Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 31 - Pé-de-cabra na nuca
    Ela me pediu um poema de amor
    e me deu vários de tristeza,
    fez-me sofredor
    da sua incerteza
    sei que não o fez por torpeza,
    mesmo assim machuca,
    pé-de-cabra na nuca,
    cada palavra insensata que me diz
    todo um discurso que não condiz;
    não procuro esposa,
    tampouco meretriz,
    quero uma mulher que ame
    e depois não me chame
    para dizer: "só amigos"
    desses amores antigos,
    já estou pleno
    desejo o futuro um tanto menos
    sereno,
    pois anseio sentir no meu coração
    o palpitar duma paixão
    1 min
  • 30 - Senhora dos meus pensamentos
    Dormir,
    uma das coisas mais necessárias que há,
    todavia o pensamento constante em ti
    e o anseio de te falar
    aquilo que a brevidade do diálogo não me permitiu dizer,
    ambos me corroem o sono,
    viro dum lado ao outro,
    inquieto na cama,
    depois levanto-me
    e perambulo agitado pelo quarto;
    o sangue ferve meus músculos,
    minhas cartilagens,
    e os meus lábios clamam a tua boca;
    de pouco me vale o sono
    se não posso te transmitir as sinapses
    que ora loucamente me vertem,
    por isso, madrugando tatuo as páginas dum velho caderno
    com minha letra apressada,
    porque me vem o urgente ímpeto
    de expelir do meu ser
    toda essa onda de sentimentalidades
    e anseios
     
    Por todos esses pensamentos,
    por todas essas vontades,
    meus olhos se quedam intranquilos a percorrer o quarto,
    às vezes se compenetram na porta,
    esperando a qualquer momento
    ver adentrar a tua imagem,
    parece bobagem,
    porém mais-que-tudo eu te quero
     
    Desejo-te sem pecar,
    pois acredito que todo prazer é santo,
    se vindo acompanhado de ternura;
    e eu quero o corpo
    que encarna a alma que me invade,
    para mim és a mais linda mulher que
    existe,
    por seres a única a visitar meus sonhos auspiciosos,
    porque és maravilhosa,
    esplêndida,
    e o teu corpo carrega essa essência,
    a tua essência;
    o teu olhar é-me o mais vívido,
    os teus lábios os mais doces,
    as tuas mãos as mais quentes
     
    Ah como queria
    colar teu olhar no meu,
    colar meus lábios nos teus,
    o meu corpo no teu,
    e fazer das nossas carnes
    uma mescla de cores,
    sensações,
    sabores,
    cheiros,
    carícias,
    delírios e delícias
    torando o nosso momento,
    nosso próximo verso,
    a única coisa existente no universo
    3 min
  • 29 - Ausência de hipótese
    Ô mulher louca
    que molha minha boca
    e não me faz pensar em outra
    coisa no mundo;
    por ti largo tudo e viro vagabundo,
    para viver esse amor,
    sem rancor,
    sem pela hipótese sofrer,
    quero contigo viver
    1 min
  • 28 - Minha razão de sorrir
    Só me resta sorrir
    com o que há de vir
    dessa alma,
    portadora de toda a calma;
    anjo de candura,
    que com toda sua doçura
    faz desaparecer minha amargura;
    quando me chamas,
    momento em que eu, cego pelas chamas
    que queimam no meu entorno,
    da alegria vejo o retorno
     
    És grande amiga,
    nos meus pensamentos estás sempre
    viva,
    em meu peito muito te considero;
    o tempo que precisares,
    apesar dos pesares,
    eu te espero,
    pois mais-que-tudo eu te quero!
    1 min
  • 27 - Il ne faut rien plus
    Ne me laisse
    pas !
    je ne vais
    réussir à rester sans être avec toi,
    pourquoi tu
    dois partir loin ?
    Je t’aime dès
    le jour un ;
    je te veux
    comme se veut
    souvenir un
    rêve heureux
    au matin ;
    pourquoi tu
    dois aller loin ?
    Nous pouvons
    rester ensemble pour longtemps ;
    ton corps nu,
    mes mains
    éperdues,
    il ne faut rien plus
    1 min
  • 26 - Bailarina
    Alegria e desatino,
    são tortuosas as voltas do destino,
    quando de surdina
    aparece-me a imagem repentina,
    do livro a capa,
    um comentário me escapa,
    principio conversa,
    prosa essa
    que parece não ter fim;
    fico a ver o quanto de surpresa cabe
    em mim,
    resto deslumbrado,
    na boca sedenta, um gosto amargo,
    o que me corrói?
    Ouvir “vou para Niterói”;
    depois de tantas cousas intrigantes,
    “Niterói”,
    sete letras nunca me foram tão
    broxantes;
    ter de ver ao longe essa imagem de
    luz,
    que tanto brilho reluz,
    bailarina que me conduz,
    com voz mansa me seduz,
    à tristeza me reduz,
    o amor de amigo
    assemelha um castigo
    1 min
  • 25 - Azul manchado
    Queria eu não ter sob mim os teus
    olhos,
    que ardessem em pimenta,
    inclusive aquele se nega a ver
     
    Queria eu não respirar a fumaça da
    tua boca,
    queria eu que tivéssemos nenhum
    laço,
    queria eu não ter no peito um
    amasso,
    queria desconhecer a sensação;
    porém onde há estória,
    há memória,
    e no meu pensamento é eterna a tua
    escória
     
    Queria não mais em meus sonhos
    despir-te,
    queria não mais nos meus desejos
    sentir-te,
    queria que me fosses um vazio,
    mas não um buraco negro,
    queria mandar-te ao degredo;
    queria nenhuma nuvem ver no meu céu
    anil,
    queria que fosses à terra de quem te pariu
    1 min
  • 24 - De Manágua a Parati
    Quarta-feira e já me viras do
    avesso,
    dos males que me fizeste esqueço,
    sequer me reconheço.
    estando dentro de ti;
    nesse desalinho,
    mudo da água pro vinho,
    como se fosse de Manágua a Parati
    num segundo,
    de amor insalubre fecundo,
    maldição que parece durar a vida
    inteira,
    meu Deus! Na minha cabeça ainda te
    chamo de pistoleira;
    no meu interior,
    sentença retorquida,
    “Azar na vida,
    azar no amor,
    azar na morte,
    azar na sorte...
    Azar
    no próprio azar”
    1 min
  • 23 - Traição
    O meu engano,
    acreditar no nosso plano,
    meu erro foi querer-te pra mim,
    o que é do mundo,
    só a ele se pode dar;
    dor que não mata, deixa mal-estar,
    a testa pesada eu posso carregar
    1 min
  • 22 - Geladeira
    Palavra sem empenho,
    paralisado senho,
    o que fazer não tenho,
    com o destino pouco me lenho
     
    A concepção verdadeira,
    descobre-se quando se está na geladeira,
    que o frio
    é o calor vazio,
    que o amargor
    é o vazio do amor
     
    Mesmo congelando na geleira,
    minha careta ainda se faz matreira;
    jamais perderei a crença
    no poder da minha indiferença,
    inócua curiosidade,
    intrínseca severidade,
    e é claro a inestimável arrogância,
    para perpassar plácido a ignorância;
    não hei de ficar com a cabeça aérea,
    pois os defeitos são qualidades na miséria
    1 min

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