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Outro dia desses, jogando uma conversa fora com um casal de amigos preocupados com os quilinhos a mais que ganharam ao longo dos últimos anos e, claro, com a saúde, eles me disseram que se matricularam numa academia e começaram a frequentar o Vigilantes do Peso. Em dois posts anteriores (este e este), fiz uma comparação entre meu hobby atual, a corrida, e a educação financeira. Paralelo semelhante vale pra relação que você estabelece com dois dos seus órgãos mais sensíveis: seu estômago e seu bolso.
Em primeiro lugar, se, por um lado, prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém – como diz o ditado –, por outro, comilança e gastança fazem mal a qualquer mortal. Impossível negar que comer e gastar são grandes fontes de prazer, pra muitos de nós! Mas a semelhança acaba aí: a regra geral pra uma dieta saudável é não ingerir mais calorias do que seu corpo consome, senão lá vêm aqueles quilinhos a mais pra te perturbar. No caso do seu bolso, vale o contrário: os inputs devem ser maiores que os outputs, sempre!
Além da quantidade, a qualidade do que se consome também deve ser levada em conta. Há tempos, aboli definitivamente alguns itens do meu cardápio e reduzi bastante a presença de outros, mas sem eliminar por completo. Igualmente, defenestre da sua vida os desperdícios, e também gastos tóxicos tais como os juros do cheque especial e do cartão de crédito rotativo. Tente diminuir os supérfluos. De vez em quando, dá pra comer aquele torresmão ou aquele espaguete à carbonara lotado de bacon? Até dá, mas só se for de vez em quando. Com parcimônia, com moderação.
Voltando à questão do superávit, o foco principal deve ser fechar o mês no azul, entretanto, olhando pra um horizonte um pouco mais longo de planejamento, pode ser que alguns meses tenham que terminar bem mais azuis pra que em outros se consiga evitar o fechamento no vermelho. Há vários gastos e receitas que são sazonais, mas os dois nem sempre ocorrem no mesmo mês, por isso um pouco de planejamento pode te ajudar a ficar sempre no azul. Na natureza, vários animais ou partem pra comilança ou descansam bastante pra acumular energia em determinados meses do ano que lhes permita sobreviver a temporadas mais difíceis. Lidar com a sazonalidade de inputs e ou outputs está no DNA deles, e isso é um grande aprendizado de planejamento.
Por fim, voltando aos meus amigos, a santíssima trindade está valendo pra eles também: eles consultaram o médico, fizeram exames, viram o tamanho do problema (autoconhecimento); definiram o quanto queriam melhorar a saúde e traçaram planos pra isso (planejamento); e, por fim, vêm implementando diligentemente esse plano, tanto nos exercícios quanto na dieta (disciplina). A rotina deles mudou significativamente de uns tempos pra cá: anotam diariamente tudo o que comem, têm metas de consumo diárias e semanais a ser cumpridas, se policiam um ao outro nessas metas, comemoram cada um dos quilinhos que vão deixando pra trás e, sobretudo, não perdem o foco. Isso tudo, claro, já está rendendo a eles bons e saudáveis resultados! Do mesmo modo, controlar o consumo pra que ele seja condizente com as receitas, anotar tudo o que se gasta, planejar, estabelecer metas de curto prazo, mecanismos de controle e premiação do cumprimento dessas metas, tudo isso pode contribuir para que você melhore sua saúde financeira, para que você tenha um orçamento mais equilibrado, para que fique dentro do seu peso. Sugerir que você mude sua dieta hoje ou amanhã, véspera de final de semana, pode ser pedir demais, mas a segunda-feira está logo ali!
Aproveite para ouvir nosso podcast sobre gastar mais do que ganhar:
"A sua justificativa é o ensino escolar. Não aprendeu a dividir, só quer multiplicar." (O Rappa, Dívida)
Na semana passada publiquei a coluna "Como sair do endividamento excessivo?" Por coincidência, o Banco Central publicou, no mesmo dia, o relatório preliminar de uma pesquisa qualitativa que procurou entender os caminhos que levam as pessoas a essa situação. A pesquisa foi feita por meio de oito entrevistas com grupos de oito a dez pessoas especialmente selecionadas – consumidores com restrições cadastrais ou excessivamente endividados. Os autores esclarecem que, da forma como foi composta a amostra, os resultados não podem ser generalizados para o universo de consumidores. Mas, certamente, nos permitem reflexões interessantes.
Eis os principais motivos que levaram as pessoas a entrar no atoleiro: fatos inesperados, falta de planejamento financeiro e empréstimo do nome. É difícil falar sobre fatos inesperados sem cair na especulação; as situações são muito particulares e variadas – perda de emprego, doença na família, gravidez não programada, separação. Posso dar duas sugestões para as pessoas refletirem, dentro de suas possibilidades: procure ter uma poupança para emergências; e pense cuidadosamente sobre ter seguros.
Já a falta de planejamento, bem, esta é uma das principais inimigas contra quem estamos batalhando aqui no blog. Consumo por impulso, excesso de compras parceladas, desconhecimento da própria situação financeira, uso irresponsável do crédito, tudo isso pode e deve ser evitado. A solução para isso passa invariavelmente pela santíssima trindade da educação financeira.
Por fim, o empréstimo do nome, que foi tema de coluna aqui no blog esta semana. A pessoa toma empréstimo para repassar a um amigo ou parente, ou aceita ser fiadora, ou empresta o cartão de crédito… E aí, quando se dá conta, está afundada em dívidas por culpa dos outros, ou melhor, culpa dela própria também.
Outra informação interessante da pesquisa é que muitos dos entrevistados assumiram serem os principais responsáveis pela sua situação de endividamento excessivo, mas alegaram que as instituições financeiras usam armadilhas que as induziram a usar inadequadamente o crédito.
Uma dessas armadilhas é a oferta ostensiva de linhas de crédito. Isso pode ser facilmente percebido no nosso dia a dia. Os dois bancos de que sou cliente costumam divulgar em seus caixas eletrônicos diversas linhas de crédito, antes de realmente iniciar o atendimento. Já cheguei a, apressado, apertar a opção "Quero contratar", e caí numa página ainda mais sedutora, que me mostrava como era fácil e maravilhoso contratar o crédito e conquistar tudo aquilo que eu mereço… Aham… Sei…
Além disso, nos extratos, o "saldo disponível" costuma trazer, embutido, o limite de crédito, induzindo os clientes mais distraídos a pensarem que têm mais dinheiro do que realmente têm e, assim, a entrarem no cheque especial sem perceberem, pagando juros altíssimos.
Outra armadilha citada na pesquisa está nas faturas de cartão de crédito, no famoso "pagamento mínimo". É comum a pessoa confundir o valor a ser pago, quitar apenas o mínimo e, sem perceber, rolar uma dívida a juros também altíssimos. E acontece também – mais comum, possivelmente – de a pessoa deixar-se seduzir pelo valor mínimo e, com as próprias pernas, entrar no parcelamento.
Em nosso programa desta semana na rádio Inconfidência, também falamos sobre o tema. Confira!
O fim de ano está aí e muita gente já deve estar salivando, esperando o 13o salário cair na conta pra botar a mão na bufunfa e torrar. Essa renda extra é motivo de ansiedade para muitos brasileiros e de dúvida para outros tantos. A esta altura do campeonato, muita gente deve estar se perguntando: o que é que eu vou fazer com essa grana quando ela cair na minha conta bancária? Amortizo minhas dívidas? Faço minhas compras de Natal? Guardo pra gastar em janeiro, quando virá uma batelada de gastos? Viajo com a família? Uso pra isso tudo, e ainda tento guardar um pouco?
Claro que não existe uma resposta única para essas perguntas, pois elas dependem da situação financeira e de vida de cada um. Mesmo assim, cabem algumas dicas.
Primeiras coisas a refletir: está com a corda no pescoço com suas dívidas? Então a melhor estratégia para você é apertar o cinto do Papai Noel, economizar na gastança de final de ano e aproveitar para reorganizar suas dívidas. Esse esforço pode ser penoso pra você nessa época de festas, em que o espírito natalino, a propaganda massiva pra todo lado, o desejo e a expectativa dos filhos (e, por que não, o nosso também?!) por um presentinho, tudo isso estimula a gastar quando chega o fim de ano. Em meio a esse turbilhão, se você der conta de segurar a sua onda, certamente terá boas recompensas nos anos seguintes! Faça um combinado com sua família, compre apenas lembranças pra que o Natal não passe batido, mas tente mesmo apertar os cintos em prol de um futuro melhor. Ano Novo, vida nova!
Dê um passo em direção à independência do banco da esquina, converse com seu gerente, renegocie suas dívidas. Se o seu gerente não estiver querendo quebrar o seu galho (lembre-se de que ele não é seu amigo!), tente a portabilidade de crédito: bata na porta do concorrente em busca de melhores condições de pagamento. Busque sempre substituir as dívidas mais salgadas (cartão de crédito rotativo e cheque especial) por outras mais em conta e com prazos mais adequados à sua capacidade de pagamento. Organize-se. Planeje-se. Dedique-se. Acenda diariamente uma vela pra santíssima trindade das finanças pessoais, que você ficará livre desse enrosco logo logo.
Bom, mas se você não estiver pendurado em dívidas, aproveite para usar essa renda extra com o 13o para o que ela realmente foi imaginada: para ajudá-lo a bancar os gastos também extraordinários e sazonais: IPVA, IPTU, matrícula, material escolar e, claro, compras de Natal.
Sobre essas compras, não se esqueça: o Black Friday está chegando aí pra te oferecer boas oportunidades. Fazer as compras de Natal com desconto é uma ótima pedida! E tudo indica que, nesse ano, o slogan não deve repetir o "tudo pela metade do dobro" dos anos anteriores (como já falamos aqui), mas não custa ficar de olho!
Em resumo, coloque tudo na ponta do lápis e se organize bem para enfrentar toda essa tormenta, seja pra reduzir seu endividamento ou pra fazer compras melhores e mais conscientes (lembre-se das dicas sobre compras de final de ano aqui). Um bom planejamento pode te ajudar a equacionar essa questão da sazonalidade das receitas e despesas e também, claro, a passar as festas de fim de ano com mais tranquilidade e menos dores de cabeça.
No podcast de hoje, falamos sobre o 13º salário e sobre inclusão financeira. Vale a pena ouvir! Confira!
"Entrei na liquidação, saí quase liquidado. Vinte vezes, vinte meses, eu vendi meu ordenado." (Tom Zé, "Sem entrada e sem mais nada")
Sempre que compramos algo para ser consumido no presente e pago no futuro, estamos contraindo uma dívida. Um simples almoço pago com cartão de crédito é uma dívida. Dito isso, fica claro que as dívidas, em si, não são ruins. Pelo contrário, aliás. Tenho um amigo, das pessoas mais sensatas que conheço, que sempre diz: "Quem não se endivida não progride".
A questão é saber se endividar. Conhecer seu próprio orçamento, estabelecer prioridades, não cair em certas tentações, conhecer bem cada dívida antes de contratar – especialmente quanto às taxas de juros e às tarifas. Isto é: é preciso respeitar a santíssima trindade da educação financeira. Caso contrário, corre-se o risco de afundar-se nas dívidas.
O endividamento excessivo faz com que a pessoa perca sua capacidade de consumir, pois compromete grande parte de sua renda com o pagamento de prestações ou, pior, de juros e multas. Além disso, pode levá-la a ser inscrita nos temidos cadastros de restrição ao crédito, como SPC e Serasa. E, mais grave, pode obrigá-la à perda de patrimônio – ao precisar vender um carro ou um imóvel para quitar dívidas – e até mesmo à desestruturação familiar.
Se a pessoa sente que está com as dívidas já pelo pescoço e que perdeu o controle de sua vida financeira, é hora de refletir e, principalmente, agir, antes de se afogar de vez. A primeira atitude após essa tomada de consciência é conhecer sua situação. Saber exatamente o quanto recebe por mês e, principalmente, quanto e como gasta. Quanto do seu salário tem ido para pagar suas despesas mensais? E para pagar parcelas de compras antigas? E para juros e multas?
Conhecer as dívidas é fundamental. Saber o valor de cada uma delas, as taxas de juros, as multas e as consequências da inadimplência – inscrição no Serasa, suspensão de serviços essenciais. Isso vai permitir que a pessoa planeje a saída do atoleiro, priorizando o pagamento das piores dívidas. A renegociação é um bom caminho. Muitos credores estão dispostos a abrir mão de juros e multas para receber pelo menos parte dos seus créditos. Se o devedor conhece sua situação, poderá ter muito mais sucesso na renegociação.
Além de cuidar das suas dívidas passadas, a pessoa deve planejar o consumo futuro, conhecendo suas despesas mensais. Avaliar quais são essenciais, analisando se podem ser diminuídas, e identificar as supérfluas, eliminando, pelo menos por um tempo, algumas delas – ou todas, dependendo da gravidade do problema. Esse controle é importante, demos algumas dicas sobre isso aqui no blog algumas semanas atrás.
A disciplina e a mudança de atitude são indispensáveis. A pessoa vai precisar ter uma postura diferente daquela que a conduziu ao poço. Além de controlar suas despesas, não poderá contrair novas dívidas, senão em pouco tempo sua situação estará ainda pior que antes.
Mudar atitudes, reeducar-se e privar-se de consumir não são coisas fáceis para a maioria de nós. Mas, na situação que descrevemos aqui, não há alternativa. A pessoa deve ter em mente que a parte mais amarga do remédio não dura para sempre. Passada a pior fase, ela poderá, aos poucos voltar a consumir. E que, após o tratamento de choque, possivelmente ela poderá fazer isso de forma mais saudável e prazerosa, aproveitando melhor o que a vida pode oferecer, inclusive – principalmente? – aquilo que não custa dinheiro.
Saiba mais sobre o assunto ouvindo nosso podcast:
Portabilidade vai muito além da telefonia! O economista Frederico Torres explica como funciona o recurso em relação ao crédito e aos bancos. Edição do dia 17/11/2014 do quadro Educando Seu Bolso – Educação financeira com Frederico Torres, do blog Educando Seu Bolso | Gerente dos Sonhos, no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência AM 880.
Outro dia, saiu um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) dando conta de que existem no Brasil mais de 103 milhões de contas correntes, pouco mais da metade da população brasileira. Do total dessas contas, uma boa parcela conta com o famigerado limite de cheque especial, "gentilmente" concedido pelo gerente de conta corrente.
Usá-lo por si só já é um problema, tendo em vista as altas taxas de juros. E o problema se agrava bastante se o devedor acumula outras dívidas, como cartão de crédito, crédito pessoal e financiamento do veículo, e se torna um superendividado. Esse sujeito é aquele consumidor "de boa-fé que se encontra impossibilitado de pagar com o seu rendimento mensal o conjunto de suas dívidas de consumo vencidas ou a vencer, sem prejuízo grave do sustento próprio ou de sua família", segundo o Procon-SP.
Em entrevista concedida recentemente ao Estadão, Vera Remedi, que trabalha na entidade, afirmou que muitos desses devedores têm mais de 70% de sua renda comprometida com outros empréstimos bancários.
Com isso, o devedor já entra no cheque especial mal começa o mês, com a quitação das prestações das outras dívidas via débito em conta. E as taxas de juros dessa modalidade, você já sabe, brigam cabeça a cabeça com as do rotativo do cartão de crédito pelo título de "os maiores juros do planeta"!
É aí que mora o perigo: esses juros astronômicos fazem a sua dívida crescer como uma bola de neve, favorecendo o descontrole da sua situação financeira. Remedi é coordenadora do Programa de Apoio ao Superendividado, que tem por objetivo ajudar aqueles que entram nessa areia movediça da superdívida a sair dela.
Confira a participação do Educando Seu Bolso no programa MGTV, da Rede Globo, explicando os efeitos de entrar nessa bola de neve.
O cheque especial é uma modalidade que deveria servir exclusivamente para ocasiões esporádicas, emergenciais e de curtíssimo prazo em função do seu alto custo e risco.
Você pode me dizer: "ah, mas meu banco me dá 10 dias sem juros no cheque especial". Se você conseguir se organizar pra ficar devendo menos tempo que esses 10 dias, menos mal. Mas o melhor mesmo seria não precisar dessa grana nunca! Sendo assim, se você perceber que está entrando no vermelho todo santo mês, é melhor rever seus conceitos, ou melhor, rever seu orçamento de forma a reduzir até zerar essa dependência maligna.
Fez o dever de casa e ainda assim não está conseguindo fechar suas contas no azul? Tudo bem: faça um crédito pessoal, de preferência de prazo não muito longo, pra dar tempo de você organizar melhor sua vida e se livrar do cheque especial. Assim, você provavelmente pagará menos juros ao seu banco, além de se forçar a pagar o principal aos poucos, mensalmente. Resumindo: fuja do cheque especial igualzinho o diabo foge da cruz!
Saiba mais sobre essas altissímas taxas de juros do cheque especial ouvindo nosso podcast sobre o assunto:
Quando se fala em portabilidade, a maioria logo pensa na troca de operadora telefônica mantendo o mesmo número. Mas portabilidade vai muito além da telefonia, como já havia comentado aqui. Hoje vou esclarecer algumas dúvidas sobre a nova portabilidade de crédito. Você sabe o que é isso? Bom, vamos lá: a portabilidade é a transferência de empréstimos e financiamentos (cartão de crédito, cheque especial, financiamento de veículo, crédito imobiliário, crédito pessoal e crédito consignado) de uma instituição financeira para outra, por iniciativa do cliente. E é, em última instância, liberdade para você organizar ou reorganizar melhor a sua vida financeira.
Há custo adicional? Sobre a portabilidade não incide o IOF, que incidiria por exemplo sobre uma nova operação. Além disso, não cabe a cobrança de tarifas e é proibida a venda casada de serviços, ou seja, condicionar a oferta da portabilidade a contratação de seguros, títulos de capitalização, adesão a pacote de tarifas específicos, tarifa de transferência TED, tarifa de emissão de boleto ou abertura de conta. No caso de créditos em que há depósito direto em conta corrente, a abertura de conta no novo banco pode ser necessária. Finalmente, no caso da portabilidade do crédito imobiliário, há custos cartoriais, o que pode tornar a operação desvantajosa. Fique atento e, se quiser, nos consulte aqui que fazemos a conta pra você.
Aí você pergunta: por que eu devo me preocupar com isso? É simples, você pode economizar muito dinheiro pagando prestações mais baratas.
Usufruir da portabilidade é complicado? Antes trocar uma dívida de banco exigia idas e vindas. Na nova portabilidade, fica bem mais simples. Dá pra antecipar uma boa parte pela internet e contratar a transferência do seu empréstimo para nova instituição com apenas uma visita ao banco.
Como assim? Vamos lá: Passo 1) Obtenha junto ao seu banco o número do seu contrato, quantas parcelas ainda deve e o seu saldo devedor. Muitas vezes estas informações já estão disponíveis no seu próprio extrato. No caso da portabilidade do imobiliário, sei de bancos que estão pedindo também o valor de avaliação original do imóvel; Passo 2) Consulte as taxas dos concorrentes pela internet. Aproveite-se do nosso comparador de taxas para selecionar os bancos e financeiras com as melhores taxas; Passo 3) Leve a informação do passo 1 ao banco selecionado no passo 2 e peça para eles avaliarem o seu cadastro. Passo 4) Cadastro aprovado, Custo Efetivo Total (CET) mais baixo, você já pode assinar ali mesmo o formulário de portabilidade. Daí o Banco para o qual você vai, se encarregará do resto junto à instituição na qual você tem (tinha) o crédito. No caso da portabilidade de imobiliário, o passo 4 tem outro detalhe: antes de assinar o banco lhe solicita que providencie alguns documentos relativos ao imóvel, e só depois vocês assinam.
O banco no qual eu já tenho o crédito pode me segurar? Não, a instituição é obrigada a acatar o seu pedido de portabilidade ou a oferecer condições melhores para fazê-lo desistir. Não aceite tampouco sanções, como o cancelamento de um cartão de crédito ou de um limite de cheque especial. Isso tem sido tratado por órgãos de defesa do consumidor como uma venda casada às avessas, pois condicionam um serviço ao outro, o que é prática abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor. Finalmente, se o banco para onde vai portar seu crédito exigir que você ingresse no cadastro positivo, lembre-se que a adesão é voluntária.
Estou inadimplente, posso fazer a portabilidade? Sim. Prestações em atraso podem ser incluídas ao novo valor de financiamento
Se encontrar qualquer dificuldade para portar seu crédito, o cliente deve buscar o auxílio do Banco Central pelo telefone 0800 979 2345, carta ou fax. Infelizmente, parece que há instituições financeiras que não têm respeitado os prazos limites para prestação de informações e isso tem sido um motivo de reclamações junto ao Banco Central, segundo o ranking mais recente.
Finalmente, se não estiver seguro dos cálculos, assessore-se de especialistas – aqui no Educando Seu Bolso, no Banco Central, Procons, no Idec, na Proteste, ou mesmo junto a algum parente/amigo que conheça do assunto. Pois, infelizmente, o banco para o qual você está levando seu crédito pode tentar a venda de outros serviços e tarifas não autorizadas, o que pode encarecer o crédito acabando com a vantagem da taxa de juros menor. Como sempre, é preciso ficar atento.
Minha expectativa é que a concorrência aumente, em muitos casos levando os bancos a reduzir a cobrança quando um cliente ameaçar mudar de instituição. Ou seja, você ganha um desconto nos juros, mesmo sem ter que trocar de banco. Já imaginou?!
Nosso consultor Frederico Torres levou o assunto para o Bom Dia Minas, da TV Globo. Se você perdeu, veja aqui a entrevista e entenda mais sobre a portabilidade de crédito. E aproveite para navegar pelo nosso canal no YouTube! Lá, você vai encontrar todos os programas e podcasts Educando Seu Bolso.
Escute também o podcast para mais informações.
Quem lembra do carnê? Pois ele está, aos poucos, reaparecendo no comércio brasileiro, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo. "A volta do carnê é resultado principalmente da queda nas vendas. As lojas estão se virando para atrair o consumidor, porque os estoques estão muito elevados, seja de automóveis, geladeiras ou camisetas", declarou à reportagem José Domingos Alves, supervisor da rede paulista Lojas Cem. "Estão oferecendo carnês, cheque pré-datado, que também disseram que ia acabar, mas continua forte. O carnê tem a vantagem de atender pessoas que já esgotaram seu limite no cartão de crédito ou querem deixar o cartão para outras coisas", acrescentou Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Brasileira de Executivos de Finanças.
Esse assunto me lembrou do relato de uma leitora, dizendo que, quando estava no caixa de uma loja de departamento, pagando a compra que fez, ofereceram a ela um cartão da loja, mais um recurso do comércio para alavancar as vendas. E aí bateu a dúvida: esses cartões de loja valem a pena?
É preciso destacar que o que você gasta nestes cartões, que se assemelham em muito aos antigos carnês, na maioria das vezes não conta no seu limite de crédito. Mas diferentemente do que foi dito acima, não vejo isto como uma vantagem e, sim, como um risco, afinal seu limite do seu cartão de crédito foi criado para proteger você dos perigos do excesso de endividamento. Veja: o banco faz a conta, não faz sentido que você gaste X vezes a sua renda em um só mês, não é verdade?! Daí as pessoas vão lá e contratam outros cartões, inclusive os de loja e carnês para driblar este limite. É como se você estivesse tentando enganar a si mesmo. Não dá… Lá na frente você vai ter de pagar e provavelmente não terá condições. Aí começa a novela do superendividamento… Bom, além deste que é o principal risco, há também mais alguns perigos e inconvenientes que destaco abaixo, baseados no meu próprio exemplo.
Passei pela mesma situação e confesso que fiquei tentado, já que o desconto era de 10% sobre o valor da compra, ou aproximadamente uns R$ 40, no meu caso. Mas acabei não fazendo. Por quê? A principal razão foi que a fatura somente podia ser paga no guichê da própria loja. Imaginem só, com a correria do mundo de hoje, você não poder incluir seu cartão no débito automático? Ou mesmo, no dia do vencimento do cartão, você tenta pagar pela internet banking, phone banking, agência e nada. Daí acaba incorrendo em multas e juros por pagamento em atraso. Você acaba perdendo uma boa parte do seu dia, obrigado a voltar pra loja pra pagar sua fatura, além de ter uma grande chance de que você acabe comprando ainda mais, geralmente por impulso.
Ainda assim, acha essa opção vantajosa para você? Muitos cartões de lojas realmente oferecem boas vantagens. Mas, claro, alguns tem armadilhas, por isso é preciso ficar atento às condições. Por exemplo, quando o cartão da loja é também cartão de crédito, quais cuidados tomar?
O primeiro, todo mundo sabe: a tarifa de anuidade. Se for muito alta, não compensa. Mas sabia que há outros cuidados? Por exemplo: Sabe o que é Avaliação Emergencial de Crédito? E sabia que nem sempre o cliente é obrigado a pagar pela 2ª via do cartão?
Quando o cartão não é de crédito, você só pode usar na loja que o emitiu. E aí? É vantajoso? Até pode ser, sim. Se oferecer vantagens naquela loja de que você gosta, pode ser muito bem vindo. Mas também pode trazer armadilhas, até mais que o cartão de crédito.
Ouça o nosso podcast e fique por dentro desse assunto!
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