
Sign up to save your podcasts
Or


To grab a free learning guide, go to: https://portuguesewitheli.com/school
And here is today's story for you :-)
Era fim de ano.
Passei os últimos seis meses namorandouma casa de praia que vi na internet. Depois de gastar muita saliva, estava fechado o negócio: íamos passar o réveillon pertinho da praia, num casarão com piscina.
Você reparou que eu disse “íamos”? Pois é. Convidei três parças lá da firma. Eles tinham dinheiro, e dava para a gente se cotizar. Assim, não ficava pesado para ninguém.
Fomos na quinta-feira antes do Ano-Novo. Combinamos de nos encontrar lá. Eu cheguei primeiro, porque tinha de receber as chaves e falar com o dono. A casa era grande mesmo e parecia que estava fechada há muito tempo. “Abri para arejar um pouco” disse o dono. “Vai levar um tempinho.”
Por mim, tudo bem, pensei, mas devia ter desfeito o negócio no ato.
Quando o Élcio chegou, foi logo reclamando.
“Rapaz, que cheiro de mofo desgraçado é esse?” e começou a espirrar. O nariz do coitado ficou vermelho como um tomate. “Tenho alergia a ácaro”.
“A gente fica aqui fora por enquanto, até o ar circular lá dentro.”
Tudo bem, esse era um problema que dava para resolver fácil.
O Augusto e o João chegaram depois. Este perguntou:
“E aí, cadê os comes e bebes? Vamos ter churrasco ou não?”
Eu até tinha trazido carne, mas descobrimos ali que o Augusto não comia carne. Não era vegetariano, mas não comia carne.
Fui ao mercado e trouxe peixe e camarão.
Ao ver o que eu tinha trazido, o Augusto deu um pulo para trás. “Tira isso de perto de mim!,” ele gritou. “Se eu triscarnisso, posso ter um choque anafilático!”
“Tudo bem,” disse para mim mesmo. “Vou ver o que fazer sobre a comida depois, então.” E mandei que eles fossem tomando uma cervejinha, porque o dia estava quente.
“Não posso,” Élcio disse. “Cerveja dessa marca me dá logo um inchaço na barriga e depois fico morrendo de cólicas a tarde toda.”
“Esse alumínio da latinha me dá coceira. Só de pegar nela, minha pele começa a descamar,” disse Augusto. “Tem cerveja em garrafa ou em material hipoalergênico?”
E João, que estava comendo carne e bebendo cerveja, perguntou:
“Velho, algum de vocês tem uma pomada aí? Minha pele está toda ressecada. Tenho alergia a sol. Não sou acostumado a ficar perto da praia.”
E o João estava começando a ficar com uma vermelhidão no braço. Era urticária? Do lado dele, Élcio espirrava e se coçava. Os olhos dele estavam marejados. “Mal entro em contato com poeira e meu nariz entope logo e me dá coriza.”
E Augusto tinha ido para o jardim. Estava com medo de encostar em algo e desencadear uma crise alérgica e acontecer uma tragédia num dia de folga.
E eu, que tinha me planejado todo para relaxar e conversar com os amigos nesse fim de ano, ia ter que passar perto de um cara que estava com a rinite atacada, outro que não comia nada porque era alérgico a tudo e um último que tinha alergia à sol.
Até parece que joguei pedra na cruz!
By Eliaquim Sousa5
2929 ratings
To grab a free learning guide, go to: https://portuguesewitheli.com/school
And here is today's story for you :-)
Era fim de ano.
Passei os últimos seis meses namorandouma casa de praia que vi na internet. Depois de gastar muita saliva, estava fechado o negócio: íamos passar o réveillon pertinho da praia, num casarão com piscina.
Você reparou que eu disse “íamos”? Pois é. Convidei três parças lá da firma. Eles tinham dinheiro, e dava para a gente se cotizar. Assim, não ficava pesado para ninguém.
Fomos na quinta-feira antes do Ano-Novo. Combinamos de nos encontrar lá. Eu cheguei primeiro, porque tinha de receber as chaves e falar com o dono. A casa era grande mesmo e parecia que estava fechada há muito tempo. “Abri para arejar um pouco” disse o dono. “Vai levar um tempinho.”
Por mim, tudo bem, pensei, mas devia ter desfeito o negócio no ato.
Quando o Élcio chegou, foi logo reclamando.
“Rapaz, que cheiro de mofo desgraçado é esse?” e começou a espirrar. O nariz do coitado ficou vermelho como um tomate. “Tenho alergia a ácaro”.
“A gente fica aqui fora por enquanto, até o ar circular lá dentro.”
Tudo bem, esse era um problema que dava para resolver fácil.
O Augusto e o João chegaram depois. Este perguntou:
“E aí, cadê os comes e bebes? Vamos ter churrasco ou não?”
Eu até tinha trazido carne, mas descobrimos ali que o Augusto não comia carne. Não era vegetariano, mas não comia carne.
Fui ao mercado e trouxe peixe e camarão.
Ao ver o que eu tinha trazido, o Augusto deu um pulo para trás. “Tira isso de perto de mim!,” ele gritou. “Se eu triscarnisso, posso ter um choque anafilático!”
“Tudo bem,” disse para mim mesmo. “Vou ver o que fazer sobre a comida depois, então.” E mandei que eles fossem tomando uma cervejinha, porque o dia estava quente.
“Não posso,” Élcio disse. “Cerveja dessa marca me dá logo um inchaço na barriga e depois fico morrendo de cólicas a tarde toda.”
“Esse alumínio da latinha me dá coceira. Só de pegar nela, minha pele começa a descamar,” disse Augusto. “Tem cerveja em garrafa ou em material hipoalergênico?”
E João, que estava comendo carne e bebendo cerveja, perguntou:
“Velho, algum de vocês tem uma pomada aí? Minha pele está toda ressecada. Tenho alergia a sol. Não sou acostumado a ficar perto da praia.”
E o João estava começando a ficar com uma vermelhidão no braço. Era urticária? Do lado dele, Élcio espirrava e se coçava. Os olhos dele estavam marejados. “Mal entro em contato com poeira e meu nariz entope logo e me dá coriza.”
E Augusto tinha ido para o jardim. Estava com medo de encostar em algo e desencadear uma crise alérgica e acontecer uma tragédia num dia de folga.
E eu, que tinha me planejado todo para relaxar e conversar com os amigos nesse fim de ano, ia ter que passar perto de um cara que estava com a rinite atacada, outro que não comia nada porque era alérgico a tudo e um último que tinha alergia à sol.
Até parece que joguei pedra na cruz!

38,836 Listeners

130 Listeners

172 Listeners

17 Listeners

234 Listeners

189 Listeners

705 Listeners

47 Listeners

35 Listeners

148 Listeners

207 Listeners

114 Listeners

15 Listeners

99 Listeners

29 Listeners