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Precisamos aprender que não estamos sozinhos. As outras pessoas contam e podem ter opiniões diferentes e divergentes da nossa. Não somos senhores da verdade. Nossa forma de ver e compreender o mundo não é única.
Logo, o que está por de trás destes radicalismos que assistimos hoje? Se consideramos que parte destes radicais tem até um histórico escolar, frequentaram a academia, tem quem tenha graduação e pós-graduação. A questão não é a educação formal.
O que falta para estas pessoas é a educação que vem do dia a dia. Aquela cotidiana. A da família, dos amigos, do lugar onde vive. Dos ambientes que frequenta e da falta de convívio com a diversidade. Raramente se permite relacionar com as diferenças.
Carrega-se preconceito impregnado pelo não convívio. A falta de experiência com o que não é semelhante predispõe a negação do que não se conhece. Uma experiência ruim se faz regra e as associações pobres são lógicas que se tem como uma verdade absoluta.
O país sofre de ignorância crônica. O preço desta incapacidade é pago por todos. Ser desconhecido é ignorado vem muito de rotulado. A realidade de inúmeros brasileiros que vivem na miséria está diretamente ligado a ignorância. O mundo dos esquecidos é o mesmo da ignorância generalizadora e das pessoas que amam viver com os iguais.
Precisamos conviver e aprender a conhecer com quem convivemos. Saber de quem são e como vivem os que não representam o que somos e tem uma forma diferente de ver o mundo.
O aprendizado é a diferença e não a semelhança. Mudança é conhecer o diferente e não permanecer na mesma posição. Não por acaso vivemos retrocessos. Conservadorismos banais e defesas de valores sem sustentação.
Melhorar é aprimorar a forma de ser e conviver e não eliminar quem não se enquadra naquilo que consideramos o “certo”. Toda a certeza que necessita ser afirmada de forma impositora é teoria frágil ou meia verdade.
A Bayer está monitorando os colaboradores temendo perder talentos. Para isso, a empresa farmacêutica e de produtos agroquímicos criou uma ferramenta de satisfação. Ela busca diagnosticar o comportamento do colaborador em relação ao ambiente da empresa, os estímulos de rendimento e mesmo os cursos oferecidos. A Bayer não quer perder talentos.
E se você considera que isso é coisa de empresa multinacional, está redondamente enganado. Não é. Muitas empresas de pequeno e médio porte tem perdido elementos importantes de suas equipes. E o prejuízo é grande.
Já estamos vivendo uma escassez de mão-de-obra qualificada e perder alguém eficiente tem um preço elevado. Repor é difícil, custoso e demorado. Então, por que não evitar perder?
A mentalidade rasa de alguns gestores acaba por explicar. Eles consideram que é fácil substituir qualquer colaborador. Costumam generalizar e confundem reconhecimento com excesso de tratamento, acham que é “passar a mão na cabeça”.
Claro que é preciso ter critério para saber quem tem talento e quem não tem. Porém, vale a pena lembrar que o ambiente onde estamos conta muito para estimular o desenvolvimento profissional. Nem todos os locais de trabalho geram esta possibilidade.
Volto a lembrar, talentos não existem somente em grandes empresas. Estão ao nosso lado e em lugares modestos. Empresas menores tem grandes potenciais. Eles podem ser estimulados para uma melhora e crescimento. Podem não ficar na empresa, mas podem preparar pessoas para substituí-las.
Lembrando que o que retém um funcionário em uma empresa é menos o salário e mais o ambiente de trabalho e a perspectiva de futuro. As pequenas e médias empresas podem oferecer isso.
Desemprego machuca e quando dura muito tempo chega a nos convencer da nossa incapacidade de ingressar no mercado de trabalho. Os efeitos colaterais são imensos, prejudicando as relações pessoais. Parece que somos inúteis. Fadados ao fracasso.
Hoje, a maioria dos desempregados são mulheres jovens, dois terços. Elas estão na faixa de idade entre 19 e 28 anos. Os com mais de 50 também são uma fatia expressiva do bolo do desemprego. Ainda mais se não tem qualificação. Dos desempregados 80% só tem o ensino médio. Os dados são da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia.
Ter o Ensino Médio não significa dominar todo o conhecimento que esta titulação expressa. A grande maioria dos desempregados não domina plenamente a língua portuguesa e matemática. O que dirá outras áreas de conhecimento. Não generalizando, sendo poucas as exceções.
Vale lembrar que quanto mais desqualificado, mais tempo desempregado. Entre os mais jovens e do sexo feminino, há um desemprego que se arrasta por mais de dois anos. E quanto mais o tempo passa, mais difícil a inclusão no mercado de trabalho.
Segundo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), 29% da população é analfabeta funcional. O que significa que não saberia se qualificar ou estar preparada para aprender operações básicas do trabalho. A qualificação é um obstáculo imenso.
A leitura que deveria ser o carro chefe da superação do analfabetismo funcional e permitir a população um acesso a conteúdo fundamentais para se aprimoramento, também não é prática comum. O número de leitores está diminuindo no país. Entre 2015 e 2019 foram perdidos mais de 46 milhões. Pessoas que abandonaram o hábito de ler. 52% dos brasileiros têm o hábito de ler mais de quatro livros por ano. O que é pouco.
Errar é humano, sim. Contudo, não é a finalidade do que fazemos. Não vivemos para errar. O acerto é quase sempre o resultado de muitos erros. Difícil alguém que nunca errou.
Errar é a condição fundamental para o aprendizado. Errando que se aprende. Por isso, maravilhoso quem admite seus erros. Triste quem nunca os assume e ainda busca transferir para os “ombros” dos outros suas falhas e equívocos.
Vivemos a idolatria da perfeição do que não existe como condição humana. As coisas podem ter seu “ar” de perfeição, mas o ser humano não. Somos feitos de erros, da construção eterna das possibilidades de superação.
Se existe superação existe algo a se aprender, sempre.
Esta condição me lembra uma música de Toquinho, Errar é Humano, que vale a pena lembrar um trecho da letra...
Não, não é vergonha, não
A vida irá, você vai ver
Não, não é vergonha, não
Não, não é vergonha, não
Não, não é vergonha, não
Para ouvir a música completa:
https://www.youtube.com/watch?v=hFdx4fbN9_Q
A questão fundamental é se queremos continuar errando ou se nossos erros são resultado de tentativas. O que fazemos com nossos erros, aprendemos, revemos, repensamos. Se fazemos isso, no final amadurecemos, e isto é o mais certo a ser feito. A maturidade nos faz errar menos.
Mesmo que depois de um bom tempo continuamos errando, isso nos dá uma tranquilidade de se estar avançando. Sempre se associa o progresso em uma jornada com os acertos, mas os erros, tropeços, são sinais de que descobrimos por tentar o que pode e não se pode fazer.
O país tem no ensino técnico uma solução para o futuro. Ter uma habilidade profissional que possa ser aprimorada ao longo do tempo daria a muitos jovens um futuro. Hoje eles não têm. Estão desenhando um “amanhã” amargo com a sombra do desemprego.
Pesquisa feita pelo Itaú Educação e a Fundação Roberto Marinho aponta que a maioria dos estudantes gostaria de ter ensino técnico em conjunto com o Ensino Médio, mas de 70%. Também, consideram que a carreira técnica seria uma oportunidade, mas de 60%.
Na Europa, metade dos estudantes optam pela carreira técnica para o futuro de sua vida. No Brasil o percentual é bem menos, 8%.
Ainda temos a mania de considerar que o ensino superior será mais seguro e nos dará a inserção social que desejamos. Isto é ilusão. Parte considerável das profissões que as universidades formam não existiram nos próximos dez anos. Mais que isso, 60% dos jovens que se formam não atuaram na sua carreira profissional.
O país já apresenta dificuldade de crescimento econômico por falta de mão de obra qualificada. Muitas empresas anulam projetos futuros por não ter pessoas que executem as atividades específicas.
Logo, a qualificação técnica é importante para as pessoas e para as empresas. Sem esta qualificação estamos comprometendo o futuro das pessoas e dos negócios.
Trabalhar estressa? Claro. A ideia do trabalho como uma condição de felicidade é uma propaganda ilusória. Ele deve ser motivador e satisfatório, não um paraíso constante. Raros são os casos de que o trabalho é fator de alegria constante. Há muita frustração no trabalho.
Ele é realizador também. Nele construímos a maturidade e a especialidade de resolver questões relevantes para o mercado. O que pode valorizar nossa atividade e resultar em uma remuneração cada vez maior. Isso é fruto de esforço, treinamento. Capacidade de suportar pressão e de ser resiliente.
Agora estamos a volta com os problemas mentais que a atividade profissional gera. E não é pouca. Há muita tensão no trabalho e isso não se separa da vida pessoal. O que é outro mito que muita gente defende e não se comprova. Não há fronteira segura, clara e sólida entre a vida profissional e pessoal.
Uma pesquisa feita pela Global Lerner Survey, feita pela Parson, uma das maiores plataformas de educação do mundo, mostra que a grande maioria das pessoas desejam que a saúde mental seja um tema mais trabalhado dentro do ambiente corporativo.
Segundo a pesquisa, 71% dos empregados consideram que as empresas deveriam ter algum tipo de atividade incentivando a saúde mental de seus colaboradores. 61% consideram que seria necessário benefícios nos planos de saúde que envolvesse saúde mental. 90% defendem a necessidade de férias remuneradas para o tratamento do problema. Um dado interessante é que 51% consideram que o tema deveria ser discutido na empresa, em eventos promovidos.
A pesquisa foi feita em quatro países além do Brasil, China, Índia, Estados Unidos e Reino Unido. Entrevistou 8.170 pessoas. No Brasil foram 1001 entrevistados, entre 16 e 74 anos.
Nas empresas deve haver mecanismos que cobrem produtividade dos colaboradores, temos que ter esta medida. A busca por eficiência é uma realidade e tem que se aplicada. O problema é como isto é feito dentro das empresas.
Há um problema de liderança que se confunde com a imposição e agressão que passam da conta. O excesso mata e é “via” de mão dupla. Tanto para o autoritarismo e repressão excessiva como para o afrouxamento e tolerância de erros.
Se não soubermos lidar com os seres humanos tirando o melhor e valorizando suas qualidades, a produtividade tão esperada não vai ocorrer. Não significa “passar a mão na cabeça” e sim respeitar as pessoas sem deixar de cobrá-las em suas obrigações.
Ofender a vida pessoal não é forma de estimular ninguém a trabalhar. Fazer pressão em alguém com um perfil inseguro não dará a ele segurança. Oprimir funcionários em frente aos seus colegas de trabalho não dará ao líder respeito e nem fará com que os outros passa a valorizar a liderança que tem.
Por isso, há problemas de saúde mental dentro das empresas, isso é fato. Temos que aprender a lidar com esta condição de maneira eficiente e sabendo que o capital humano é fundamental para atingirmos aquilo que desejamos. Pessoas são importantes. E este posicionamento tem que ficar claro na empresa.
O que é o futuro. Se coloca o amanhã como se algo possível de controlar plenamente. Nem tudo está em nosso controle. Os economistas colocam que o futuro deve ser prevenido com reserva financeira. Guardar dinheiro, pensar que uma crise econômica pode ser o pior dos males. De certa forma sim, devemos nos preocupar com o futuro financeiro.
Há algo além do futuro material. Como estaremos amanhã para poder administrar o inesperado. Teremos capacidade de administrar o que vem e não foi planejado?
Esta condição não depende de quanto dinheiro temos, mas quem somos. Se nossa qualidade humana está preparada para se refazer e recomeçar ou mudar quando é necessário. Isto é a qualificação quem gera. E não é só o conhecimento que aprendemos na academia ou em nossas experiências.
O ser humano com o capital mais eficiente diante do inesperado é quem tem qualidade pessoal e potencial de mudança. A resistência a crise é o ser que as enfrenta em conjunto com as condições que a geram.
Conquistar o respeito por mérito nos dá a capacidade de enfrentar problemas e estar preparado para todos os momentos. Invista em você.
Crie qualidade humana mais que aumentar o capital material. O patrimônio é uma construção das pessoas. Quanto melhores elas são, mais coisas se constroem.
O Paraná é o estado com a menor renda e a maior desigualdade entre os Estados do Sul do Brasil. Hoje, a renda média dos paranaenses é de R$ 1.529,00. Inclusive uma queda de 5% em relação ao ano de 2020.
O Estado perde para o Rio Grande do Sul, com uma renda média de R$ 1.767,00, e para Santa Catarina, com uma renda de R$ 1.685,00. Também está abaixo da renda de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Outra característica da riqueza no Estado é sua desigualdade. 10% da população mais rica contém 36,6% da riqueza. Metade dos mais pobres fica com 19,3%. Se pecarmos 50% dos que tem a melhor renda, eles ficam com mais de 80% da riqueza do Paraná. O que leva os mais ricos a ganharem 149 vezes mais que os mais pobres.
Este encantamento pelo Estado como se a riqueza estivesse disponível para todos é uma falácia. O grau de especialidade dos paranaenses continua extremo. As regiões de maior investimento continuam concentradas. As principais cidades do Estado detêm mais da metade da riqueza. Concentrando a população e fazendo com que as periferias das cidades polos arregimentem trabalhadores vivendo a margem da riqueza.
Não podemos considerar a desigualdade no Estado como se ela fosse algo pontual e distante da riqueza. As regiões se avizinham e os mais pobres estão do lado dos mais ricos.
Precisamos mudar isso. E a forma é o investimento na qualificação e nas condições estruturais da população de baixa renda. Temos que melhorar o rendimento através da produtividade e não da transferência pura e simples de renda sem um propósito. Isto gera acomodação pelo mais pobre e um ambiente propício para a exploração do mais rico.
Cada vez mais investimos em ambientes de acesso a qualidade de vida estão afastados entre os mais ricos e os mais pobres. Eliminamos a condição de convivência entre a população de baixa renda. Observe, estamos cada vez mais distantes fisicamente entre as regiões da “plena satisfação” e da carência absoluta.
Observe as regiões metropolitanas, moramos lado a lado e não convivemos. Isolamos e buscamos o distanciamento para que as carências de uma parte não venham a prejudicar o sentimento de abundância e bem-estar da outra.
Mas este não é um problema só nosso. Esta é uma tendência mundial. Uma condição que o mundo vive em uma escala variável, assim como a distribuição espacial destas áreas. A sociedade de consumo não deseja conviver como os que não podem consumir.
A ilusão do shopping eterno e dos grandes condomínios fazem com que parte dos ávidos consumidores não queiram acordar de seu sonho. Para isso, “erguem os muros”.
Na estatística se tem um fator de avaliação chamando “média”. Na vida ela nos serve para muitas coisas positivas. Mas quando se fala em algumas avaliações onde a desigualdade é relativamente grande, a “média” pode camuflar a verdade.
Um destes casos é o índice de consumo das cidades paranaenses. Um levantamento feio pelo portal BemParaná. Em 2022, o potencial de consumo do Estado está em R$ 366,73 bilhões. O que dá para cada morador do Estado um potencial anual de R$ 31,6 mil, por ano. Lembrando que o Paraná tem uma população estimada de 11,6 milhões.
Se a média parece boa e se pensa que toda a população tem acesso a este valor, há um engano. Dos 399 municípios, 53 cidades do Paraná de melhor potencial de consumo é onde mora 52% da população. Nelas, a média de potencial de consumo está acima da estadual. O que denuncia uma desigualdade significativa entre a população do Estado.
Você pode até considerara que quem lidera o ranking do poder de consumo seja uma grande cidade do Estado. Não é. Quatro Barras é a líder com uma população de um pouco mais de 4 mil habitantes, localizada no oeste do Paraná. A média de consumo anual da cidade é de R$ 40.563,94.
Contudo, a segunda e terceira colocadas são Maringá e Curitiba. A primeira com um potencial de R$ 39.750,55 e a segunda com um potencial de R$ 39.293,67. Na sequência vem Pato Branco e Londrina.
Lembrando que 86,7% das cidades do Estado estão à baixo da média. Para ser ter uma ideia, a cidade de Doutor Ulysses é a que tem o menor potencial de consumo do Paraná, com R$ 13.212,17. A cidade fica na região metropolitana de Curitiba. Logo, uma desigualdade que se avizinha. O que não é incomum no Estado.
Por isso, a média é traiçoeira e em um país como o Brasil ela serve para distorcer uma realidade que generalizada não denuncia problemas graves e ambientes completamente diferentes.
E o Tribunal Regional Eleitoral disse “não” a Sérgio Moro. O ex-juiz da Lava-Jato não conseguiu comprovar e ter aprovado o domicílio eleitoral por São Paulo. O agora político do União Brasil, Moro justificou que a capital paulista era seu “hub”, onde ele centraliza suas operações profissionais. Seu endereço era um hotel. Mas, a justificativa não colou.
Cabe recurso da decisão. Mas a imagem de Sérgio Moro não é mais a mesma e isso é fato.
Sérgio Moro que já foi aclamado como herói nacional e levou pessoas as ruas que o consideravam o “salvador” do país, agora veem sua imagem decair, se desfazer.
Quando se filiou ao Podemos, afirmou que sua candidatura era algo certo, que jamais recuaria, que tinha uma missão nacional. Não foi bem isso que aconteceu. Ele desistiu, mudou, se mudou e não foi a lugar algum, pelo menos até agora.
A ambição parece ter movido Moro. Tomado pelo sentimento de “predestinação” que considerava ter diante da população que o ovacionava, ele considerou que nada o impediria. Tropeçou por não entender o terreno onde pisava, foi vítima de seu olhar nebuloso e embaçado pelo “nevoeiro” de sua ilusão.
Agora, paga pelos excessos de desejo e a falta de juízo. Aos poucos vai cumprindo sim o seu destino, de ser quem é e amargar o resultado de suas escolhas equivocadas.
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