Aqui quem fala é Róbson Véio, e este é o segundo episódio do Sementes da Terra, esse cantinho de palavra viva dentro do Gatilho Kósmico Podcast.
Hoje, seguimos regando ideias com as águas de um pensamento que não se curva: vamos com Huey P. Newton e seu texto “A Nova Análise sobre o Capitalismo Negro”, colhido do livro O Manejo Correto da Revolução, lançado pela Editora Adandê, lá de Feira de Santana, Bahia .
Huey segue afiado. Não romantiza o capitalismo, não o toma por solução. Ele sabe que esse sistema não nos serve. Mas também sabe ler as frestas, as rachaduras por onde a tática se infiltra. E é ali que ele nos mostra: certos comerciantes negros, mesmo girando a engrenagem do capital, podem sim ser parte do corpo comunitário — se escolherem somar com o povo, com os projetos que alimentam, curam e educam.
O jornal dos Panteras não vendia espaço,não tinha anúncio pago. O que tinha era compromisso. Era divulgação consciente, pra que a comunidade soubesse quem tava de fato com ela — quem estendia a mão, quem colocava o pão na mesa, quem ajudava o remédio a chegar. Esses nomes eram citados, porque estavam, até certo ponto, alinhados com o projeto de emancipação preta. Agora, quem só queria explorar? Quem via o povo só como cifrão? Esses aí... o jornal não perdoava. Silêncio estratégico, ausência como denúncia. E o boicote vinha. Porque revolução também é saber onde a gente pisa e onde faz a moeda girar. Essa prática nos ensina a usar o consumo, quando nescessário, como uma possível ferramenta de luta e a transformar cada escolha em gesto político.
FAÇA O IMPOSSÍVEL
MUDE A REALIDADE