Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 6 - Andressinha Boca-de-lata
    Cabulosa conjuntura,
    embriagado na festa de formatura,
    um rapaz lhe encochou
    e você nem se importou,
    porém ainda não era tempo de mudar
    de lado,
    você estava vislumbrado
    pela menina
    que tanto lhe azucrina,
    não a gostosa,
    mas aquela de beleza duvidosa,
    de peixe a cara,
    atiçando a sua ébria tara,
    de trilho a matraca,
    mordendo a sua carne fraca;
    entretanto, o boêmio romance
    é perigoso lance,
    não perdoa sequer o já nocauteado,
    na fila da cabine de fotos esnobado;
    o chão envolta de si vomitado,
    o amigo limpando sua boca;
    noite de sensatez pouca,
    a verdade é cortante como uma faca,
    você foi rejeitado
    por Andressinha Boca-de-lata!
    1 min
  • 5 - Beijo de carrossel
    Naquela noite na varanda amarela,
    ela,
    nem feia, nem bela,
    de Cleópatra fantasiada,
    desvairada,
    numa dança efervescente me tascou
    uma língua invasora que pela minha
    boca rodopiou,
    centrifugando como um liquidificador
    fez borbulhas de mal amor
    que não conseguiram me encantar,
    minha língua, perdida
    numa esgrima defensiva
    se viu tonta a girar num carrossel,
    não sabia o que era chão e o que era
    céu
    da boca
    daquela louca,
    minha língua,
    confusa com um reflexo sem espelho
    foi dormir bêbada no trilho
    do aparelho
    daquela louca
    que deu o meu primeiro beijo na boca
    1 min
  • 4 - Gaveta
    Uma operação matemática mal
    calculada,
    a instrução equivocada
    fez-me parar na gaveta errada;
    a coleção por mim encontrada,
    era de retumbância exacerbada;
    não pude emitir sons vocálicos,
    pasmo em ver aquela sessão de artigo
    fálicos,
    quedei-me inferiormente complexado,
    a cada consolo o tamanho era
    aumentado,
    o meu pedaço de carne,
    pobre coitado,
    mesmo comparado
    a menor das bestas penianas,
    não apontava sequer proporções
    medianas
     
    Toda essa cena gerou-me grande
    hesitação
    à cabeça, intrigante reflexão,
    “Céus, ela tem um bocetão!”
    1 min
  • 3 - Eis a malícia
    Quando se vê pelas esguelhas
    as safadas brincadeiras;
    sobre os pássaros e as abelhas,
    os pais e as copeiras,
    então se descobre;
    e o coração nobre,
    agora repleto de malícia
    quer antecipar a adultícia,
    saber o resultado da carícia
    quer enfim, provar da impudicícia
    1 min
  • 2 - Eu gosto de ser eu mesmo
    Eu gosto,
    eu gosto,
    eu gosto de ser eu mesmo
     
    Eu gosto,
    eu gosto,
    eu gosto de ser eu mesmo
     
    Eu gosto,
    eu gosto,
    eu gosto de ser eu mesmo
     
    Quem não gosta de mim
    é pessoa de espiritualidade oca,
    de ódio fica louca,
    e se rasga do cu até a boca
    gosto de ser assim,
    ter que mudar,
    só para agradar,
    é o fim,
    pensamento de sensatez cru
    que todos tomem no meio do cu
    não me importo com o alheio tenesmo,
    eu gosto é de ser eu mesmo
    1 min
  • 1 - Trovas travessas
    Ninguém ouviu as minhas obscenidades
    transcritas,
    e quem ouviu não pediu mais rimas
    malditas,
    mas é um desprazer deixar pelo ar
    palavras não ditas;
    por isso trouxe mais
    trovas travessas,
    mais um livro de poesias avessas;
    porque nunca fui poeta de poucos
    versos escrotos
     
    Pela cara de bonitinho,
    me pintaram um homem certinho,
    uma tela que rasguei, porque sou um
    tiro pela culatra,
    um literato alcoólatra
    um depravado com sociopatas
    tendências,
    com autoestima dum Sultão de Sumatra
    e um péssimo senso de humor
     
    O profano é o sal da minha dor,
    e no arder da ferida,
    meu corpo se agita,
    me debatendo grito indecências aos
    quatro cantos do mundo
    para ter um vadio segundo de atenção
    antes de voltar a perecer na solidão
    1 min
  • 35 - Urso polar em Copacabana
    Sou pequeno para as minhas emoções,
    imenso de reflexões,
    elas não cabem em mim,
    contorço-me ao tentar acomodá-las,
    sufoco-me tentando acalmá-las
    e me esgoto na tentativa deixar
    explicado
    o que elas não entendem,
    meu comportamento metrado
    naturalmente irracionais,
    não me deixam em paz;
    como podem compreender,
    alguém que não sabe viver?
     
    Estou acostumado com o vazio,
    o vazio não tem vez,
    não tem vontade,
    solidez,
    não é impaciente,
    não quer que eu me reinvente,
    quando lhe viro as costas,
    não exige respostas,
    sequer me inquieta com perguntas;
    o vazio nem se dá o trabalho de
    existir,
    extenuação a qual não se pode
    dirigir,
    é a ausência de emoção,
    como o frio é a ausência de calor,
    o desprezo inexistência de amor
     
    Durante muito tempo não me senti
    gélido,
    pesadelo fantástico,
    sensação de andar pelado no Ártico,
    a gelidão nunca poderia me atingir,
    afinal eu já era uma ausência de
    calor;
    dilacerado por uma insensível dor
    vivi um transe,
    na inércia de sentimentos,
    indolente criatura,
    minha figura,
    um seraco;
    nesse amontoado caótico,
    com meus sentimentos, despótico
    resfriei-me de razão
    e não temi a solidão;
    inaparente egro,
    todo o sofirmento caía no buraco
    negro,
    no vazio dentro de mim,
    eu não tinha limite,
    não tinha fim
     
    Estava morto no interno
    e vivo por fora,
    era o mesmo na primavera ou no
    inverno
    achava-me inabalável,
    invencível,
    mal sabia
    que se tratava do longo efeito duma
    anestesia
    hipnotizado no engano,
    ano após ano,
    sofria sem sentir
     
    Dessa época não tenho saudade,
    pois tristeza e felicidade,
    andam sempre de mãos dadas,
    no peito, ambas guardadas,
    verdade que ninguém gosta,
    a vida é uma aposta,
    tristeza negada,
    é felicidade renunciada
     
    Sou urso polar em Copacabana
    pertenço ao frio,
    estirado no vazio,
    é onde aprendi a viver
    mas a esse lugar,
    longe das ondas do mar,
    nunca mais quero volver
    3 min
  • 34 - Há dias amei
    Trago uma lição em mim,
    não existe sentimento ruim,
    antes do “não” é preciso dizer “sim”;
    negar uma emoção,
    é sofrer indiferente à percepção
     
    A vida outrora cruel folia,
    hoje com a sinceridade como guia,
    minha manta,
    pouco me espanta,
    vejo tudo se naturalizar,
    respiro a leveza do ar,
    provo e é doce a água do mar;
    verdadeira paz
    destinada a todo aquele que é tenaz;
    o destino se desfaz,
    o futuro se reinventa,
    aquilo que o presente não sustenta,
    não vale correr atrás,
    o que tentei,
    naquilo que falhei,
    a garota que há dias amei,
    não amo mais;
    o riso me compraz,
     e não pode ser clandestino,
    mesmo que oriundo de ironia do destino
    1 min
  • 33 - Poemas de tristeza
    Poemas de tristeza
    que me atêm à mesa,
    sempre mais um a escrever;
    o tempo lá fora passando sem eu perceber
     
    Poemas de tristeza
    que contam a natureza
    de minhas desilusões
    que tatuam no papel minhas frustrações;
    o mel,
    que termina com gosto de fel,
    destino sempre tão cruel,
    já espero para o futuro o desvéu
    duma ilusão
    quando ela voltar, direi “não”
     
    Poemas de tristeza
    se um dia por proeza
    não me virão mais
    a inspiração será pequena demais,
    a tristura é a verdadeira matriz,
    um sorriso feliz
    tem poucas palavras,
    as que o choro me diz
    são tantas
    e se por elas não te encantas,
    sinto por ti pena,
    tu te perdes no teu amargor
    desconhecendo o valor
    das lágrimas dum poema
    2 min
  • 32 - Decisão que dá nó
    Agonizo com o nó no coração,
    é dor de demasiada aflição,
    ter de abandonar os sonhos com a
    minha musa,
    pois ainda que com seus lábios me
    seduza,
    em seus olhos tanto brilho por mim
    reluza,
    não posso amá-la confusa
     
    Na sua cabeça vaga
    com carinho não me afaga;
    seus temores não me querem,
    e as palavras que surgem me ferem
     
    Não há mais que possa dizer,
    não há mais que possa fazer,
    devo partir,
    ficando, só flagelos irei me infligir
    1 min

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