Gilson Aguiar

Gilson Aguiar

By Gilson AguiarEducationSelf-Improvement
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Gilson Aguiar episodes

  • Alucinado não é visionário

    “Progressista”, o que esta palavra te lembra? Ser progressista me parece um tanto “senso comum”. Está na bandeira do Brasil e foi inspirada na frase do “pai da Sociologia”, Augusto Comte. Inclusive, os marxistas são opositores do positivismo ferrenhamente. Denominado por eles uma tese mecanicista.

    Mas, voltemos a palavra “progressista”. No Brasil há partidos de centro-direita que tem ela em sua sigla. A ditadura miliar usou este termo para definir a meta de desenvolvimento e considerava que era uma forma de combater os comunistas que desejavam o retrocesso.

    Falando em comunistas, eles desapareceram. Os partidos de defesa das teses clássicas de Marx sumiram da vitrine e do holofote dos debates ideológicos. Para te falar bem a verdade, o que se tem mais perto da esquerda hoje é uma postura liberal, fundada em um Rousseau. O que os ferrenhos de esquerda chamam de perfumaria “pequeno-burguesa”.

    Mas, porque estou insistindo sobre o uso da palavra “progressista”. É que agora, tem comentaristas, analistas políticos, educadores e alguns que se autodenominam pensadores de direita, que usam a palavra progressistas para identificar a esquerda.

    Há até os alucinados que consideram que o movimento de esquerda é financiado por empresários capitalistas para implantar ditaduras no mundo e concentrar a riqueza. Ou seja, a ascensão de personagens políticos com Putin e Biden, líder russo e norte-americano, respectivamente, fariam parte da mesma trama.

    O que é impressionante, quando me deparo com esta lógica, me lembro que antes eram encontradas em mesas de bar, na mente de em um deslocado mental, em um aluno desorientado de uma instituição de ensino superior, ou aquele chapadão inofensivo que poucos davam crédito, só os menos desavisados lhe davam atenção.

    Agora, eles têm colunas em jornais, fazem palestras, comentam em rede nacional, são professores universitários, com mestrado e doutorado, líderes políticos e são chamados de mentes brilhantes. Este é o sinal da crise, a ignorância idolatrada e a limitação mental tida como sabedoria. As coisas realmente não vão bem.

    4 min
  • Como será a eleição?

    Os dois principais candidatos devem ser protagonistas dos principais temas e fatos que vão marcar esta eleição. Também serão o alvo das críticas dos demais candidatos na busca de ascender no gosto do eleitor. Logo, tanto o PT, partido do ex-presidente Lula, como o PL, partido do atual presidente Jair Bolsonaro terão trabalho. Por um lado, tem que firmar a posição e, por outro, se defender dos ataques dos inimigos.

    O número de candidatos é surpreendente, 12, não é muito e ao mesmo tempo demonstra uma divisão importante no jogo principal. Candidatos que devem ter mais atenção do eleitor são Bolsonaro, Lula, Ciro Gomes e Tebet. Lembrando que os dois últimos vão depender de suas ações para ganhar a atenção ou virar meros coadjuvantes como os nanicos que vem na sequência.

    Dos candidatos a disputa, Lula tem a maior aliança de partidos ao seu lado, seguido por Tebet e Bolsonaro. O petista terá o maior tempo de rádio e TV. Para os aliados do presidente Jair Bolsonaro, isto não é considerado um problema, já que em 2018 a vitória veio sem praticamente espaço na mídia tradicional.

    As mulheres ganharam visibilidade, pelo menos com seus nomes na disputa como candidatas a presidente ou vice, elas são nove. Um número relevante. Mas, entre os que despontam com possibilidades, mesmo que mínimas, de uma vitória é Tebet e sua candidata a vice, Mara Gabrilli e Ana Paula Matos, candidata a vice na chapa de Ciro Gomes. Os dois principais candidatos não optaram por ter uma mulher ao seu lado na disputa.

    5 min
  • Democracia não é o problema

    Ontem o foco foi falar da “Carta em Defesa Pela Democracia”. Ontem foi o dia de defendermos a liberdade de escolha e o respeito ao resultado desta escolha. Ontem foi um dia de falar da legalidade e garantir os avanços da Constituição. Ontem foi um dia importante.

    Mas, o problema não está só na ameaça as regras do jogo. Do temor que se tem de um golpe de estado. Quem teme mudar a regra do jogo é porque sabe que ela não lhe favorece. Na história do país esta é prática que já aconteceu inúmeras vezes.

    Roubos de líderes do governo, desvio de recursos públicos, quase toda a localidade tem seus exemplos e suas marcas. Corrupção neste país é palavra corriqueira e prática costumeira. Sempre teve, sempre foi feito. Digo mais, tem gente que entra na política atraído por esta possibilidade. Quando uma prática passa de pai para filho é porque rende.

    Ontem foi o dia de falar da “Carta em Defesa Pela Democracia”. Todo dia é para não esquecer que a democracia é fundamental, mas ela só é boa se aprendermos a escolher, a saber o que fazer com a liberdade, mudar os erros e construir acertos. Se isso não acontecer, a democracia de nada vale.


    3 min
  • Elas são agredidas e tem o poder da escolha

    A violência contra a mulher é um fato preocupante. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2021, os registros de violência contra a mulher naquele ano foram de mais de 88,7 mil casos. A violência praticada vai desde homicídios e feminicídios até agressão moral.

    Em comparação com 2020 a violência cresceu 4,9%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A violência psicológica foi a que mais cresceu entre 2020 e 2021, sai de duas para 2.978. Acredito que é possível compreender este crescimento pelo aumento de denúncias e não por novas ocorrências.

    A maioria dos atos de violência se dá por pessoas próximas a estas mulheres, parceiros e ex-parceiros, principalmente. O contexto da agressão são os mais variados. Na maioria ações passionais, a resistência do homem em aceitar o fim de um relacionamento pela mulher.

    Não se submeter tem seu preço. Lutar para se libertar de uma opressão, mando, perseguição e humilhação o que se paga é caro e pode custar a vida para muitas mulheres.

    Ironicamente elas são a maioria dos eleitores, 53% segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Dos 156,4 milhões de eleitores, elas são 82,3 milhões. Elas têm o poder da escolha e são tolhidas no dia a dia quando vão exercer a escolha que tem. Por quê?

    Será que as mulheres temem a liberdade de escolha e o direito de expressar no voto o que consideram melhor para a sociedade e principalmente para elas? Isso, por que elas temem ser oprimidas caso não escolham quem o patriarcado impositor impõe? Temem serem agredidas pela escolha que fizeram?

    Se a resposta for sim, seria importante dizer para que elas não tenham medo e paguem para ver.

    3 min
  • Brasileiros que não existem

    Como fazer se você não existe? Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que metade dos moradores de rua não tem registro no CadÚnico, Cadastro do governo federal que permite o auxílio do governo e inclusão em programas sociais.

    No período mais alto da pandemia, 2020 e 2021, o cadastro chegou a atingir dois terços desta população, mas agora, com o afrouxamento das regras sociais se descobriu que esta população é maior.

    Aqueles que não estão registrados alegam que perderam seus documentos e não tem condição ou instrução, informação, para tirarem outro. Também, há os que afirmam que a burocracia para se cadastrar no CadÚnico impede sua inscrição, filas imensas e número de inscrições limitadas.

    Porém, há o outro lado, até a onde os governos se interessam em cadastrar estas pessoas? Com o fim das restrições, a prática de desprezo as populações de rua e a falta de políticas públicas para dar uma solução definitiva a esta situação agrava o problema. No final, o que se quer é tirar o morador de ruma de frente dos nossos olhos.

    Como no caso dos resíduos, o que faz lembrar das pessoas em condição de ruas e enxergá-los no dia a dia e ser abordado por eles pedindo ajuda. Mais, temer os locais que eles frequentam e circulam porque tememos a ameaça e suposta violência que eles estão associados.

    Não é de se admirar esta situação dos moradores de rua. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), três milhões de brasileiros não tem registro de nascimento. A maioria por desinformação e analfabetismo, dois fatores que conjugados são letais para que uma pessoa passe existindo e “não-existindo” na sociedade.

    Como sempre, o problema é maior nas regiões mais pobres do país. Enquanto os que não tem registro no Sul do país são 0,28% desta população, no Norte são 7,5%. Logo, o problema não é um padrão nacional e sim uma expressão de sua imensa desigualdade regional.

    Se queremos resolver o problema dos brasileiros, se queremos que as políticas públicas se efetivem e, antes de tudo, resolver o problema, há que conhecer a dimensão dele, quantos precisam e onde estão, fazer com que as pessoas existam.

    3 min
  • Não controlamos tudo

    Não controlamos tudo e nunca vamos controlar. Se temos o poder de decidir, as consequências de nossos atos não são abrangentes e atendentes de nossas vontades e percepções. Há limite entre o que desejamos com nossos atos e o que atingimos quando os praticamos.

    O que podemos fazer é ser conscientes destas limitações, conhecer melhor as consequências dos nossos atos e as pessoas que são atingidas. No limite do que podemos fazer podemos contribuir para que a inteligência, respeito e ética amenize as consequências do que não controlamos.

    4 min
  • A importância da alteridade

    Há um destino que podemos controlar? Parcialmente dominamos uma parcela do que ocorre conosco. Outra parte, não dominamos. Logo, nem tudo o que ocorre conosco é responsabilidade nossa.

    Mas, somos totalmente inocentes? Não, há uma cumplicidade no que produzimos em conjunto com nossos “cumplices”. Aqueles com quem convivemos e geramos as condições que nos faz agir de uma maneira ou outra.

    O que nos faz ter uma probabilidade maior de sabermos as consequências de nossos atos é conhecer as pessoas com quem nos relacionamos e aquelas que recebem os efeitos de nossas atitudes.

    Não é “se colocar no lugar nos outros”, isso é impossível. A vida de cada um é a vida de cada um.

    O que podemos conhecer é o contexto em que as pessoas vivem e como nossas relações alteram a vida dos outros. Se fizemos isso, nossa vida passará a ser mais coerente e nossas decisões mais assertivas.

    3 min
  • Política no Brasil tem áreas de comédia e atos de tragédia

    Não me preocupa divergência ideológica, isso nunca fez mal a ninguém. O debate entre um projeto diferente de país é saudável e necessário. Discutir soluções para um problema sendo visto de pontos diferentes, perspectivas distintas sobre uma mesma questão, que mal isso faz? Ajuda a esclarecer e compreender melhor.

    Vale lembrar que não é isso que estamos vivendo. Hoje, este país vive o embate entre a má educação e a gentileza, o respeito e o desrespeito, a grosseria e a polidez. O país assiste hoje o embate entre a irracionalidade e a racionalidade. Ou seja, de um lado a agressão e do outro a falta de educação.

    A miopia intelectual é tão grande, que agora a debilidade mental ganha status de brilhantismo e a ofensa, a agressão, de liberdade de expressão. Isto está certo? Claro que não.

    Para encerrar, o que ainda me deixa mais assustado e triste, que pessoas que se posicionam como liberais, que defende ideias que já foram revolucionárias na Revolução Francesa de 1789, que eram taxadas como de esquerda durante os governos absolutistas de 200 anos atrás, agora são chamadas de “comunistas”.

    Seria uma comédia, se não fosse trágico.

    3 min
  • Hipocrisia e a lógica do poder

    A internet é algo fantástico em um momento como este, um ano eleitoral. Divertido ser bombardeado por internautas bem-humorados que resolvem lembrar o que os homens públicos e pré-candidatos e candidatos dizem hoje e o que já disseram durante sua trajetória.

    O como sai da boca de homens públicos inúmeras falas soltas que se comparadas com o que defendem hoje demonstram a tremenda incoerência, contradição e hipocrisia. Tem de Lula criticando Alckimin, seu atual vice, a o próprio Alckimin chamando o Lula de ladrão.

    Em outra, o atual presidente diz que é necessário fechar o Congresso, que lá há um mal e que os velhos líderes que fazem a política no parlamento são o problema no Brasil. Hoje, estes mesmos criticados são seus principais aliados. Não vou negar, é muito divertido.

    Ciro Gomes hoje critica Lula e no passado o elogiou. Dória elogiando Bolsonaro e hoje o critica. Tem de tudo e muito mais.

    Assim se faz a política, o inimigo de ontem aliado de hoje e o parceiro de hoje o concorrente amanhã. Qual a finalidade disso? O poder, o jogo por ele.

    Logo, não é difícil entender a autor de O Príncipe, Maquiavel. O italiano dizia que na lógica do poder não se faz inimigos e sim amigos, não se respeita alianças, tudo vale para se chegar ao poder.

    Não recrimino os homens público por esta incoerência. Os aliados na política são realmente poucos, geralmente, nenhum. Um ambiente que não é para todos e poucos sobrevivem.

    Por isso, na política, há que se ter vocação e ser profissional. Como se diz popularmente, ter estômago de avestruz e saber jogar o jogo.

    3 min
  • Cultuamos nossos problemas e soluções

    O valor que a cultura tem poucos percebem e muitos não reconhecem. Cultura, a prática de atos constante carregados de valores e que são determinantes para entender ações e lhes dar sentido. O culto, adoração e valorização de algo ou alguma coisa. O cultivar, cuidar, manter, plantar, regar, ver crescer e colher determinadas ações.

    Sim, a cultura que se desenvolve no campo ajuda a entender aquela que estabelecemos no dia a dia de nossas vidas. Cultuamos parte considerável dos comportamentos que temos, os que nos fazem bem ou mal. O “campo fértil” para determinadas ações está diretamente ligado a cultura que produzimos todos os dias.

    Logo, não há o que se espantar ao vermos ações de agressão que se repetem constantemente. Ficamos admirados e buscando uma lógica para que isso ocorra. A um culto a esta ação. Somos os estimuladores do mal que nos aflige. Cúmplices.

    Se observarmos o quanto faz sucesso pessoas que vendem ideias rasas como solução para problemas complexos. O discurso do ódio está disseminado e têm inúmeros adeptos. Não por ser uma verdade entendida de forma lógica. Não por se perceber razão profunda, mas por se ter limitação mental que faz de critérios e análises pobres um argumento aparentemente sustentável.

    Nos falta instrução. Falta formação. Não é a escola que permitirá isso. Não são os bancos escolares que fazem o milagre da multiplicação da cultura com mais profundidade e qualidade humana. Não. A escola fica muito pouco tempo com as pessoas e tem pouco significado de valor na existência de que à frequenta.

    https://youtu.be/QRevsF3I3S0

    Cultura é coisa séria. Deveríamos valorizar mais as boas obras culturais. Deveríamos ler mais, frequentar peças teatrais, conhecer o folclore, assistirmos a filmes e escutarmos uma boa canção. Com qualidade, isso é o que importa. Não seria a solução, mas daria a oportunidade de pessoas entenderem que há um mundo que elas desconhecem e que, talvez, precisam conhecer.

    Veja um caso que me preocupa...

    Me deparei estes dias com um repórter jovem e que em sua abordagem sobre um crime idolatrava o aparato policial e os atos de extermínio que promoveu sobre o que o jovem comunicador chamou de “bandidos e malfeitores”.

    Como alguém tão jovem idolatra a violência? Por que idolatramos o extermínio? Que infantilidade separar os seres humanos entre os que são “bons” e os “ruins”. Como se não existisse o erro e a mau intensão nos atos dos que se dizem serem bons.

    Cultuamos problemas querendo combatê-los com a mesma prática que o gerou. Acreditamos que a resposta dada da mesma forma será a solução para o que desejamos exterminar. Ninguém se cura da intoxicação tomando veneno.

    O jovem repórter em questão tem muitos seguidores. Faz sucesso. Tem seu prestígio construído na fala do óbvio e tendo apoio dos que transformam a medida rasa em profunda por não terem critérios mais qualificados para avaliar os fatos e as informações.

    Se considera um sucesso em meio ao culto em terreno fértil de uma violência que acumula problemas e não traz benefício para ninguém. A ironia é que os que defende o extermínio estão mais próximos de serem eliminados pela agressividade que cultuam.

    3 min

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A vida não é tarefa fácil. A gente tem que gestá-la depois de ter sido fruto de uma gestação. As coisas não param e a gente também não. Mesmo os que se neguem a se movimentar serão arrastados ou…