A essa altura da prática de shamatha você ter aperfeiçoado sua habilidade de observar todos os tipos de processos mentais sem distração sem fixação. Mesmo quando as toxinas mentais do desejo, da raiva e da delusão surgirem, você será capaz de observá-las sem ser estragado por elas. E não se fixando ou se identificando com esses venenos, eles terão perdido a toxidade e não poderão mais perturbar o equilíbrio da sua mente.
Aqui o autor apresenta uma pratica alternativa potente para alcancarr o equilíbrio da atenção. Padmasambhava chamou essa técnica de cultivo de shamatha sem sinal , ou seja, sem objeto. (sensações da respiração é sinal, o espaço da mente é sinal, os eventos que surgem nesse espaço é sinal)
Na pratica de shamatha sem sinal a atenção nao é direcionada para nada. Ela permanece em seu estado natural simplesmente consciente da sua presença. Teoricamente, a consciência toma a si mesma como objeto.
A afirmação de Descartes: “Penso, logo existo” – sabemos que ao cultivar shamatha, vc descobre que os pensamentos sao ausentes mas que ainda assim existe uma consciência dessa ausência, com ou sem um observador separado que está consciente dessa ausência. É possível estar consciente de estar consciente.
O espaço vazio de conteúdos (estado de vácuo relativo) ainda é iluminado pela consciência . Essa consciência inata, quieta e vivida. As qualidades da atenção que cultivamos em shamatha já são inerentes da própria consciência. Só aguardavam ser reveladas.
Depois de estabelecer o corpo, a fala e a mente em seu estado natural, apenas fique consciente de estar consciente. Saber que a consciência está presente e sem nenhum outro objeto, cultivar a estabilidade da atenção e a vivacidade dessa consciência.
Padamasambhava desafia vc a examinar a natureza da própria identidade como observador e como um agente de escolhas que faz escolhas e age com base nelas.
Além de ser um meio para atingir shamatha, o fato de vc estar questionando e investigando a natureza da sua própria experiência, sugere que tbem possa ser considerada uma pratica de vipashyana
O cultivo de shamatha é amplamente conhecido como um meio de determinar a natureza relativa da mente ( tbem conhecida como consciência substrato) . Mas em alguns casos, como comenta Padmasambhava, a pratica de shamatha sem sinal pode ser suficiente para determinar a natureza absoluta da mente (consciência prístina , rigpa em tibetano ou vidya em sancrito)
Sobre esse estado absoluto de consciência, Buda declarou: “Todos os fenômenos são precedidos pela mente. Quando a mente é compreendida, todos os fenômenos são compreendidos. Colocando a mente sob controle, todas as coisas são colocadas sob controle”.
(estou no vazio X sou o vazio)