Quando a Rússia anexou a Crimeia em 2014, a Finlândia, país vizinho e que fez parte do território russo até 1917, passou a conviver com uma onda de desinformação sem precedentes no país. Notícias falsas começaram a surgir nos diversos sites finlandeses e nas redes sociais para influenciar o debate público, levando o governo finlandês a agir para evitar que mentiras se espalhassem. A resposta foi encontrada na educação e, em 2016, a alfabetização midiática foi incluída no currículo escolar.
Como resultado, o país passou a ser considerado o mais resistente à desinformação entre as nações da Europa pelo estudo anual do instituto Open Society e virou uma referência mundial no combate às fake news. Enquanto países como Brasil e Estados Unidos passaram a sofrer com a disseminação das notícias falsas, a Finlândia se manteve resistente, com índices de confiança no governo de 71%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em comparação, a média de confiança do estudo é de 41% (o Brasil não foi incluído no relatório).
O projeto educacional do país levou o tema para as salas de aula, explica o líder de políticas educacionais da Todos pela Educação, Gabriel Corrêa. Nas aulas de matemática ensinam, por exemplo, crianças aprendem como as estatísticas podem ser distorcidas. Em história, os professores explicam como o uso de determinados elementos são usados para influenciar uma população.
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