Gilson Aguiar

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By Gilson AguiarEducationSelf-Improvement
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Gilson Aguiar episodes

  • Os problemas dos hábitos

    As vezes queremos mudar nossos hábitos, mas fazemos as mesmas coisas sempre. Acredito que não deva dar certo uma mudança que fique só no pensamento. Uns falam que é a força do hábito. Porém, este mesmo hábito esconde uma origem que nos faz compreender melhor o porquê estamos presos a ele.

    É como aquele que viveu muitas frustrações amorosas e deseja conhecer uma pessoa diferente. Contudo, acaba tendo os mesmos problemas com a nova relação que já tinha com as anteriores. O problema não está em nossos hábitos. Por praticá-los, não conseguimos perceber possibilidades diferentes e repetimos os erros.

    Ir ao trabalho seguindo o mesmo trajeto é estar sempre se deparando com as mesmas coisas. Desta forma, nossa visão da cidade, nossa compreensão das pessoas distante dos nossos círculos sociais mais próximos, são sempre as mesmas. Não porque não há nada diferente, é que sempre estamos diante das mesmas coisas.

    Por isso, as vezes queremos mudar, mas fazemos inconscientemente as mesmas escolhas. Reproduzimos os mesmos gestos e fazemos os mesmos trajetos. Será difícil mudar de fato com esta prática. Mas, onde está a origem de tudo isso? Esta é a questão.

    Em algum momento consolidamos dentro de nós uma certeza sobre um temor que desafia nossa consciência. Tememos o desconhecido ou aquilo que pode colocar em xeque todas as nossas crenças, ou parte delas. Quando começamos a mexer mais, vamos nos deparando que a mudança está relacionada diretamente ao sentido de nossa existência e a se conhecer. E este é um caminho sem volta.

    Não por acaso, muitos preferem continuar perseguindo o próprio rabo, ter o sentimento de busca, de mudança, sem sair do lugar. Hoje uma sensação de movimento sem sair do lugar é o mundo digital e suas multiplicas escolhas que nos envolve cotidianamente. Esta sensação de angústia que não nos tira do lugar.

    2 min
  • Heróis são humanos

    Loucura ou realidade? Tempos de se perder o bom-senso. Minha mãe sempre dizia, menino, “mentira tem perna curta”. Um ditado que sempre me pareceu coerente, quase que profético. Não adianta esconder a verdade que uma hora ela aparece, pior, não adiantar mentir, criar uma versão falsa sobre as coisas, não dura muito tempo.

    Esta frase dita por tantos, gerava um certo alívio para quem sabia que com o tempo as coisas iriam se esclarecer. A maturidade nos traria o conhecimento e permitiria ações mais sábias, pautadas nas coisas como são e não como alguns gostariam que fosse.

    Porém, já faz muito tempo que vivemos mentiras. E elas não passam, se multiplicam. O número de adeptos da mentira cresce e o mais absurdo, acreditam que estão falando da verdade. Agora, gritam e se incomodam resistindo em renunciar à alucinação.

    Os que falo aqui, são adultos. E eles já tem uma certa idade. Não combina aparentemente com a idade avançada que alguns deles tem. Mesmo vividos deixaram de aprender certas coisas fundamentais na vida.

    Uma demonstração de mentiras que viram verdades é a história, aquela que aprendemos no banco da escola, seria uma verdade? Novos documentos vêm demonstrando que os heróis pátrios, tidos como perfeitos, no fundo são humanos.

    Ontem participei de um debate sobre os personagens da Independência com os historiadores Verônica Ipólito e Augusto Moretti. Repassamos através de documentos alguns dos fatos que marcaram a história brasileira. Um deles, foi José Bonifácio.

    Moretti analisou o personagem e sua trajetória através de documentos e demonstrou os dois lados de um ser humanos comum. O quanto o “patriarca” da Independência é um personagem exaltado de forma exagerada, por mais que tenha seus méritos.

    Porém, na escola a história literalmente é outra. Ficamos com o herói e esquecemos que os grandes feitos são obra humana, talvez por isso a população e sinta inútil diante da necessidade de mudanças por não se considerar capaz de fazê-la. Ficamos o tempo todo valorizando os mitos e deixamos de relatar que a história é feita por pessoas comuns.

    3 min
  • O que realmente muda e quem promove a mudança

    Ilusão da sua parte acreditar que as coisas vão acontecer do dia para noite. Que tudo será diferente e que os desejos irão se realizar. Mudanças, em uma democracia, não acontece de cima para baixo.

    Logo, se você quer realmente promover mudanças, faça isso escolhendo deputados mais eficientes e representativos, um senador que cumpre o seu papel. Conheça a diferença entre as funções do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário.

    Porém, além de tudo isso, comece a organizar a sua própria vida. Aprenda a atuar na sua comunidade, a conhecer melhor a realidade da região onde você vive, das pessoas a sua volta, da verdadeira história de seu país.

    Leia mais informações que tenham fontes seguras, aprenda a conhecer o que realmente falam as estatísticas, apoie uma educação de qualidade para seus filhos e participe da formação dele, frequente a escola onde ele estuda, conheça os professores, entenda a realidade que o cerca.

    Se você tem uma empresa, conheça mais seus funcionários, os parceiros de seu negócio, seus clientes, se interesse mais para compreender a realidade do bairro onde ela, a sua empresa, está instalada.

    3 min
  • Minhas filhas não serão a minha mãe

    Minhas filhas não foram feitas para se casarem, minha mãe sim. Certa vez comentava com meus alunos que minhas filhas não sabiam fritar um ovo, ou cozinhar um arroz e feijão. Supunha, inclusive, que se deixasse um bife para ser frito por conta delas corria um sério risco de ver a casa em chamas. Já com a minha mãe a coisa é bem diferente.

    Porém, vale lembrar, esta condição não denigre minhas filhas e nem faz a minha mãe um ideal de esposa como muitos falsos conservadores de hoje em dia querem. As minhas filhas têm um contexto de se transformar em uma pessoa independente e construir uma carreira profissional. Constituir uma família e ser uma senhora do lar não passa como prioridade para as adolescentes e jovens de hoje.

    Com a mesma idade que minhas filhas têm hoje, minha mãe já tinha constituído sua família e realizado parte considerável de seu destino. Já, as mulheres com menos de 40 anos hoje ainda tem uma longa jornada pela frente e podem ter filhos mais tarde.

    No Paraná, por exemplo, o número de mulheres com mais de 40 anos que deram à luz cresceu 49,3% em dez anos, são 5.196 nascimentos. As mulheres com gestação tardia já são mais de 102 mil, ou seja, mulheres com mais de 35 anos que ficam grávidas. Os dados são do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

    Não pense que os números vão parar por aqui, este é um comportamento que tende a crescer. E isso é uma demonstração que a prioridade das mulheres não será mais viver para o marido e os filhos, mas tê-los como escolha e em uma condição que não prive sua liberdade de seguir uma carreira profissional ou mesmo de mudar de ambiente. Enfim, isto é uma expressão de liberdade.

    Enfim, fico mais feliz com o que minhas filhas expressam em não saberem lavar, passar e cozinhar. Considero fundamental que a vida lhes dê escolhas e liberdade, isto é uma maneira de romper com a violência contra as mulheres.

    Contudo, também espero, que saibam que a liberdade lhes dá a responsabilidade de administrar a vida e tê-la como uma consequência dos seus atos, colhendo os benefícios e assumindo os efeitos de suas escolhas.

    Espero que o destino de minha mãe não se repita mais.

    3 min
  • Ética de Dom Quixote

    O que seria um ser humano de bom senso, aquele que pensa no bem comum? Como podemos definir uma pessoa ética e de responsabilidade com a sociedade onde vive? Como nós poderíamos encontrá-lo?

    Seria difícil. Porque o conceito do supremo bem, como afirma Platão e Aristóteles, não seria fácil de identificar diante de uma perspectiva cada vez mais particular do que é o bem ou o mal. Ainda mais quando algumas pessoas veem o mal onde não tem ou constroem uma realidade paralela e se alimentam dela.

    Diria que o comportamento ético de hoje em dia está mais para a aventura romanceada de Dom Quixote de La Mancha, o clássico de Miguel de Cervantes, onde cada um constrói o seu “dragão” de moinhos de vento e o vai cultuando em suas lutas, vendo “donzelas e prostitutas”, sem considerar o termo literal da palavra e sim a metáfora que nela cabe.

    Agora estatística virou ficção e a realidade uma ilusão. A verdade vem dos sonhos e a alucinação é matéria prima de construção das ideias proferidas por loucos em sanatórios. Até os sóbrios começam a ficar em dúvida sobre a sua sanidade mental.

    A única coisa que tenho certeza, por mais que as vezes duvide, é que esta emergência de bestialidade e ignorância é fruto da falta de racionalidade. Nos falta aquela orientação fundada na virtude da inteligência, a chamada educação de fino trato.

    Tudo me parece como se os piores alunos da escola, aqueles que abandonaram os estudos, os quais ninguém mais esperava grande coisa e que já tinham se convencido de que estavam reprovados para uma vida escolar tivessem feito um motim e tomado a sala de aula. Sequestraram a inteligência e executaram a sentença de morte ao professor. Escolheram os de sua pior espécie e colocaram como opção e modelo para o que se chama de boa educação.

    Por isso, se você e daqueles que se sente deslocado, com uma vontade imensa de gritar e prefere ficar calado porque sente o risco de poder ser linchado, você está com a razão, mas é melhor, pelo menos por enquanto, não se pronunciar. Esperar pelos bons ventos que tragam a paz e a lucidez.

    3 min
  • Liberdade tem seu preço

    O que é a liberdade, o quanto ela nos custa? O caminho que escolhemos tem seu preço e devemos estar cientes do quanto vamos pagar por ele na proporção de nossas escolhas. Quer, então pague a consequência do querer.

    Agora convivemos com pessoas que consideram que não há o porquê tolerar ao outro, apenas se esquecem que também são tolerados e devem respeito a divergência. A liberdade é uma via de mão dupla e andar na contramão é acidente na certa.

    O que estamos vivendo é a intolerância. Tenho presenciado isso todos os dias. Aqueles que se negam a aceitar que o contraditório existe e sem ele não há democracia. Não há liberdade ou possibilidade de expressão com garantia de opinião.

    Por isso, se todas as partes envolvidas defendem a democracia, que permitam na mesma proporção que expressam suas ideias que o posto também se expresse. A liberdade exige responsabilidade e não é uma imposição sem limites. A liberdade é jogo dos iguais respeitando as diferenças.

    Na proporção que defendo o seu direito de falar tenho o de me expressar. Na proporção que respeito a discordância tenho o direito de discordar, e ponto final.

    2 min
  • Trânsito violento se combate com a liberdade de escolha

    Estamos preocupados com as eleições, no Paraná, vários temas são pauta entre os candidatos. Porém, um deles tem sido pouco discutido, o trânsito. O que se fala são de rodovias pedagiadas, a manutenção das estradas. Tem seu valor, os acidentes nas rodovias são um problema. Contudo, a imprudência é o maior responsável.

    Nas cidades de grande porte do Estado, o trânsito urbano é uma fábrica de vítimas, nos últimos 10 anos. Não se tem ideia da quantidade de pessoas que perdemos todos os anos, vítimas de acidentes de trânsito. No Brasil, foram 381.346 vidas perdidas entre 2012 e 2021, os dados são do Observatório Nacional de Segurança Viária.

    Pelo mesmo levantamento, o Paraná perdeu no trânsito mais de 27,8 mil vidas, ou seja 7,3%. O que o coloca em terceiro lugar no ranking nacional, ficando atrás apenas de São Paulo (15,7%) e Minas Gerais (9,7%). No Brasil, em média, são 104 mortes por dia, no Paraná são 9,6.

    O incentivo ao transporte coletivo, a redução de veículos a combustão, o uso de aplicativos e taxis, o incentivo a modais não poluentes e individuais são as ações necessárias. O poder público precisa estimular e a iniciativa privada precisa perceber nesta mudança de comportamento no trânsito uma oportunidade de investimento.

    Empresas precisam se envolver nestas medidas através de ações que promova um comportamento mais ciente e consciente na sociedade. Gerar condições de uso de modais mais seguros e com maior responsabilidade com a vida. Não devemos ficar só a espera do poder público, do que ele faça. Temos que usar de nossa liberdade de comportamento e agir.

    Se fala tanto em liberdade atualmente, se reivindica o direito a escolha, se critica o poder público por não agir em busca de soluções para velhos e novos problemas. Porque não usamos do empreendedorismo para fazer a diferença. Se louvamos tanto a liberdade, porque não a usamos para resolver nossos problemas.

    3 min
  • A utopia do "liberal conservador"

    Ser conservador, o que é isso? Se fala que no Brasil existem os conservadores nos costumes e liberais na economia, como funciona esta determinação? Ela é possível?

    Vamos fazer um exercício de reflexão para chegarmos a uma conclusão, ou não. Atos em defesa da família não é coisa só de se “conservar”, mas entender qual o conceito de família que temos. No Brasil, nas últimas três décadas, as famílias estão mudando, e muito.

    A chamada família tradicional, composta por pai, mãe e filhos não é mais a maioria. Nos últimos vinte anos saiu de 57% para 42%. Tem crescido o número de famílias onde sua composição é de casais sem filhos e principalmente de mulheres chefiando a família, em grande parte, as de menor renda, mães que criam a prole sozinha. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Logo, uma família conservadora, tradicional, já está em processo de redução pela própria condição em que a sociedade estabelece as possibilidades de uma formação familiar. Em suas variáveis econômicas, como o aumento da participação da mulher ne mercado de trabalho, deve se considerar a liberdade de informação, mudanças na legislação e tendência a construção de vínculos afetivos mais sólidos do que os consanguíneos.

    Outro dado curioso é o quanto custaria manter uma família tradicional em que o homem continuasse como chefe de família e fosse o provedor, o todo poderoso. Manter o potencial de consumo dos elementos que compõe a família é muito mais elevado do que a 50 anos atrás. Haja dinheiro!

    Outro dado importante, se os conservadores de plantão querem que suas esposas trabalhem para dividirem as despesas domésticas, porque eles teriam que ter a autoridade. Se vamos rachar a conta de água, luz, aluguel, alimentação, vestuário etc. vão ter que dividir o poder também.

    Acredito que já temos dados o suficiente para entender se é possível ser conservador nos costumes e liberal na economia. Em uma economia liberal, com forte influência sobre a vida social, a conta não fecha. O liberalismo econômico faz do conservadorismo dos hábitos uma utopia.

    3 min
  • O outro merece respeito

    O “Eu”, esta invenção perigosa que coloca um indivíduo como determinante das coisas do mundo. O ser que em si se considera a medida para todos os outros. Inclusive, o outro é ser inferior e coadjuvante da vida particularmente empoderada, assim pensa o medíocre solitário em sua existência.

    O outro é importante e mercê respeito. Temos que entender que não se pode direcionar o comportamento de um ser humano. O que as pessoas escolhem para si é um direito delas, cabe a nós tomarmos nossas decisões e seguirmos nosso destino.

    Não estou falando aqui de compactuar com a violência alheia, com a agressão promovida pelo outro, usar desta justificativa para permitir, o que defendo é não intervir no que não nos diz respeito.

    Falo das coisas que o outro tem direito de agir sem ter qualquer compromisso com o que pensamos e compactuar com o que desejamos. A tal da paz necessária de existir fundado em suas escolhas e não ser sequestrado pela vontade alheia. A liberdade individual como condição coletiva passa por aí.

    Porém, os tempos agora são tensos. Os que não suportam as escolhas alheias se exaltam e estão dispostos a tudo para fazer valer o que consideram como um direito seu, invadir o território de escolha dos outros. Eles se multiplicam, são muitos, saíram da “toca” e estão a caça dos supostos “inimigos” que, para eles, insistem em pensar e agir de forma diferente.

    As pessoas são livres para fazer escolhas e nós que tenhamos a noção de que devemos administrar o que nos diz respeito e não impor aos outros aquilo que consideramos correto.

    3 min
  • Elizabeth II deixou o Século XX para trás

    Elizabeth II governou por 72 anos. Uma longa jornada de uma chefe de Estado que superou o Século XX. Um século de turbulências, marcado por duas guerras, uma corrida nuclear, Guerra Fria, queda do muro de Berlim, consciência ambiental, processos migratórios e profundas mudanças de comportamento.

    A rainha inglesa assistiu o seu país vencer uma guerra mundial, perder a hegemonia como potência líder planetária para sua ex-colônia, os Estados Unidos da América. Porém, a Inglaterra de Elizabeth II é um reino que soube permanecer na adversidade. “A ilha” era também um império e ainda é sede do Reino Unido, do qual fazem parte Austrália, Canadá e Jamaica.

    A rainha morre, mas o reino permanece. O monarca inglês não governa, mas é um símbolo de estabilidade. Uma demonstração de continuidade institucional, de respeito a regra e de saber mudá-las no tempo certo sem destruir as instituições que as sustentam. Você pode pensar que deveríamos ser mais ingleses, mas nós não somos a Inglaterra. Se quer fomos uma colônia inglesa, e mesmo se fôssemos, não sei até onde isto mudaria o nosso destino.

    Somos uma nação imensa e extensa, forjada na colonização lusitana e com aspectos bem distintos dos britânicos. Mesmo quando fundamentos o Estado Nacional, em 1822, através de uma monarquia, o nosso regime passou longe da história e da estabilidade inglesa. Nossa monarquia não durou, mesmo o último imperador, Dom Pedro II, ser mais republicano e liberal que muitos políticos que se diziam partidários da república de seu tempo.

    A Inglaterra mantém uma monarquia por séculos e faz dela um símbolo de sua identidade. O rei é a garantia simbólica de convergência das divergências, da necessidade de um acordo entorno da manutenção da unidade e respeito as instituições. Por isso, um conservador e um liberal inglês está distante do que temos em nosso território dos que se de finem por estas posturas.

    John Locke, o pai do liberalismo político, defendeu e atou pela redução do poder da monarquia, pela obediência a vontade do povo, pelo respeito as instituições e considerava o parlamento a expressão máxima da representatividade. Contudo e jamais, o pensador inglês, defendeu a extinção da monarquia. A considerava fundamental para a estabilidade política inglesa.

    Logo, o longo reinado da rainha atravessou o Século XX e soube superá-lo. Mesmo conservadora, a monarca viveu mudanças profundas no contexto mundial e em seu contexto doméstico. Ela soube superar suas crenças e dogmas que não correspondiam mais a necessidade de seu tempo. Diferentes de líderes que desejam se perpetuar no poder, Elizabeth II representou por muito tempo sua nação, sua permanência é de causar inveja aos que amam a eternidade do cargo, mas nunca tiveram competência para tê-la.

    Enquanto a rainha que faleceu ontem brilhou como imagem pública ao longo de mais de 70 anos, muitos ainda estão presos ao passado e clamam por tradições que não são capazes de exercer em sua vida prática e tem uma história contraditória e marcada por atos autoritários, obscuros e incertos.

    Não sou monarquista e considero que o Brasil não combina com o regime monárquico, por mais que talvez ele fosse um ambiente de mais estabilidade do que a república que vivemos. Porém, os ingleses e sua monarquia parlamentar nos dão uma lição, preservar as instituições e garantir a aplicação da lei é a maneira de garantir a liberdade. Mudar é uma necessidade e superar o Século XX com seus regimes autoritários e guerras uma lição, que muitos insistem em não aprender.

    3 min

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A vida não é tarefa fácil. A gente tem que gestá-la depois de ter sido fruto de uma gestação. As coisas não param e a gente também não. Mesmo os que se neguem a se movimentar serão arrastados ou…