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Os outros sempre são a pauta da nossa vida. Falar da vida alheia nos dá uma atração. Mas por quê? Uma das respostas possíveis é de que nossa vida não é tão atraente quanto tema ou se é pode ser comparada e por isso não deve ser lembrada. Falar dos outros nos livra de ter que enfrentar o julgamento sobre nossa própria vida.
A fofoca é prática comum e já ocupou os lugares dos prazeres que temos ao ouvir sobre a vida alheia nos meios de comunicação. Repare que passamos um bom tempo falando da vida alheia. Nas cidades coloniais brasileiras a porta de entrada dava na calçada e a janela era um bom lugar para se ver a rua, as pessoas e comentar do transeunte.
Mas a prática não é boa e nosso julgamento carece muito de alteridade. Uma palavra de origem latina, “alteridas”, diferença. As pessoas são diferentes. E temos que compreender que a lógica dos valores que se formou no outro não é a mesma que consideramos ideal ou de nossa formação. Lembre-se da frase “ninguém é igual a ninguém”. E cada um tem seus motivos.
Em “O Grande Gatsby”, livro de Scott Fitzgerald, no nas primeiras páginas, o autor lembra de uma frase de seu pai que afirma que “Sempre que sentir vontade de criticar alguém, lembre-se que nem todas as pessoas do mundo tiveram vantagens como você”. O autor afirma que esta frase o guiou e não sai de sua cabeça. Devemos fazer o mesmo.
Antes de julgar os outros temos que entender sua lógica e compreender que usamos a nossa que não é tão confiável assim. Afinal, somos capazes de fazer a autorreflexão para depois nos darmos ao trabalho de julgas os outros?
As redes sociais estão cheias de julgamentos pessoas sobre outras pessoas. Falamos e vivemos de dar medida a quem está a nossa volta. Se quer, nós temos consciência de nossos próprios atos. E em lugar algum vamos aprender a conviver se não colocarmos em nossa mente que julgar fala mais sobre quem julga do que de quem é julgado.
A coerência é conhecer e compreender de quem se fala, mais ainda, ter coerência entre quem somos e do que estamos falando.
Nas últimas 24 horas foram mais de 3,3 mil novos casos de Covid-19, o número de óbitos caiu para 24 neste período. Contudo, a doença já atingiu 3.378.810 e já tirou 42.511 vidas no Paraná. Uma lembrança amarga.
Agora, ontem, o governador do Estado acabou com a obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos. Ainda se mantém em ambientes fechados o uso do acessório. Nos municípios deve se seguir a medida.
O presidente da república, empolgado, já disse que o ministro da Saúde vai decretar em abril o fim da pandemia. Vamos acabar com esta pandemia por decreto? Acredito que não. Porém, gerar a sensação de que estamos a caminho da solução ou superação alimenta a “esperança”.
O que vai acontecer por este ano é uma sequência de falas e ações típicas do período eleitoral. Não deveria ser assim. Temos que tem capacidade de separar o possível do desejável. Compramos a ilusão como possibilidade e não encaramos a realidade para amadurecer e entender que não há milagres.
Melhor apostar na realidade. Ela pode ser ideal, porém ajuda a tomarmos atitudes que geram soluções e não piorem ou ignorem o problema. Em um ano de eleição há uma busca de recarregarmos nossas esperanças na ilusão.
Vivemos um tempo de dificuldade de compreensão das pessoas. Parte deste limite se dá pela nossa carga excessiva de julgamento sobre a realidade e considerações que não partem de uma observação atenta. Gilson Aguiar comenta sobre nossa desatenção com as relações e as pessoas a nossa volta. Se fossemos mais atentos, nos decepcionaríamos mais e seríamos mais eficientes em nossas ações.
A assembleia legislativa do Paraná aprovou em primeira votação o fim do uso obrigatória da máscara. Ainda deve ocorrer uma segunda votação e a sansão do governador. A aprovação foi tranquila, com 45 votos a favor e seis contra. A segunda votação não deve ter problemas e sim a definição de onde o uso do acessória será dispensado.
Mas é a hora de liberarmos o uso da máscara? Infectologistas consideram que a decisão é prematura. Ainda temos um número elevado de casos. Podemos colocar em risco a vida de pessoas, em especial as que frequentam ambientes fechados ou com pouca ventilação.
Fora isso, existe o temor da emergência de novas variantes, como a delta-omecron que pode vir a se propagar e alterar os números de infectados e mortos com virulência. Caso isso ocorra, mais frustrante que continuar usando a máscara e manter a sensação de perigo é tirá-la e ter que colocar porque erramos na decisão.
Por isso, a decisão de descartarmos o uso de máscara é uma ação precipitada. Desejamos algum acalento, alívio, sensação de superação, mais do que a verdade dos fatos. A medida é estética e permite aliviar o peso da responsabilidade que cada um tem sobre os atos que preserva a vida de todos.
Vivemos o tempo da ambientação do desejo e não o enfrentamento de problemas. O irônico é que o poder público que deve preservar a vida das pessoas faz política da fantasia generalizada. Alivia o uso da máscara para manter o sentimento de superação. A preção da opinião pública governa, por mais que sustentada no senso comum e no erro, uma medida de saúde pública.
Se faz política em um momento como este para se ter o apoio do eleitor. O fim do uso obrigatório da máscara é precipitado. Porém, é um ato esperado. E o poder atende ao cidadão mais pelo seu desejo do que pela sua necessidade. Um ato típico da sociedade que estimula o impulso e transforma à vontade em necessidade.
Tempos de conchavos e busca de permanência no poder. As eleições deste ano começam com o arranjo para receber o voto. Não é um debate sobre o futuro do país através de projetos amplos, são atos pequenos de acomodação de interesses. “Permanecer no poder é a busca”, o bem comum é retórica.
No Paraná não é diferente. Os partidos estão assistindo abandonos e migrações de seus membros. Uns chegam outros saem. Todos querem um “lugar ao sol” para serem vistos e eleitos, aglutinarem poder e exercer o mando necessário para “se fazer na política”, como afirma Max Weber.
A política não é só vocação é mais que tudo profissão. O poder de se estabelecer no governo e garantir as benesses que ele permite. Os líderes políticos articulam e oferecem suas proteções. Arregimentam forças e expurgam ameaças. Há sempre uma forma de retirar os empecilhos que atrapalham a ascensão ao poder. Veja Eduardo Leite, atual PSDB e que pode migrar para PSB na busca de ter sua candidatura à presidência da república garantida.
Geraldo Alckmin caminha para uma aliança com Lula, do PT, seu arquirrival. Quanto vale o poder? O preço do ato contraditório e o abraço mais traiçoeiro. Chegar ao governo, estar no poder. A lógica da política como sustentação não é a estética que se apresenta ao eleitor. A demagogia é um ritual para a massa, mas o jogo de interesses não envolve o cidadão.
O chamado pragmatismo tem ganho cada vez mais adeptos. Por isso, o representante público não precisa ter uma riqueza de argumentos e defesas de suas bases. Precisa ter a capacidade de entender o jogo de alianças, saber sobreviver no mar de interesses e ser interessante para aqueles que necessitam de força e estão dispostos a trocar.
Para a sociedade, o preço desta relação a permanência das relações e das condições. É a vida de expectador diante de um estado que se diz democrático. É a letargia que favorece os parasitas que se alimentam do corpo lento. Por isso, as ações lentas do poder público é o fortalecimento de quem controla seus atos. Agravando problemas e cobrando caro as “soluções” e “remediações”.
Estamos próximos de uma terceira guerra mundial? Espero que não e acredito que caso isso ocorra, terá realizado uma controvérsia imensa sobre as consequências de uma destruição em massa. O choque que a humanidade daria sobre si com a possibilidade de um extermínio em larga escala, onde os civis são o principal alvo.
Um dos fatores que me faz pensar na impossibilidade de uma guerra é a rede mundial econômica. Os efeitos de uma guerra mundial seriam devastadores para todos os cantos do mundo em uma proporção nunca vista nas duas grandes guerras anteriores.
Cada canto do Planeta nunca esteve tão integrado como agora. Uma destruição desta rede de dependência levaria a perda de condições de produção vitais para a sobrevivência humana e de economias nacionais e regionais estejam elas onde estiverem. Ninguém estará seguro em lugar algum com a ocorrência de um conflito militar mundial.
A frase de Albert Einstein vale mais do que nunca neste momento. O físico, reconhecido como um gênio mundial, ao falar sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial afirmou que ele não saberia como seria. Mas, sabia como seria a quarta guerra mundial, a base de paus e pedras. Ou seja, nada sobraria no mundo com uma terceira guerra marcada pelo uso de armamentos nucleares.
O mundo disputaria uma guerra em que não haveria perdedores. O ex-secretário norte-americano, Henry Kissinger, que atuou durante a Guerra Fria, entre 1968 e 1976, afirmou que a polarização entre as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética eram um campo estreito de negociação, mas que nunca se pensava em uma ação extrema da guerra mundial. Para ele, era como um jogo de xadrez. As duas superpotências militares jogavam com o mundo como se fosse um tabuleiro, mas não pensavam em dar xeque-mate por ter que ver o jogo destruído.
Agora estamos vivendo mais uma vez um momento de crise entre duas superpotências militares. Mais que isso, as armas nucleares não estão mais polarizadas por duas forças geopolíticas, elas estão espalhadas pelo mundo. A destruição total nunca esteve pulverizada.
Vamos torcer para que nada aconteça e que a paz prevaleça. Porém, fica a lição nas falas de Kissinger e Einstein estão presentes em nossos ouvidos. Elas são uma demonstração de que a destruição militar em larga escala é uma possibilidade constante. No momento de interesses extremos, nossas vidas estão muito além de nosso controle.
Postos de combustíveis já começaram a aumentar o preço nas bombas de combustível. O que não deveria ocorrer ontem e sim, a partir de hoje. Muitas pessoas pagaram mais caro logo depois que a Petrobrás anunciou o aumento dos combustíveis nas refinarias.
Nas distribuidoras, o preço médio no litro de gasolina passará de R$ 3,25 para R$ 3,86, um aumento de 18,77%. O aumento previsto no diesel é de 24,9%, indo de R$ 3,61 a R$ 4,51 o litro. O quilo do gás de cozinha passará de R$ 3,86 para R$ 4,48, reajuste de 16%.
Em muitos postos de combustíveis, o preço excedeu os R$ 7,00 no caso da gasolina. Vamos sentir no bolso na hora de abastecer e na relação em cadeia nos demais produtos. Já que o diesel também sofreu reajuste assim como o gás de cozinha. Claro que o etanol deve acompanhar o reajuste devido sua indexação.
Contudo, vale o consumidor ficar atento e denunciar postos que tiveram práticas abusivas e que já repassaram o reajuste aos consumidores. No Paraná, a orientação é que se faça denúncia pelo site www.consumidor.gov.br ou pelo Procom da sua cidade. As multas aos postos que praticaram a alteração dos preços antecipadamente podem variar de R$ 700,00 a R$ 11 milhões.
Bom lembrar também do aplicativo “Menor Preço” que está disponível tanto no Google Play como na Play Store, ou seja, tanto para o sistema Android como IOS. Baixe e busque o menor preço. Temos que agir como consumidores cientes do poder que temos quando boicotamos produtos com preços abusivos ou de origem de empresas suspeitas de práticas ilícitas.
Se soubéssemos usar o poder que temos como consumidores, se tivéssemos a noção da capacidade que se tem de romper com abusos boicotando quem os prática, muito do que sofremos no dia a dia acabaria. Empresas que praticam cartéis manipulando preços teriam um preço caro a pagar, a perda do lucro.
Em uma democracia temos que ter a liberdade de escolha como consumidores. Temos que ter o direito de qualidade pelo preço justo. Se pode entender o contexto internacional que estamos vivendo com a guerra. Podemos usar de outros fatores, como a carga tributária para justificar reajustes, mas necessitamos de organização e ação para acabar com quem se aproveita deste contexto para aumentar seu lucro.
O governado do Paraná, Ratinho Júnior, encaminhou a Assembleia Legislativa do Estado um projeto de lei acabando com a obrigatoriedade do uso de máscara no Estado. Para ele, os municípios devem ter a autonomia de gerenciar o uso ou não conforme a realidade de cada região.
A medida já era esperada diante da redução do número de casos e o aumento da população imunizada. O Paraná está entre as unidades da federação com um dos maiores índices de vacinação.
Por mais que há um cansaço no uso da máscara, temos que ter ciência e consciência da importância do nosso papel. Fazer a nossa parte. Contribuir para resolver um problema é uma obrigação de cada um.
Agora, o que temos que levar da pandemia como experiência é o nosso grau de comprometimento. Nossa capacidade de ser resposta e não construtores de problemas. Lembrando que a máscara não é um detalhe, mas uma importante arma contra a contaminação.
Empresas privadas buscam aprimorar ferramentas que medem o grau de satisfação de seus clientes e consumidores. Criam meios de antecipar vontades e atender necessidades de um público que lhe interessa para se manter no mercado. Por que isso não pode ser feito com o poder público? Pode e deve.
Em Maringá, recentemente, a prefeitura do município estabeleceu um plano de metas das secretarias municipais para que elas cumpram ações voltadas aos interesses da população. Mas isso é o suficiente? Planejar faz parte da vida dos maringaenses. Não por acaso, uma instituição como o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem como função primordial este papel.
Porém, mais que planejar é necessário saber o grau de satisfação ou insatisfação da população em relação aos serviços públicos prestados. E uma lei municipal aprovada em 2019, a 10.948, de autoria do vereador Sidnei Telles, tem esta intenção. Esta lei deve antecipar um planejamento.
O vereador argumenta que até agora a lei não saiu do papel. O parlamentar aponta interesses políticos. Para ele, o poder público adiou a execução para não ter surpresas no resultado das eleições de 2020 que levaram a reeleição de Ulisses Maia. Será que uma pesquisa de satisfação do serviço público poderia ter um resultado contrário as pretensões do atual prefeito? Esta resposta não pode ser dada com precisão, a lei não foi executada.
Agora, tudo indica que ela vai sair do papel. O que temos como sintoma é a manifestação de ouvintes que ao ouvirem a reportagem de Luciana Peña sobre o tema entraram em contato com a CBN e deixaram sua reclamação.
Podemos alegar que o voto é uma forma de avaliação do poder público. Se levarmos em conta esta medida, há uma aprovação da atual gestão. Mas, nunca podemos esquecer que entre a sensação e os dados que temos para a decisão de nossas escolhas nem sempre são pautadas na eficiência do poder público de maneira objetiva e concreta.
Que a lei que exija a avaliação dos serviços públicos seja implanta e de forma adequada a ser um termômetro objetivo e imparcial. Será de grande utilidade para podermos compreender até que ponta promessas se cumprem e usarmos da eficiência e não da demagogia como critério para avaliar a eficiência de um governante e de sua máquina administrativa.
A guerra se tornou uma saída. A violência assistida na Ucrânia com a invasão russa se torna um modelo propagado pelas mídias e parece exaltar a violência generalizada. O extermínio desperta a nossa face mais animalesca. Estamos perdendo a civilidade?
Os códigos da gentileza e educação parecem decadentes diante de uma sociedade que continua se alimentando da agressão como forma de descarregar o descontentamento com a vida. As brigas de torcida que ocorreram esta semana demonstram a violência como ritual.
Logo, a agressão deixou de ser uma causa e se transformou em sentido. A violência alimenta a inutilidade humana. Vamos colocando por terra tudo o que construímos. Ver o trabalho de anos para ser erguidos virem à baixo. Será que a lógica do “quanto pior melhor” corresponde à verdade?
O vandalismo já é tema de muitos cientistas sociais. Enzensberger, o ensaísta alemão, analisou a tendência destrutiva de pessoas que fazem parte da população marginalizada que tem na destruição uma forma de se expressar. Esta violência se dá não contra o inimigo e ou considerado responsável pelos problemas que assolam o agressor. Infelizmente ou absurdamente, se dá contra os que estão na mesma condição de sofrimento e derrubando a estrutura mínima que lhes atende.
A sensação de vida é a violência para os que não são movidos pela complexidade. Há um animal humano que tem se exaltado e se transformado em modelo de conduta. Arrasta consigo inúmeros seguidores. O “cão feroz” que deveria ser mantido na coleira agora é o guia dos seres humanos cegos.
É preciso combater a tolice do instinto. Educar para a civilidade. Entender que não vamos resolver a vida em uma agressão imediata por mais que os motivos pareçam justos, por mais que na sua grande maioria não são. Quem prega a paz e deseja o diálogo não é um tolo. Não pode ser tratado assim. Deve ser respeitado e ser este o líder e guia para os nossos atos.
Quando praticamos a violência estamos construindo um diálogo com regras claras. A mesma que usamos com os outros é aquela que autorizamos a ser utilizada contra nós. Quando a linguagem da agressão se universaliza não estamos seguros em lugar nenhum.
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