• Seria possível estabelecer princípios rígidos e absolutos para a interpretação Bíblica? Há apenas UM ÚNICO sentido para os textos sagrados? O que seria sentido? Somos capazes de chegar nesse ÚNICO SENTIDO?
• A lição 4 e 5 trazem 8 princípios para interpretação Bíblica. Todos eles levantam várias questões e controvérsias, principalmente o ponto 6. Ele afirma que há apenas UM sentido único e literal.
• No entanto, a lição também trata da existência de textos alegóricos que precisa ser interpretados como simbólicos, portanto um sentido não literal.
• Para não ficar muito solto, a lição trabalha com a ideia de que “pode alegorizar, desde que os símbolos já tenham sido interpretados dentro da própria Bíblia.
• Isso dá muito pano para manga, mas vamos tentar ficar apenas no campo dos princípios para interpretação da Bíblia.
A lição tenta seguir a linha de montar um sistema fechado de interpretação. Esse olhar geralmente passa por cima de contradições óbvias como demostrada acima;
A interpretação no “sentido único literal do texto” nem é o problema em si. A questão estaria em transformar o método adotado em “verdade revelada”. Quando não reconhecemos o limite da linguagem humana, dos nossos métodos podemos deixar de ouvir/ler a Mensagem e passamos viver em função da forma que usamos para interpretar a Bíblia.
Toda tipologia bíblia sobre Jesus e vários pontos da nossa doutrina é simbólica.
• Dito isso, voltamos ao ponto: a Bíblia é Revelação da Palavra de Deus, em linguagem humana (II Pe.1:20-21):
Toda a revelação foi “condensada”, reduzida, aos limites da linguagem humana; Mas há a testificação ao do Espírito ao nosso espírito (Rm.8:16)
Quando não consideramos os limites da linguagem humana, automaticamente estamos divinizando a linguagem e deixando de lado a Revelação;
As linguagens, sistemas de pensamento, métodos de interpretação, a história, a crítica, as doutrinas e dogmas estão a serviço da análise da “linguagem humana”, servem para dar luz sobre como a Revelação chegou até nós.
Nenhum método de interpretação consegue aprisionar a Revelação ao seu sistema hermenêutico.
• Por isso, quando entendemos os limites dos sistemas hermenêutico, podemos refletir sobre eles em o “medo” de estar atacando valores fundamentais da Fé no Cristo. Vejamos alguns pontos sobre a Hermenêutica Bíblia.
Nos primeiros séculos da Igreja Cristã havia pelo menos 2 métodos hermenêuticos em disputa: O Alegórico da Escola de Alexandria (África) e o Literal da Comunidade de Antioquia;
Em Alexandria a questão era equacionar as questões entre os textos judaicos e depois cristãos com a Filosofia Grega (foi lá que surgiu a primeira tradução dos textos judaicos para o grego: A Septuaginta, século III a.C – este foi o texto mais usado e citado no Novo Testamento).
Em Antioquia a busca foi manter-se a uma tradição de matriz farisaica, no sentido de fidelidade às tradições judaicas mais literalistas e objetivistas;
Em linhas gerais o método alegórico de Alexandria foi se consolidando mais, talvez pelo seu diálogo maior com a cultura e o pensamento grego.
• 3 personagens podem nos ajudar a entender melhor o método alegórico usado pela Igreja nos primeiros séculos:
Fílon – foi um judeu contemporâneo de Jesus, morto em 50 d.C. Foi o primeiro a propor e demonstrar uma interpretação alegórica dos textos judaicos;
Clemente de Alexandria (150 – 215 d.C.) – propôs 5 sentido para a interpretação bíblica:
Histórico – apenas o relado dos fatos;
Doutrinal – o ensino e a disciplina moral;
Profético – uma espécie de tipologia e simbolismo nos textos;
Místico/Alegórico – as verdades profundas relacionadas com a salvação e a vida eterna
Orígenes ( 185 – 250 d.C) – Foi discípulo de Clemente e relacional os sentidos da Bíblia com o corpo, a alma e o espírito:
Sentido somático – o corpo, a história e a literalidade dos textos, sua forma aos nossos olhos;
Sentido psíquico – a alma, a moral contida nos textos que nos dão base para nosso