A recessão técnica na Argentina tem efeitos no Brasil. Nosso correspondente em São Paulo, Alexandre Agabiti, traz dados sobre a desvalorização do peso argentino em relação ao dólar como resultado da inflação, assim como as consequências disso para o poder aquisitivo da população, o consumo e os setores produtivos argentinos. "As reduções nas taxas de juros feitas pelo governo resultaram em reajustes de preço, com investidores movendo suas posições para o dólar. Isso anuncia que a situação está mais complicada do que se sabia", destaca Agabiti. Segundo ele, o mercado financeiro analisa que, enquanto as taxas de juros permanecem baixas, muitos pequenos investidores tendem a "dolarizar" suas economias. Nosso correspondente analisa que a piora nos indicadores econômicos pode resultar em uma queda no já reduzido apoio que o presidente argentino tem no Congresso. Agabiti detalha ainda como a queda no consumo dos argentinos afeta os volumes de exportação do Brasil para a Argentina: entre janeiro e abril, a retração dessas exportações foi de 29,9% em relação ao mesmo período de 2023 e isso não se deve somente à boa safra de soja na Argentina. Nesse contexto de recessão no país, a indústria sofre e o único setor que ganha força é o agronegócio, porque opera em dólar. Também conversamos hoje sobre o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nesta terça-feira (28). Segundo o estudo, o Brasil é um país de alto desenvolvimento, porém, as desigualdades persistem. Os dados de raça e gênero evidenciam essas disparidades sociais: as mulheres negras são 28% da população, mas só recebem 16% da renda. "A pandemia derrubou o Índice de Desenvolvimento Humano" em vários municípios e lança uma pergunta: "Se esse evento extremo nos fez retroceder tanto em tão pouco tempo, como vamos reagir às mudanças climáticas, que são cada vez mais frequentes e com consequências cada vez mais devastadoras [como as enchentes no Rio Grande do Sul]?".
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