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O ambiente de trabalho apresenta um encontro entre várias gerações. Uma pesquisa mostra que os mais velhos são mais resilientes e os mais jovens desejam autonomia e valorização da empresa. Contudo, há muita contradição entre o que é prometido pelas organizações e o que é oferecido. Isto fica claro na hora da demissão.
Quem tem mais de quarenta sempre diz que os pais nos educavam pelo olhar. Não era preciso dizer nada. Conhecíamos o que estava se passando na cabeça dos que nos criaram pela relação próxima que construímos dentro do ambiente doméstico. Vivemos intensamente a sensação de pertencimento familiar desde a hora que acordávamos à que iríamos dormir.
Os rituais de encontro dos membros da família eram constantes. O almoço, o jantar, o final do dia quando nos empilhávamos na sala para ver a televisão e sua programação compartilhada tendo que atender a todos. Não existiam os canais especializados onde cada um assiste em seu quarto o que quer. Era necessário negociar o horário e saber esperar quando o programa preferido fosse passar.
Sim, a especialidade da vida feita de forma personalizada nos deixou intolerantes. Raramente nos encontramos e quando isso ocorre somos estranhos e compartilhamos muito pouco. A família está debaixo do mesmo teto, mas na convive tanto assim. Horários diferentes, comidas prontas, almoços fora, os compromissos diferenciados.
Desta forma, já não dá mais para saber o que o outro pensa somente pelo jeito de andar ou olhar. Não há mais a sintonia dos detalhes e do tempo para falas necessárias. Se perdeu o ritual da convivência. Estamos intermediados por inúmeros objetos e interesses pessoais. O que é comum a todos é raridade e quase sempre não atrai o interesse da maioria.
Logo, minha mãe tem razão, ela não entende o porquê é necessário dialogar tanto para evitar conflitos. É porque os conflitos viraram uma constante e a convivência comum uma raridade. Quando ela ocorre, o entendimento fica mais difícil. Nestas horas, dá saudade dos seres humanos e suas imperfeições e entendemos o quanto a tecnologia eficiente e tão agradável pode nos tornar desumanos.
Senado aprovou os R$ 400,00 do Auxílio Brasil, de forma permanente. O presidente Bolsonaro desejava manter o benefício até dezembro deste ano. Um alívio para muitos brasileiros. Uma alavanca na economia e despesa na conta do Estado.
Já temos políticas de auxílio que remonta o Bolsa Família. Os nomes mudam, também as estratégias, porém o problema não se resolve. É preciso mais do que simplesmente uma “mesada da fome”. Precisamos de futuro.
Investimento em infraestrutura, seja de saneamento, transporte, comunicação, moradia e fundamentalmente em qualificação. A necessidade de se dar dignidade e a todos um capital impossível de ser retirado, transferido ou manter dependência. Este capital se chama conhecimento.
Muito do poder parasitário e inerte que se mantém no país se sustenta na ignorância e na dependência “eterna” de migalhas. Assim o país se constituiu ao longo do tempo gerando uma massa dependente e frágil diante das crises constantes que o país já passou. Um problema de miséria permanente que todos questionam, porém, de uma permanência absurda.
Se queremos superar os problemas do país, de sua população em especial, temos que valorizar as pessoas e lhes dar oportunidades de fato e condições de poderem fazer escolhas inteligentes. Enquanto isso não ocorrer, vamos sempre assistir a manipulação da miséria constantemente.
Ouça o áudio sobre este tema:
Os “idosos” estão crescendo no mercado de trabalho. Um aumento de 15,8% em 6 anos. Em 2020 eles já representam 4,5% dos postos de trabalho. Das pessoas com mais de sessenta nos, 30,9% delas continuam trabalhando. São 5,9 milhões nesta faixa de idade.
O futuro pertence aos mais velhos? Se não totalmente a convivência com eles no mercado de trabalho é uma certeza. Melhor ir se preparando, se você ainda não tem 60 e está na ativa. Com certeza está predestinado a ser um deles ou conviver com eles.
Porém, a convivência não é tranquila. Uma pesquisa feita pelo Sesc São Paulo em parceria com a Fundação Perseu Abramo mostra que 18% dos idosos já foram maltratados no atendimento médico e 19% já sofreram violência física em algum momento de suas vidas.
Dos entrevistados, 81% afirmam que existe preconceito em relação a idade no país, e isso começa a partir dos 50 anos. Vale lembrar que o preconceito em relação aos mais velhos se chama “etarismo”.
O que não se pode esquecer, contudo, é que o envelhecimento cresce significativamente e a maioria da população tendem a ter mais de 50 anos nos próximos 30 anos. Logo, discriminar a maioria não vai continuar sendo uma prática viável. Mais que isso, eles serão determinantes nas relações pessoas e de trabalho, nos ambientes de consumo, na vida cotidiana em geral.
Há uma tendência de que as estruturas públicas e privadas pensem cada vez mais nesta população como prioridade. No mercado de trabalho, como falamos no começo desta conversa, eles estarão mais ambientados e podem ser a maioria dos que estão dentro de uma corporação.
Não há idade limite para a grande maioria das coisas que fazemos. A vida segue. E a convivência deve levar em conta a inclusão. Ela será a condição do dia a dia. Uma vida que tende a ser cada vez mais longa e deve ter valor em toda a sua extensão.
Os estados nacionais nasceram da mão dos homens. Não são como o relevo que lhe serve de fronteira. Não é da natureza que brota a identidade dos povos que constroem ao longo do tempo uma unidade nacional. Sempre é bom lembrar disso.
Argumento sobre a ação humana na construção da nação diante da guerra que estamos assistindo entre Rússia e Ucrânia. A história das duas nações se confunde e remonta mais de mil anos. A trajetória de uma nação é o processo de construção que as pessoas fazem em um determinado território que identificam como seu.
O leste europeu é marcado por ondas migratórias em forma de guerras e busca de sobrevivência. As fronteiras da Europa nunca foram estáveis. Elas navegam ao sabor do tempo em direções distintas na proporção em que as “colchas de retalho” humanas se desenham e vão exigindo seu quinhão.
No jogo do poder, saber lidar com estas amarras frágeis da unidade nacional pode tensionar ou distensionar conflitos. Isto que acontece hoje na Ucrânia. O país já vem de uma divisão que se processa ao longo da história. A força que determina o controle sobre a sociedade deve se sentir e ter capacidade de impor sua força.
O território ucraniano tem uma população estimada de 45 milhões de habitantes. Se calcula que pelo menos 10% desta população já se retirou de suas casas e se refugiou em países vizinhos. Mais uma vez a massa humana busca sobrevivência em outro lugar. A marcha continua.
A economia ucraniana é fundada em uma agricultura bem-sucedida, marcada pela implantação de maquinários agrícolas modernos e uma concentração agrária crescente. Por mais que tenha ampliado a diversidade de produtos gerados no solo negro do país. O problema da ucrânia é a falta de infraestrutura para a distribuição da produção. O que nós brasileiros conhecemos bem.
O nascimento da Ucrânia como nação é uma história longa em seu fluxo de poder e migração, onde a capital Kiev tem um papel de destaque, as margens do rio Dniepre. Nasceu como um importante rota comercial entre o ocidente e o mar Báltico. Ampliou sua força, constituiu a sede do Império Russo.
Mas, os fluxos e guerras transferiram esta sede para a Rússia, Moscou assumiu o protagonismo e Kiev ficou com a fronteira, inclusive o significado da palavra “Ucrânia”. Distante da sede do Império, e as guerras com os reinos mais ao leste, o território ucraniano foi constantemente invadido. Ali já foi Polônia, Dinamarca, Império Austro-Húngaro e sem contar a passagem de Napoleão e Hitler.
A paz duradoura não é uma verdade para os ucranianos. Ao longo da história a nação foi armada e sempre preparada para ações invasivas que fazem suas fronteiras flexíveis. Cabe mais ao jogo de forças externos, com grande influência russa, sobre até onde vai o poder do Estado Nacional ucraniano, o qual, os próprios russos questionam suas existências na atualidade.
Qual o risco de fazer uma escolha? Isso importa a quem vai escolher. Se as demais pessoas que serão atingidas por esta escolha se sintam mal por ela ter sido feita, tem consequências e não gostam delas, devem reagir. Quem mal há em cobrar das pessoas que elas se responsabilizem pelas escolham que fazem?
Neste ano estamos entrando em período eleitoral que tem tudo para ser polarizado entre dois candidatos. Teremos outras escolhas, mas os dois devem assumir o protagonismo da disputa. De um lado o atual presidente Jair Bolsonaro, do outro o ex-presidente Lula. São duas opções.
As demais podem ser escolhidas, é possível votar nelas. Se a chamada “terceira via”, se é que ela existe, não decola, é porque as pessoas não optam por ela. O que isso significa, a vontade da maioria tende a dois candidatos.
O que nos faz escolher, nossos valores, o que consideramos relevante. Aquilo que nos importa ao longo do tempo e no memento que estamos fazendo a escolha. Escolher é o ato de selecionar através de critérios a opção desejada tendo em mente as consequências. E o tanto que temos consciência da consequência é da capacidade de cada dominar os resultados, prever os desdobramentos da escolha que faz.
O que não podemos é gerar a infantilização e a limitação da liberdade das pessoas. O país já escolheu pelo menos uma vez os nomes de Bolsonaro e Lula. Um é e o outro já foi presidente. Se alguns se arrependeram da escolha que fizeram e resolvem mudar de lado ou escolher outro, é um direito e uma ato de liberdade. Arrependimento também e uma possibilidade possível a todos.
As pessoas estão aí, a vida nos mostra inúmeras vezes opções, ações e reações. Podemos ou não compactuar, podemos questionar, podemos afirmar ou negar. O que não podemos é omitir a nossa responsabilidade.
A única coisa que considero válida neste mundo de escolhas é que conhecer e entender profundamente o tempo que vivemos e a condição que temos nos dá mais liberdade e possibilidades de opção. A ignorância é como um labirinto no escuro, sem ver se dá um passo de cada vez e as chances de erra o caminho é imensa par quem não consegue enxergar muito longe.
O que vamos deixar para a posteridade, como seremos lembrados? Gostaríamos de ir além desta vida e deixar para uma posteridade a lembrança de nossa existência. Ficarmos vivos no coração e na mente de quem fica. A pergunta que muitos gostariam de fazer para os que ficam é se alguém sentirá sua falta.
Exercitamos a falta em muitas coisas. E o quanto um legado pode ficar nas pequenas coisas. Não precisa de uma revolução na vida de muitos, mas a mudança significativa na vida de alguns. Os poucos que aos poucos percebem que a sua existência se expressa nos sinais de que o ambiente onde se vive exala.
Na sociedade dos produtores que marcou as gerações que hoje tem mais de 50 anos, a vida era exercida na busca da empregabilidade. Hoje, se vive para a aquisição momentânea nas possibilidades intensas da aquisição. Viver para consumir. Logo, o que se é está na intensidade do que se apresenta ao mundo do que se tem.
Vivemos na busca incessante de sermos notados pela coleção de objetos que exaltam a existência. Mas, ao mesmo tempo, se dissolvem rapidamente com o tempo. Nunca tanta intensidade durou tão pouco. O anestésico alucinógeno precisa ser ingerido constantemente para que não se perca a excitação. Ficar excitado deixou de ser uma temporalidade para se tornar uma exigência. Os objetos são a droga que gera a alucinação necessária para que a vida ganhe sentido dia a dia.
Não podemos ser apenas uma extensão das coisas. Temos que dar sentido e vida para o que existe. Não resumir nossa existência no que morre tão rápido e não vive o suficiente para colocarmos uma identidade. Viver é mais quando se dá sentido a vida.
Quem quer trabalhar em casa não quer voltar para o trabalho? Esta é uma questão complexa e que entre os mais jovens que experimentaram o trabalho home-office a resposta é SIM. Mas, há ressalvas. Trabalhar em casa não é para todo mundo e misturar o profissional com o pessoal tem seus problemas.
Uma pesquisa feita pela ADP Research Institute em vários países do mundo, tentando entender o impacto do retorno ao trabalho presencial nas empresas, detectou que os mais jovens não querem voltar. E se for para voltar, preferem mudar de emprego.
71% dos que tem entre 14 e 26 anos não deseja conviver com o ambiente de trabalho, prefere ficar no lar. Deseja manter a atividade profissional dentro de casa. Vale lembrar que esta não é uma condição geral, ela é parcial. Poucos podem optar por isso, 5% dos trabalhadores ativos.
O “luxo” da escolha, entre ficar em casa ou pedir as contas é para poucos. São os privilegiados com qualificação que tem opções de empregabilidade e por isso fazem o discurso do querer se manter no home-office.
A grande maioria dos trabalhadores brasileiros retorna ao ambiente de trabalho e se saíram dele é porque foram demitidos. Em grande parte, a vida profissional não é escolha e sim imposição, obrigação e sobrevivência.
Claro que temos alterações importantes no ambiente de trabalho que a pandemia gerou. Mudanças que de certa forma impactam a vida de grande parte da população. Temos que pensar na prevenção e qualidade de vida.
Outra questão fundamental é que não se mistura trabalho e vida doméstica com facilidade. Esta história de que a convivência com as pessoas da nossa vida íntima com mais intensidade gera conflitos é fato. Não estávamos em um cotidiano em que a intensidade de uma relação era a convivência estendida. “O amor precisa de um tempo para continuar amando”.
Para a saúde de uma relação, seja ela entre pais e filhos ou de parceiros em um casamento, tem que ter um tempo para não desgastar em uma só vez o que se precisa de uma vida inteira para preservar.
No ambiente de trabalho as oportunidades de as relações serem mais produtivas e interativas são maiores. Muito do que o trabalho presencial oferece o home-office não pode resolver ou permitir. A relação frente à frente, o sentir as pessoas, gerar confiança e oportunidade são importantes na vida profissional.
Logo, voltar a empresa não é ruim. O equilíbrio continua fundamental. Sua casa não é uma empresa e o lucro do negócio podem não ter a mesma lógica que os ganhos da vida pessoal.
Sêneca, filósofo e senador romano, considerava que o comportamento ético daquele que está à frente de um cargo público, da liderança, seria a retidão. Platão comungava com estes valores bem antes dele. Mas foi o homem público de Roma que se tornou conhecido pela defesa de uma ética. Ou, o que Epicuro chamava de estética do bom comportamento.
Na vida profissional, o líder sempre foi desenhado como um ser humano perfeito. Impecável na conduta e de atos assertivos sempre. Impositor no comando, destemido, sem medo de correr riscos. Um super-herói que gerava suspiros de admiração.
Um lugar que traduziu durante muito tempo este modelo de homem impecável foram os quadrinhos onde os super-humanos transitaram. Nunca se abalavam e eram capazes de renunciar a suas vontades e desejos pelo dever a ser cumprido. Quase sempre solitário, o super-herói era inalcançável.
Isto mudou...
Agora nos filmes de grandes produções que retratam os heróis, eles estão envolta com suas dores e dilemas. São capazes de pensar em abandonar sua função vital para a sobrevivência humana por causa de um conflito amoroso, um comportamento incorreto e, até, sofrerem de depressão. O herói e humano.
Será que a lição serve para a vida profissional? Será que líderes mais humanos estão fazendo mais sucesso? E a resposta é sim. As empresas e as pessoas se cansaram do inalcançável e passaram a conviver com o possível. Prefere-se um igual a um sobrenatural por perto. Pelo menos esta é a tendência das corporações na atualidade.
Um profissional que se envolva com sua equipe de trabalho, com as pessoas com quem se relaciona todos os dias, precisa ser humano. Claro que, não estamos aqui falando de um delinquente descontrolado ou mal-educado que considera que todas as suas falhas estão perdoadas.
Deixamos para os objetos publicitários, divulgados constantemente na mídia, a estética da perfeição. Idolatramos as coisas. E que bom que a tendência de observarmos os seres humanos como são imperfeitos, é saudável.
Você sabe quantos anos a Terra tem? Mais de 4,5 bilhões de anos. É muito tempo. Já, o ser humano, a espécie que mais degrada o Planeta, tem um pouco mais de 195 mil anos de existência. Resumindo, somos um segundo de vida em um ambiente vivo que já tem mais de 24 horas. Somos, na percepção do tempo, um “nada” em meio a infinidade da vida.
Logo, esta conversa de que temos que “salvar o Planeta”, nós temos é que salvar a nossa própria pele. Porque o Planeta vai se regenerar. Ele consegue refazer sua existência. Terá uma condição de quando se livrar de nós, que somos um fungo em sua pela, seguir seu curo.
Por isso, precisamos salvar o meio ambiente no qual nós somos os maiores interessados. Temos que preservar a nós mesmos. Por isso, no Dia Mundial da Terra, é bom dar atenção ao lugar em que vivemos. Este Planeta vem de “longa data” e seguirá seu curso. Nós, seres humanos, acabamos de nascer e podemos estar com os “dias contados”.
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