Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 11 - Outro lado do Atlântico
    Quantas doçuras
    têm as nossas aventuras,
    parecem ser eternas,
    tu até te consternas,
    “Ninguém se diz
    ser assim tão feliz”
    mas o que ninguém afirma
    nosso amor confirma
     
    És minha meretriz,
    minha donzela,
    amar-te-ei em Paris
    como amava na favela
     
    Nosso elo ninguém pode desatar,
    a invídia não passará da beira-mar,
    nossa jangada não há de afundar,
    nosso amor Janaína há de guardar
     
    Mesmo doutro lado do Atlântico
    nosso fim há de ser romântico
    não posso exprimir em ideia
    resumida,
    o que será a nossa nova vida
    1 min
  • 10 - Amar é esperar
    Amar sem esperar
    não existe,
    não tenho essa inocência,
    o amor vem com a paciência
     
    Nem todo tempo de romance é
    primavera
    amar é uma grande sala de espera;
    cadeira desconfortável,
    água em copo descartável;
    e toda vez a mesma sina,
    a minha vida é esperar por Carolina
    1 min
  • 9 - A cientista
    Cientista,
    nas horas vagas, artista,
    e nem é preciso dizer, feminista;
    luta contra sua figura inocente,
    pois se deseja vez mais
    independente;
    a coisa fica insolvente
    se ele dá de hábitos antigos,
    se tem alergia dos seus amigos;
    assim descasca a tintura,
    cai a moldura,
    é o fim da novela,
    na sua vida, uma nova tela
    1 min
  • 8 - Ultrassom testicular
    Quando com um rolo
    fez-se o sinal da cruz na origem dos
    homens,
    ao som dum doce axé fervoroso,
    descobriu-se as esbregosas curvas da
    civilização;
    o incômodo tem insólito respiro
    e o fim carece de elogio,
    a nossa despedida é mera
    congratulação
    1 min
  • 7 - Intercedido
    Pelo respiro duma brisa de outono,
    fui a janela para reavivar a mente;
    vi os pardais e as rolas a ciscar no
    chão,
    o vento a abalar as palmeiras;
    por alguns segundos pensei no vazio
    da vida
    e depois dediquei-me a recordar a
    nostalgia doutras tardes já passadas,
    compreendi que ando a contar os
    dias,
    refleti sobre minha incapacidade de
    administrar o tempo
     
    O vento é como o cronos,
    leva o que pode carregar
    aos confins da percepção ocular;
    o passado,
    o futuro,
    são dois horizontes que me têm
    intercedido
    e ora me parecem tão longínquos...
    1 min
  • 6 - Eu canto
    Eu canto, porque acho bonito o meu
    canto
    Canto com plateia ou a sós,
    Canto que é para fazer durar o
    encanto
    da minha voz,
    que não para mais de cantar
    E por isso, eu canto o meu pranto,
    que é para não chorar
     
    Pois quando canto,
    não sei se todos os meus males
    espanto,
    se os consigo afastar
    Mas parece que quando canto,
    vem me salvar um santo,
    é sensação de bem-estar
     
    Canto,
    porque é de canto
    que eu vou chegar
    Aonde? Eu não sei
    Ao seu coração?
    Ao infinito do céu?
    Ou ao azul do mar?
    Canto porque a vida é cruel,
    mas não me nego boa emoção
    Canto uma estória que eu inventei
    Canto para minha vida não ter que contar
    1 min
  • 5 - Quando eu tiro o chapéu
    Eu tiro o chapéu,
    quando eu tiro o chapéu
    Eu tiro o chapéu para as bonitas,
    para as feias,
    tiro os óculos
     
    Eu tiro o chapéu para as que me
    encantam
    e as que encanto me tiram o chapéu
     
    Tiro o chapéu para os que passam,
    tiro para cumprimentar
    Tiro o chapéu para os que se foram,
    tiro para aliviar o pesar
     
    Tiro o chapéu depois do trabalho,
    tiro o chapéu depois da praia,
    tiro para descansar
    Tiro o chapéu para me deitar no
    balanço,
    tiro quando me canso,
    tiro para não ter que tirar
    1 min
  • 4 - There was a brigde
    Over here
    there was a bridge,
    now there is
    just a river
    and the
    water brings memories,
    the laugh,
    the jokes, the playing time, the fun,
    the
    happiness          
     
    Over here
    there was a bridge
    where kids
    used to play
    Happy
    people,
    good
    friends,
    now they
    don't know each other anymore
     
    Over here
    there was a bridge,
    now there
    isn't anymore
    1 min
  • 3 - Tempo que passa
    O tempo passa,
    dias se vão
    e eu fico aqui
    séssil, inútil       
     
    O tempo passa,
    meses se vão
    e eu fico aqui,
    nada a fazer,
    desperdiçando o que depois me
    faltará
     
    O tempo passa
    anos se vão
    e eu aqui,
    não vivendo o presente,
    vivendo um pré-futuro
     
    O tempo passa
    maldito,
    bendito
    tempo
    não adianta exaltar
    não adianta ofender
    ele passa,
    indiferente ao nosso querer
    1 min
  • 2 - Epitáfio
    Onde o tempo é memória,
    onde do passado só resta a glória,
    onde a estória tem seu fim,
    é o lugar em que te perguntas,
    “o que vai ser de mim?”
    1 min

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