aniversário, Natal, bodas e outras datas especiais, tudo mesmo. Anote também o quanto você costuma gastar com cada presente. Além de permitir que você tenha uma ideia desse gasto – aposto que você vai se surpreender! –, ela lhe ajudará a se planejar, a guardar dinheiro na "entressafra" para usar naqueles meses em que seu orçamento de presentes costuma estourar.

    Faça uma reflexão: quais desses hábitos você não tem no seu cotidiano com seu dinheiro? De quais deles você consegue se livrar? Ao evitar boa parte desses hábitos indesejáveis, tenho certeza de que você conseguirá dar uma boa aliviada no seu orçamento. Nada mal, ainda mais neste cenário de chuvas e trovoadas, não?

    Conheça mais hábitos que atrapalham suas economias escutando nosso podcast:

    23 min
  • 5 maneiras de se educar/motivar a gastar menos

    Você sabe que, se você faz flexões abdominais suficientes e polichinelos, seu abdômen vai ficar mais forte e você vai perder um pouco de peso, não sabe?! Pois é, de acordo com especialistas em psicologia, a mente é apenas mais um músculo que funciona da mesma maneira. Ou seja, se você exercitar seu cérebro, fortalecerá a sua saúde financeira e pode perder um pouco dessa ansiedade relacionado ao dinheiro.

    Vejamos a seguir algumas dicas para tentar a ajudá-lo a usar o poder da sua mente financeiramente a seu favor, ou seja, para comprar menos e melhor, pagar suas dívidas e poupar mais.

    1. Distribua lembretes visuais de seus objetivos financeiros em pontos estratégicosEstá poupando para algo grande, como uma viagem de férias? Ou tentando ficar livre da sua dívida do cartão de crédito? Coloque um lembrete visual em lugares para os quais você olha bastante. Por exemplo, imprimir uma bela imagem de seu próximo destino de férias, e envolvê-la em torno de seu cartão de débito, ou mudar a foto de fundo no seu telefone celular.

    Se você é um grande comprador on-line, mas quer acabar com sua dívida de cartão de crédito, pode mudar a imagem de fundo na tela do seu computador para um grande zero, demonstrando visualmente o saldo atual (ou futuro – após a susposta compra) de sua conta corrente. Há psicólogos que dizem que isso ajuda a reduzir o entusiasmo emocional da compra e faz com que seja um processo deliberativo, cognitivo.

    2. Não desista das ferramentas de orçamento e aplicativos, mesmo quando eles fazem você se sentir malVocê baixou um dos vários aplicativos de controle de gastos ou ferramentas de orçamento. Parabéns. É uma sensação boa finalmente assumir o controle de suas finanças, certo? Sim – por um tempo. Não se surpreenda se você começar a se sentir deprimido quando começar a dar entrada das suas despesas no aplicativo e perceber através daqueles gráficos coloridos o quão longe seus gastos ficaram daquilo que você havia inicialmente previsto.

    É verdade: Essas ferramentas tornam mais simples e fácil acompanhar seu dinheiro. Mas o conhecimento pode ser doloroso. Em outras palavras, é desagradável saber que você não faz bem alguma coisa. No caso, controlar o seu dinheiro.

    Mas não desista, eu aconselho. É como exercício físico. No começo é doloroso, mas a partir de certo ponto você começa a apreciá-lo, ou pelo menos perceber que o desconforto vale a pena. Descobrir que você gasta muito dinheiro não é divertido, mas a dor que vem com enorme dívida de cartão de crédito é ainda pior, me acredite!

    3. Não compre upgradesOs varejistas oferecem upgrades para quase tudo hoje em dia. Mas na maioria dos casos, o upgrade não vale o custo. Pense bem, você está na fila daquela rede de fastfood e escolhe direitinho seu lanche. Na hora de pedir, o atendente te pergunta se você não quer aumentar o tamanho disto, daquilo e comprar mais aquilo outro. Mesmo que o valor lhe pareça ínfimo, o que adianta parecer barato, se você na verdade não precisa do item.

    Costumo dizer que se você comprar um elefante com 90% de desconto, ainda assim desperdiçou dinheiro (10%). Bom, a menos que você seja dono de um Zoológico, né?!

    4. Espere no mínimo 24 horas para comprar itens supérfluos Tem gente aqui neste blog que espera bem mais que isto, viu?! Mas… não vou dar nome aos bois não, pois como diz a minha avó, quando se conta o milagre não se deve revelar o santo. Hehe…

    Evite praticar a "compraterapia". Se você está passeando por um shopping sem rumo e está se sentindo mal com a sua carreira, por exemplo, quando bater o olho naquele smartphone novinho em folha, poderá pensar: "Isso vai me fazer feliz". Mas estudos mostram que a alegria que vem com uma nova compra geralmente desaparece. Infelizmente o que não desaparece junto são as dívidas destas compras.

    Mas e nas vezes que você precisa mesmo de um novo telefone ou de uma roupa nova? Então, quando é seguro fazer essas compras? Geralmente quando você levar pelo menos 24 horas para pensar sobre isso. Depois de 24 horas, você provavelmente não estará mais fazendo uma compra emocional. É mais provável que você realmente precise do item ou, no mínimo que o queira bastante.

    5. Ao fazer compras ou comer fora, se o total é de menos de R$ 100, use o dinheiroJá notou que mesmo quando você sabe que tem dinheiro na carteira, às vezes reluta quando está pagando uma conta usando as cédulas? Vira e mexe sou perguntado sobre isto e comento que há pesquisas que mostram que há dor em pagar com dinheiro. Você realmente entende do quanto está se despedindo (gastando) quando usa dinheiro em espécie. Com o plástico (cartão) infelizmente não temos a mesma experiência.

    É claro que você não deve levar um monte de dinheiro na carteira. Afinal de contas, as carteiras são por vezes perdidas ou roubadas, mas usar mais dinheiro vivo vai fazer bem pras suas finanças, vai por mim.

    E não precisa se privar para economizar, escute nosso podcast e saiba como gastar menos sem se privar:

    18 min
  • Juros de até 700% no cartão: como se proteger?
    O economista Frederico Torres  alerta os consumidores sobre as taxas de juros praticadas por diferentes operadoras de cartão de crédito. Como garantir que você não vai pagar taxas exorbitantes? Escute no nosso bate-papo no quadro Educando Seu Bolso no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência 880 AM. Edição do dia 30/03/2015.
    27 min
  • Estou endividado. E agora?
    No quadro Educando Seu Bolso dentro do programa Em Boa Companhia, da Inconfidência, o economista Frederico Torres dá dicas para quem está com a situação financeira no vermelho. Edição do dia 23/03/2015.
    22 min
  • Cooperativas de crédito
    "Uma mão Lava outra mão, lava uma mão Lava outra mão Lava uma" (Arnaldo Antunes, "Lavar as mãos")

    Você sabe o que são cooperativas de crédito? Já falamos sobre isso aqui no blog, em um podcast e em um texto, mas resolvi voltar ao tema. Cooperativas de crédito são instituições financeiras que, na prática, funcionam de forma muito semelhante aos bancos, sob o ponto de vista do usuário dos serviços. Mas têm umas diferenças importantes.

    Numa cooperativa, o usuário não se chama cliente, e sim cooperado. Isto porque, para tornar-se usuário dos serviços, é preciso filiar-se à instituição. Isto é, tornar-se dono do negócio. Então, ele investe uma pequena quantia – geralmente menos de R$ 100 – em cotas de capital, passa a ser um dos sócios e pode usar os serviços.

    Quais as vantagens disso? Algumas. Em primeiro lugar, as cooperativas – não só as de crédito – são instituições que não visam lucro, e, sim, a prestação de serviços aos seus cooperados. Vamos fazer uma comparação. Um banco é uma empresa, visa lucro e, por isso, vai tentar vender serviços pelo preço mais alto que conseguir e pagar pelas aplicações o rendimento mais baixo possível. O que limita a sanha dos bancos são a concorrência e a legislação, e não um interesse no bem estar do cliente.

    Já a cooperativa, em princípio, visa primeiro o bem estar do cooperado. Ela tende a procurar ter um lucro – que, aliás, no cooperativismo, chama-se sobra – suficiente apenas para se manter sustentável e segura. Além disso, caso a sobra seja volumosa, muitas cooperativas optam por distribui-la entre os cooperados.

    Outra diferença importante é que o cooperado participa das decisões quanto ao rumo da cooperativa, diretamente, ou por representantes que ele ajuda a eleger. Em muitos casos, a instituição atua em uma área geográfica reduzida, o que faz com que os benefícios da atuação fiquem na sua própria comunidade, e o cooperado tem participação direta nisso.

    Algumas alterações importantes têm ocorrido na legislação do setor. Uma novidade interessante é a recente criação do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito – FGCoop. Assim como o FGC, dos bancos, o FGCoop vai garantir os depósitos dos cooperados, em caso de falência da cooperativa. Isso vai dar ainda mais segurança para o segmento, e ajuda-lo a crescer e se fortalecer.

    A cooperativa à qual sou filiado não oferece conta corrente. Sendo assim, eu tenho uma conta em um banco comercial, para usar cheques, cartão de débito, transferências e outros serviços, e uso a cooperativa apenas para aplicações e empréstimos, que têm taxas bem melhores que as do meu banco.

    No Brasil, há mais de 1.000 cooperativas de crédito, que prestam seus serviços por meio de mais de 4000 postos de atendimento próprios e 3000 correspondentes. Estão presentes em praticamente metade dos municípios brasileiros. Existem cooperativas de vários perfis e portes, que prestam diferentes serviços e têm diferentes regulamentos. Algumas oferecem conta corrente, com talão de cheques, outras não. Algumas aceitam aplicações, outras não. E, importante, algumas são bem administradas, outras não.

    Eu sugiro ao leitor que procure saber se há cooperativas em sua cidade que possam recebê-lo como cooperado. Se houver, procure saber mais sobre elas, seus serviços, sua situação. Pode ser uma ótima opção para seus serviços financeiros. Se precisar de ajuda na pesquisa, fale conosco.

    Saiba mais sobre o assunto ouvindo nosso podcast:

    2 min
  • Imposto de renda: dicas para o contribuinte
    Saiba quando é melhor entregar sua declaração do imposto de renda à Receita Federal e outras dicas com o economista Frederico Torres, no quadro Educando Seu Bolso dentro do programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência 880 AM. Edição do dia 16/03/2015.
    27 min
  • Comprar parcelado ou poupar pra comprar?
    Qual caminho você segue quando precisa ou quer adquirir um bem? Analisamos as possibilidades na edição do dia 9 de março do quadro Educando Seu Bolso, com o economista Frederico Torres, dentro do programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência AM 880.
    24 min
  • Lei do "nome sujo" reduz crédito e afeta a sua vida financeira

    Em outras oportunidades, este blog já esclareceu como funciona o cadastro negativo e o cadastro positivo de clientes bancários e como isto pode melhorar a vida financeira de todos, ainda que os efeitos benéficos não tenham sido observados plenamente.

    Como se sabe, uma das maiores dificuldades do mercado bancário é distinguir os bons pagadores dos maus pagadores. Os cadastros tentam fazer isto. Separar os bons dos maus, de maneira que você, que sempre paga suas contas em dia, não assuma os custos do devedor relapso. Ou seja, se eu sou um bom pagador, os custos de crédito devem levar em consideração, sempre que possível, o meu histórico particular.

    Notícia recente, no entanto, dá conta que leis dos Estados de São Paulo e Mato Grosso, aprovadas em janeiro, criaram dificuldades para registrar como "sujo" o nome de um devedor. As leis estabeleceram que o devedor só fica com o "nome sujo" quando for notificado com uma carta com aviso de recebimento (AR), assinada por quem a recebeu. Antes, bastava a carta simples.

    É bem possível que, com essa nova exigência, muitos devedores consigam se esquivar do recebimento da carta. Alguns agindo até por má-fé! Estudos mostram que tais regras nessas regiões podem reduzir o crédito em até 17% para as famílias. Ao mesmo tempo, o crédito pode ficar mais caro em até 9 pontos percentuais. A consequência também é que as instituições financeiras irão ficar ainda mais conservadoras no crédito, em uma tentativa de se protegerem.¹

    E a surpresa é que os mais afetados seriam justamente os consumidores de menor renda, que possuem menos garantia para oferecer aos bancos. Como nesses estados os bancos teriam ainda mais dificuldade de registrar os maus devedores, fazendo a necessária separação entre os consumidores, os bons continuariam pagando pelos relapsos. Isto prejudica a vida financeira da maior parte da famílias.

    Não existe "economágica"! Aquilo que supostamente "protege" os consumidores prejudica um grupo muito maior de bons pagadores. Pense nisso!

    E aproveitando o assunto, você está com o nome sujo? Então quero te dizer que só depende de você a limpeza do seu nome na praça. Basta procurar a instituição para a qual você deve para renegociar o crédito.

    Antes disso, é necessário fazer as contas das despesas mensais, para saber o quanto sobra de dinheiro e qual o valor que poderá ser comprometido com a nova dívida. Identificada a quantia disponível, o consumidor deve negociar com o credor condições de pagamentos que se enquadrem na capacidade de pagamento. De nada adianta um bom acordo se a pessoa não conseguir honrar o compromisso assumido.

    Outra coisa. Pode ser que você nem precise sair de casa para recuperar o crédito. Pois é. Há ocasiões em que dá pra negociar as dívidas pela internet mesmo.

    É que, de tempos em tempos, os bureaus de crédito promovem iniciativas para facilitar esse processo, como, por exemplo, o "Feirão Limpa o Nome Online da Serasa".

    Então? Está negativado e quer resolver a situação pela internet? Sentado no sofá da sua casa? Navegue pelo blog e descubra como!

    ___________________________ ¹ Estudos também mostram que um consumidor com "nome sujo" deixa de pagar suas dívidas quatro vezes mais do que o sem restrição. Mas, ao mesmo tempo, 50% das dívidas em atraso são pagas após a notificação de que o consumidor será incluído no cadastro negativo, mesmo sem o AR.

    2 min
  • Entenda a inflação no dia a dia
    Saiba o que significa o índice de inflação e como ele afeta suas finanças pessoais e o seu poder de compra no quadro Educando Seu Bolso, com o economista Frederico Torres. Do programa em Boa Companhia da rádio Inconfidência AM 880.
    23 min

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