Dados do Anuário de Segurança Pública mostram que entre 2018 e 2021, os casos de racismo no Brasil saltaram de 1.429 para 6.003, representando um aumento de 31%. O levantamento também expõe outros dados da violência racial no país: apesar do número de mortes violentas ter caído 6% no ano passado, atingindo o menor patamar em 11 anos (foram 47,5 mil casos no ano passado, contra mais de 50 mil em 2020), a população negra continua sendo a mais vitimada em homicídios.
Segundo a antropóloga e psicanalista, Jaqueline Conceição, diretora Executiva Coletivo Di Jeje, o aumento dos registros de racismo reflete a ampliação do debate público em torno das temáticas raciais. “Há um crescimento da consciência”, explica. A fundadora do Instituto Ionene de Estudos sobre psicanálise, raça e gênero pondera, no entanto, que os resultados sobre aumento de violência e mortes de jovens negros traduzem as ‘ações apenas paliativas desde a escravidão’.
Dos assassinatos ocorridos, 77,9% das vítimas eram negras, metade delas com idades entre 12 e 29 anos, sendo 91,3% do gênero masculino. Já os números da violência policial mostram que 6.145 cidadãos foram assassinados por forças de segurança, e 84,1% dos mortos eram negros (em 2020, eram 78,9%). Já entre a população branca, as mortes em consequência de violência policial caíram 30% no mesmo período.
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