Gilson Aguiar

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By Gilson AguiarEducationSelf-Improvement
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Gilson Aguiar episodes

  • Liberdade nos é cara e não podemos perdê-la

    A vida tem um valor. Mas como medir o valor da vida?

    A vida se mede na intensidade que a morte traz a falta. Sim, parece confuso o que disse, mas repito, de outra forma, a vida expressa seu valor quando aquele que se foi deixa uma falta.

    E não é qualquer falta, é a falta que faz. Bem diferente. Não é apenas a ausência e sim um vazio que não se preenche. Aquilo que muito se fala no trabalho, que todo mundo é substituível não é verdade.

    A falta que faz é exatamente o espaço que nunca se preenche e que ficará como lembrança de quem se foi. Se isso ocorrer, a vida tem valor.

    Não acredito na frase, “Rei morto, rei posto.” Ninguém é igual a ninguém, e os melhores nos fazem falta e só quem perdeu sabe a falta que faz.

    Isto vale para pessoas, isto vale também para condições e relações. Isto vale para quase tudo.

    Vivenciar a luta pela conquista de algo importante para nossas vidas nos faz dar valor ao que ela representa e se cria com isso uma vida valorosa. A boa construção é feita por quem tem no calo da vida um marca de saber o quanto as coisas custam.

    Meu avô sempre dizia que pela palma da mão de um ser humano se conhece seu valor. E ele não falava da mística leitura das mãos e sim dos calos de quem trabalha.

    Hoje, há muitos que desprezam o que tem e não tem a dimensão do quanto custa o que coloca em risco. Pessoas, relações, instituições e contextos estão ameaçados hoje.

    Os radicais de plantão que gritam aos quatro cantos por mudança não tolerariam as consequências da ruptura do que tanto pedem. Não sabem o valor que a liberdade tem.

    Criancinhas mimadas que brincam com a vida e não suportariam o peso da morte da liberdade. A mesma liberdade que não sabem o valor que tem.

    2 min
  • Você acredita em ética na política?

    Qual o principal objetivo de quem governa? Continuar governando. E o que deve fazer o governante para isso, tudo o que estiver ao seu alcance. Esta lógica não é minha, é de Maquiavel. E ele está correto em sua análise.

    Para se ter mudanças é preciso se ter o poder nas mãos. Não existe outra forma de se fazer a diferença que não seja ter capacidade de influencias as forças que pode promover as transformações.

    Contudo, há um limite, para se manter o poder é preciso manipulas as forças que o sustentam. Uma delas é o povo, mas não a única. Se em determinado momento o povo é elemento vital para legitimar um governo pelo voto, ele pode deixar de ser durante a governabilidade.

    Vamos pensar de uma forma simples, todos os presidentes da república, desde Fernando Henrique Cardoso, governaram com aliança com os deputados do centrão. Mas o que é o centrão?

    Durante o contexto da Revolução Francesa (1789), havia um grupo política que se sentava no parlamento francês chamado “Pântano”, por causas dos “sapos” que vivem enfiados na água, segundo os opositores, para não ter a cabeça cortada.

    Este grupo era o mais numeroso do processo revolucionário francês, sempre articulando e fazia o equilíbrio entre a dita “direita” extrema, nobreza, e os grupos de direita ou esquerda, girondinos e jacobinos.

    Em sua maioria, os deputados da “planície” ou “pântano” sobreviveram ao processo revolucionário. Sempre souberam lidar com as condições adversas e se manter, se não no poder, ao lado dele.

    Por isso, o pragmatismo do Congresso brasileiro, que tem na maioria de seus deputados uma representação clara da população brasileira, qual o seu principal objetivo, manter-se. O povo no seu dia a dia e os deputados o mais próximo o possível do pode e de suas benesses.

    3 min
  • Toda a unanimidade é burra

    Quantas vezes pensamos que uma opção se esgota quando elas nos aparecem pela frente e por um fator que não depende de nós, ela se perde. A democracia tem destas coisas.

    Nossas escolhas não são as únicas e a maioria deve vencer. Porém, há um tempo para renovar nossas opções e para avaliar o que fizemos. Até mesmo reavaliar nossos critérios e fazemos julgamento daquele que não foi o nosso escolhido. Também de repensarmos nas escolhas que fizemos.

    Por isso, não cabe radicalismo na democracia. Impossível a imposição de uma vontade. O país que nós temos é uma união de diversidade e em muitos momentos de opostos. Não estamos sempre do mesmo lado como também não somos os mesmos em divisões distintas. Os que por um fator estão ao nosso lado, por outro, são nossos opostos.

    Como na vida, quantas vezes mudamos de opinião? Quantas experiências passamos e descobrimos e redescobrimos o sentido de interesses. Quantas certezas se transformaram em dúvidas e quantas descrenças se tornaram convicção.

    Engraçado como as pessoas agora vivem este momento de confronto como se os lados que vivemos fossem antagonismos permanentes.

    Às vezes me pergunto, contra quem os radicais estão lutando? Onde está o inimigo a ser batido, o opositor indesejado, aquele que se reúne em multidões contra nossos interesses. Por que há inúmeras pessoas que defendem um lado, que para existir tem que haver o outro?

    Eu gostaria que as pessoas baixassem as armas, apenas respeitassem a regras e permitissem que a vida caminhasse para darmos a oportunidade ao vencedor e nos preparássemos organizadamente para um outro momento em que podemos decidir.

    Quem deseja vencer deve saber perder e, principalmente, respeitar as regras do jogo.

    3 min
  • Cordialidade perigosa

    Neste país existe uma cordialidade, marcada pela mentira constante e com uma relação próxima ao descumprimento do que se espera sem sair da regra. A desobediência e tolerância praticada por todos, desde aqueles que na sua vida cotidiana tem o hábito de não ser coerente e cobrar dos outros a coerência devida. Mas os que não pagam tem o direito de cobrar os que estão devendo?

    Um erro não justifica o outro, você pode dizer, desde que o erro não é regra e todos agem esperando ter o direito de cometê-los.

    Não por acaso, uma das frases mais comuns diante dos erros cometidos neste país é “Não foi bem isso que eu quis dizer.” Ou sua homóloga, “Não é nada disso que você está pensando!”.

    Na política é ato com mentir, por exemplo, e não temer as consequências da mentira. Dizer que não foi bem isso, que a fala está fora de contexto e que o momento era outro. Tudo isso pode ser um bom argumento, mas usado sempre demonstra o hábito do mentiroso.

    Lembro, contudo, que o direito a mentira não é ato somente dos homens públicos, é prática cotidiana.

    Mentir é fugir da verdade, negar o que se fez é buscar esconder-se de si mesmo. Por isso, somos o alimento de nossas condenações. Criticamos e praticamos sem sentir o peso da incoerência. Como se diz, “o sujo falando do mal lavado”.

    Apenas não quero deixar de lembrar que a mentira em circunstâncias específicas não é sinal de má-intenção. Uma mãe elogiar um desenho que a filha ou o filho pequeno fez, mesmo sem entender o que ele expressa, é a busca de estimulá-lo e de que as coisas entre eles não se afetam por isso.

    Também, vale ressaltar, na conversa com os amigos, quando um determinado tema ameaça o ambiente e a boa relação, se mente, se esconde a posição ou opinião sobre determinada questão para não perder a amizade, é uma demonstração de valorizar o que interessa e desprezar o que é passageiro. Boas práticas.

    A mentira que nos afeta é aquela constante de fugir da responsabilidade. Esta que o amigo responsável e a mãe atenciosa tem e que a maior parte das pessoas nas práticas do dia a dia não tem. Esta, que nos faz sempre repetir os erros e relevar as atitudes contraditórias e as traições que nos custam caro.

    3 min
  • Ignorância é campo fértil

    O agressor tem uma visão estreita do mundo e fechada em si mesmo. Quando agride, não consegue compreender a complexidade da situação que está vivendo e considera que a sua percepção, sua visão particular sobre uma determinada situação, é a única que deve ser considerada. Uma miopia pessoal.

    A ignorância é campo fértil para a proliferação de ideias distorcidas sobre a realidade. O chamado determinismo social por exemplo. Algumas pessoas e realidades se repetem e estão fadadas ao sucesso ou ao fracasso. O fator que explicaria isso é uma peculiaridade do clima, da constituição biológica, ou de uma determinada cultura religiosa.

    Não é por acaso que prolifera a ideia da luta entre o “bem” e o “mal”. Aqueles que transferem para as forças demoníacas os males do mundo e para a mão de Deus a salvação. Aquela visão medieval da passividade humana onde a realidade é uma trama na qual estamos cumprindo um papel pré-determinado por forças que vão além de nós. Logo, por esta lógica, se cometemos um erro, não somos responsáveis por nossos atos.

    O ser humano na atualidade já deveria ter superado este determinismo precária e pobre. Esta percepção limitada da realidade. Uma pregação perigosa inocentando as pessoas sobre do protagonismo de suas vidas. Nós somos responsáveis pelos nossos atos.

    Este contexto da ignorância movimentou milhares de cristãos para a luta contra os muçulmanos em guerras cruzadistas na medievalidade. Formas torpes de extermínio onde a massa humana liderada por fanáticos se dispôs a fazer atos de barbárie para eliminar o suposto enviado do demônio, o infiel.

    Foi esta mesma ignorância raivosa que levou ao extermínio de milhões de judeus durante o holocausto promovido pela liderança nazista. Lembrando sempre que o antissemitismo nunca morreu e repousa ainda hoje na oratória de muitos. Volta e meia dá sinal de reaparecimento. Hoje, mais que nunca, em partidos de extrema direita na Europa.

    O que vivenciamos hoje é a ignorância. Ela permite alimentar o absurdo como realidade. Para isso, estimula na particularidade uma percepção falsa de brilhantismo ao considerar a tolice como verdade.

    Vale separar aqueles que enxergam de forma complexa o que não conseguimos com uma percepção limitada daqueles que estão alucinando.

    Por isso, não vamos confundir os que tem um bom senso crítico e lógico de compreensão daqueles que mal enxergam um palmo “diante do nariz”.

    Hoje, as ruas e muitos cargos de liderança tem mais a presença dos primeiros do que dos segundos.

    Não por acaso, a bestialidade virou mito e a racionalidade está julgada como esquema montado para manipular as pessoas e imporem governos injustos. Que absurdo. Na lógica do capitalismo, um sistema econômico transparente e que apoia a eficiência, há quem diga que suas melhores forças são de esquerda. Esta é uma demonstração de raciocínio pobre.

    2 min
  • Partidárias da infância

    Temos que defender a democracia. Podemos não gostar dos seus efeitos, mas ela não pode ser abandonada. Uma república democrática tem seus momentos de tensão e embates, porém, a regra do jogo deve ser mantida a qualquer preço.

    E ela que dá sentido ao jogo. Justiça é fazer valer a lei. E é exatamente isso que os caminhoneiros que bloqueiam estradas estão fazendo, desrespeitando-a.

    Este mundo da invenção da mentira como verdade cansa. O pior, mobiliza pessoas em torno de uma fantasia. Faz acreditar que a realidade vivida por um é a mesma de outros. Alucinação tola leva a radicalismo e degeneração da ordem. Como questionar alguém que vive em um mundo paralelo.

    Precisamos de paz. Incitar o conflito, a violência, nunca levou o país a lugar algum. Toda a saída extrema é arrependimento. Resumir a vida em um único ato é vender por pouco o que nos custou muito a ser construído.

    Se somos adultos, e cidadãos tem a prerrogativa de ser, não podemos ter atitudes infantis. Agir como crianças mimadas que não aceitam o resultado das urnas é um retrocesso.

    Pessoas maduras aprendem a resiliência e a apostar na capacidade de mudança dentro de uma regra de bom-senso. Gente madura aprende a ter paciência e fazer as coisas de forma lúcida. O adulto promove o diálogo, a criança faz birra.

    Enfrentar os nossos problemas e encarar a realidade não é coisa de criança e esse país não é um playground.

    3 min
  • Por de trás do silêncio...

    Conheci muitas pessoas que tinham a mania de ficarem quietas, pouco falavam. De certa forma, demonstravam a valorização de seus atos. Tudo o que com raridade se pronuncia, chama atenção ao se expressar. Desde que isso seja uma tradição.

    Aqueles que desde muito jovem se colocam publicamente de forma rara e falam pouco, são vistos como pessoas atentas e ponderadas. Consideram que se pronunciar deve ser um ato de cautela, um respeito a palavra, considerada sagrada. Como quem constantemente, no silêncio, afirma que o que sai da boca não tem mais volta.

    Os silenciosos sempre valorizaram o momento considerado oportuno e merecedor para que se soltasse o som da voz de forma certeira. Quem recebe a palavra deve ser merecedor dela. Não se deve falar para qualquer um e dizer qualquer coisa, como bobagens soltas ao vento.

    Já, o outro lado do silêncio pode ter a interpretação da tristeza, a dor pela derrota ou perda. Momentâneo entre os que tem como prática se pronunciar constantemente. Falar aos quatro cantos não combina com o perfil calado e repentino. Diante do sofrimento há os que silenciam quando a dor é maior que o ato.

    Não sei bem o que se passa na cabeça de quem sempre falou tanto, e de forma desmedida, e de repente silencia. Isso me lembra quem espera um milagre e ou vive em meio a solidão.

    2 min
  • Radicalismo continua

    As eleições presidenciais terminaram e o ex-presidente Lula vai retornar ao poder. Uma vitória apertada, a menor diferença entre dois candidatos no segundo turno na história da redemocratização brasileira, para ser mais exato, uma diferença de 2,1 milhões de votos. Lula volta ao poder e Bolsonaro é o primeiro presidente a não conseguir a reeleição.

    No discurso da vitória, Lula fala de um país unido e da necessidade de se manter as instituições e a democracia. Há uma esperança que sim. Uma necessidade urgente de construção de soluções e não de se alimentar o radicalismo e problemas.

    Eu confesso a você não sou lulista, o PT nunca foi meu voto. Também não sou bolsonarista. Nunca gostei dos dois candidatos que nos sobraram no segundo turno. Lamentei a falta de opção que o país viveu nestas quatro semanas de campanha no segundo turno.

    O que ainda fica para ser superada é a necessidade de emergência de uma liderança política que tenha capacidade de ser eficiente e ser vista como superação de antagonismos e não um alimento para as diferenças. Esta eleição fez emergir em parte da população o que temos de pior como seres humanos.

    A disputa que terminou com a vitória de Lula, espero que coloque fim ao extremismo. Rompa a trajetória que tirou de parte da população o que se tem de pior dentro de um ser humano.

    Vi em inúmeros noticiários a agressão torpe. Assisti a pessoas justificando sua brutalidade como um direito natural do ser humano. O líder político, o aparentemente mais instruído, age como um animal estúpido e depois justifica seu ato instintivo como uma defesa pessoal.

    Matar o opositor virou regra e ofender uma prática comum. Apontar e disparar uma arma, não foi ação de defesa contra o bandido, e sim ameaça à ordem. O ser humano comum se tornou o objeto de agressão e arma foi apontada como resposta a discussões tolas.

    Discordar colocou muita gente na mira do revólver. Agressões de desequilibrados estão à solta. Pessoas que deveriam ser colocadas em clínica psiquiátrica se tornaram líderes e modelos de comportamento.

    Mas, este não é um mal somente do Brasil. Não é algo que está acontecendo dentro do nosso território. Enfim, não podemos considerar uma exclusividade do nosso perfil nacional. É sim, uma demonstração do empobrecimento ético mundial, da limitação dos valores coletivos, a defesa de interesses particulares acima de um bem comum.

    Se confunde na retórica atual a liberdade individual com a imposição da particularidade. O interesse pessoal é colocado como o que deve imperar sobre a necessidade da maioria. O desejo de uma pessoa se desprende das condições sociais em que se realizam. A forma de se chegar ao que se quer é eliminar quem se colocar no meio do caminho, o obstáculo.

    Temo o extremismo se manter. Ainda tenho receio de o radicalismo estar vivo e esperando a próxima oportunidade para expressar seu ódio. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que possamos qualificar o ser humano e convencê-lo de que o futuro é a construção de possibilidades e não o extermínio da diversidade.

    2 min
  • Sedução não é convivência, é mera promessa

    As pessoas confundem sedução com relação, isso não é bom. Se tem um momento que a promessa não tem a obrigação de se realizar é no momento de seduzir. Ninguém se sente atraído pela verdade, ainda mais quando ela é dolorosa.

    Falar de nossas dores, apontar nossos problemas, analisar as dificuldades e demonstrar um longo caminho de privações e dificuldades que teremos que passar para atingirmos um objetivo desejado não atrai ninguém. Poucos que desejam mudança se estimulam tendo consciência do que precisa mudar. Há que se ter um sonho à frente para nos impulsionar.

    A grande demagogia que estamos atravessando agora, durante o processo eleitoral demonstra o poder da sedução. A promessa de que vão nos levar para um bom tempo. Como por “encanto” a possibilidade de ser tudo o que desejamos está agora batendo a nossa porta. Basta que façamos a escolha.

    Mudança é ação e não uma escolha sem envolvimento, sem comprometimento. Não existe uma transformação da realidade sem que ocorra uma alteração da nossa vida. Ninguém deixa de ser o que é sem sair da “zona de conforto”. Há um preço a se pagar pelo que desejamos ser. Não é suave a transformação.

    Logo, vai uma dica. Durante o tempo de sedução pense sempre nas consequências da escolha e no que virá depois. O preço que se paga pelo que se está escolhendo, e quais as consequências da escolha que se está fazendo. Seja capaz de dimensionar os desdobramentos e a probabilidade real desta condição se realizar e gerar algo positivo em sua vida. Desta forma, acredito, podemos fazer uma escolha melhor.

    3 min
  • Velhos problemas se alimentam de falsas soluções

    Onde estão os nossos olhos que consideramos estar tão atentos? Ultimamente falamos sobre os dois candidatos que disputam o segundo turno como o fator determinante de nossas vidas. O mais importante é discutir, decidir e saber quem será o próximo mandatário do país. Este é o tema que impera nas principais manchetes dos jornais, sejam eles em qual plataforma for.

    Enquanto isso, há temas constantes que já foram relevantes e agora estão no anonimato, mas demonstram quem nós somos já há um bom tempo. A dengue por exemplo, já tem mais de mil e duzentos casos no Estado. A chegada do calor e humidade preocupa. O número de casos foi significativo mesmo com temperaturas baixas.

    A Covid-19 já levou a vida de 687.710 brasileiros. Parte considerável da população não tem ido se vacinar para tomar as doses de reforço. A doença, nas últimas 24 horas, no Paraná, levou a vida de 11 pessoas, no Brasil foram registradas 298 mortes.

    Nos últimos dois anos a fome atinge mais de 33 milhões de brasileiros. Para este problema, crônico no país, não há vacina que resolva, é necessário um prato de comida. Mais que isso, é necessária a condição objetiva da sobrevivência se queremos acabar com a dependência e gerar dignidade humana.

    A maioria das famílias que tem insegurança alimentar são lideradas por mulheres e são pessoas pretas e pardas. Perfil característico da sociedade brasileira desde sua formação. O machismo e a escravidão que deixa sequelas. Os dados são do Mapa da Fome.

    São tantos outros problemas que já nos acompanham faz tempo, que a lisa poderia ser extensa e interminável. Que não se resolve com o passar dos anos, que se agravaram em determinados momentos, e que sempre foram uma marca da nossa vida.

    Será que isso vai se resolver com a escolha de domingo? Será que é esta a escolha que vai nos tirar dos problemas crônicos históricos? São estas as nossas opções e obrigações como cidadãos para resolver o que nos atinge? Eu acredito que não. Por sinal, acredito que esta condição que vivemos é que nos faz ter as opções que temos. Nossa falta de qualidade nas opções é fruto de nossa falta de atenção aos problemas.

    A democracia é o menos ruim das formas de governo. Não considero ser sua culpa os nossos males, muito menos as instituições que nos governam. O problema são as nossas escolhas que expressam nosso critério. E aqueles que fizeram da política a profissão se alimentam de nossa desgraça. Eles têm uma eficiência em se tornar “candidatos a resolverem o que nunca se resolve”.

    Talvez este seja o segredo, os problemas crônicos levam ao poder os mesmos seres humanos que se sustentam do mal que prometem combater. Se acabar com o mal acaba com a necessidade destes seres. Só não percebemos que eles precisam que o mal se mantenha para que se mantenham também como escolha e, por consequência, no poder.

    3 min

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A vida não é tarefa fácil. A gente tem que gestá-la depois de ter sido fruto de uma gestação. As coisas não param e a gente também não. Mesmo os que se neguem a se movimentar serão arrastados ou…