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Você pode considerar estranha a afirmação, mas na prática se casa com empolgação e se separa com determinação. Gostar da festa e dos primeiros anos de união não significa resiliência, paciência para conviver com outra pessoa.
Os números não mentem. Em 2020, um índice histórico levantado pela Estatística do Registro Civil, ligado ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que no Paraná foram mais de 45,7 mil casamentos, já o número de divórcios foram mais de 22,5 mil. Ou seja, para cada dois casamentos, um divórcio. Metade dos que casam se separam. A tendência já vem se acentuando desde 2013.
“O pavio está curto” e conviver é um ato cada vez mais egocêntrico. Um casal se torna cada vez mais dois seres separados que vivem juntos. Não se que renunciar aos desejos e vontades e planos por um outro. Por sinal, nunca se sentiu tanto a convivência com um “estranho” como aquele que em um altar se jurou conviver para sempre, na saúde ou na doença.
Nos casamos com uma projeção. Nos encantamos com a estética. Nos apaixonamos por um produto de mercado divulgado para ser consumido. Todo o produto na vitrine esconde entre selfs o seu lado mais sombrio. Conviver diariamente faz desmanchar a ilusão. Logo em uma sociedade em que não se suporta a frustração.
Deveríamos nos casar mais tarde? É uma possibilidade. Os casamentos com mais de trinta anos têm tendência maior de duração. Mas, no sonho da felicidade imediata, a construção de uma relação estável ao longo de um bom tempo não é opção. Precisamos repensar isso.
Gravações das sessões do Superior Tribunal Militar (STM) mostram que a tortura existiu nos quartéis da ditadura. O estudo é feito pelo professor de História do Brasil Carlos Fico da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O período investigado pelo pesquisador foi de 1975 a 1985. A repressão sempre foi fato e a tortura também.
Mas não é preciso ir muito longe para se associar a farda a violência. O temor que temos do aparato de segurança demonstra isso. Hoje, muitos dos militares não expressam nem de perto a violência praticada em tempos de linha dura. A herança da violência permanece. Ao vermos as viaturas do aparato de segurança e os homens de farda, o sentimento de insegurança se instala.
Pode ser que ao ouvir alguém possa dizer: “quem não deve não teme.” Mesmo os que não devem temem. Ainda mais se pertencerem as classes populares. A repressão é maior sobre quem se sabe tem dificuldade de defender seus direitos. Bons advogados não saem barato. Os mais pobres nunca conseguem pagar um.
Isso não é coisa de comunista, é de justiça. Nem é defesa de criminosos. Falamos de gente inocente. E não é falar mal dos militares, mas a função da qual eles devem cumprir já que são um “aparato de segurança” e não um instrumento de violência e extermínio.
Há ótimos policiais, excelentes militares. Isto não há dúvida. Como há ótimos médicos, enfermeiros, professores e garis no serviço público. Porém, se em todas estas áreas há também quem use de sua função e cometa abusos ou negligente, entres os militares há também.
Precisamos construir uma transparência nas ações públicas e não defendermos corporativismos irresponsáveis, sejam eles quais forem. Temos que impedir que grupos que se auto protegem cometam excessos e defender o bom profissional no exercício legítimo de seus direitos.
Se as pessoas inocentes têm medo, temos que fazer com que este medo cesse e que elas se sintam protegidas com o aparato de segurança. Isso pode acontecer se os fatos não se repetirem e o medo que se sente não se comprovar. Por isso, ditadura e tortura devem cessar. Defenda a democracia e lute por legalidade.
Até onde vai a inocência e a culpa. Quantos pais e mães diante do ato condenável do filho ou da filha disseram que a culpa é das más companhias. Nós mesmos, diante de tantos atos que são fruto de nossas escolhas, colocamos nos outros a influência sobre a opção que fizemos. Não somos inocentes, no mínimo somos culpados de nossas escolhas.
Por outro lado, em nossa revisão do passado, nos damos o direito de pôr a culpa presente de quem vivia no passado e lá contribuiu para nossos avanços. Esquecemos que os seres humanos são “filhos de seu tempo”. Monteiro Lobato tem sido um bom exemplo, de seus personagens, Tia Anastácia e o Jeca, a suas afirmações em relação aos elementos da diversidade que formaram o Brasil, o chamam de preconceituoso.
Tia Anastácia, a “preta velha” muitas vezes usada como forma de designar uma das mais encantadoras figuras das histórias que encantaram gerações no “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. O sítio que traduzia os olhares de um Brasil em suas raízes. Lobato lutou o bom combate e fez de sua obra um instrumento de luta por um país que considerava que necessitava mudar. Sua forma, em seu tempo, de apontar quem éramos e para onde deveríamos ir.
O presente não tem a competência de colocar Lobato em um tribunal e lhe dar uma sentença que destrua sua obra. Afirmar que muitas de suas análises, afirmações e definições não cabem na atualidade, é fato. Fazer de suas afirmações atos de agressão é exagero. Dizer que lobato influencia ao preconceito e legitima a discriminação é afirmar que nossos avós são os responsáveis pelo conservadorismo excessivo da atualidade.
Não posso seguir as teses de meus pais para orientar a educação de meus filhos. E se o faço, não tenho o direito de culpá-los pelos erros que meus rebentos cometem. Ao decidir, decido por mim e se minhas escolhas influenciam os outros, devo dar aos outros o direito de escolher.
Somos donos do “nosso nariz”, mesmo que alguns desejem transferir a obrigação de respirar para outros.
Ontem fui desafiado por alunos em uma discussão em sala de aula. Algo raro. Já faz tempo que a concordância assola nossas vidas e nos rodeamos de quem compactua com os mesmos interesses nossos. Um bom debate tem sido algo difícil nos dias de hoje.
Mas sobre o que nós falávamos? Sobre os movimentos sociais e a passividade dos brasileiros. Se acredita ainda que a população do país é pouco reativa as mazelas que sofre. Isso não é verdade. O povo se revolta. Mas não da forma que muitos idealizam, através da organização política e ideológica em torno do Estado.
Algumas revoltas no Brasil ganharam força e se tornaram uma expressão estética mais do que uma causa duradoura. Aprendemos a incorporar as lutas diárias nas manifestações de rebeldia visual. Porém, a profundidade de lutar é algo raro.
Não se resume uma luta pela igualdade somente na estética. Tem que ter algo mais que isso. Nas empresas, existem cada vez mais um número maior de pessoas LGBTQI+. Isto é bom, mostra avanços, porém há uma vida lá fora que não se resume a estética da convivência dentro da empresa que dá um ar de inclusão.
As pessoas não estão incluídas só porque podem andar por aí de forma diferente. A diferença tem que ser uma condição de convivência e não apenas de circulação ou de expressão visual. Tem que ter algo a mais.
Podemos dizer diante disso que o povo brasileiro é passivo? Não, nunca foi. Historicamente é briguento, raivoso e luta contra o que o oprime. Contudo, não reconhece o Estado como instância de combate para superar seus dilemas, prefere outros meios. A luta se dá em cada esquina e em cada bairro. Uma constante de abrir espaço onde se mora e na comunidade com quem se convive.
Não se acredita que o Estado será sua representação. Ele é um distribuidor de dádivas. Enquanto nos adente depositamos nele a esperança de não nos deixar faltar. Não há o desejo de comandá-lo e nem a ilusão de participar de suas decisões. Se contenta com migalhas, mas se defende o pouco que se tem. Uma enchente ou enchorrada, um incêndio ou desabamento são demonstrações de lamento do que se perdeu.
Os projetos de longo prazo não são preocupação deste povo. Ele vive um dia atrás do outro. Vai levando para algum lugar. Se o rebento ficar de pé e vingar, se contenta. Se vai além é uma vitória. Não espera muito para não sofrer com a desilusão que a vida traz.
Logo, este povo se aparta do poder público, das artimanhas da política, do jogo partidário, das regras eleitorais. Apenas vota e espera. Deposita na sorte do bilhete da urna algum retorno. Não se vê participante de projeto algum. A tradição das relações que o antecederam lhe poda a esperança. Prefere a vida como segue do que ela interrompida.
A quem favorece esta prática? Não é preciso responder. Os de sempre, os eleitos, os beneficiados pela democracia ausente de povo cidadão. Contudo, presente nas urnas.
Somos um ser político. Nossa vida é marcada pela busca de atender nossos interesses ou de outros. Usamos de nossas forças e manipulamos aquelas que estão a nossa volta. Tentamos criar uma forma de atingirmos o objetivo na proporção do que manipulamos socialmente. E isso, é da nossa natureza. Praticamos desde a infância.
Na primeira idade, usamos das armas que temos para persuadir os pais, e eles, fazem seu jogo de forças para se impor sobre os filhos. O poder econômico dos provedores domésticos é argumento fundamental na busca de manter seus interesses e garantir o controle sobre a coletividade familiar.
Não é diferente na política que se estabeleceu em torno do Estado. O homem público apenas usa de suas estratégias na busca de seus interesses. Ele manipulará as forças necessárias para atender aquilo que considera o fundamento de sua permanência no poder, as forças que o sustentam.
Muito do que nos garante os interesses não depende só de nós. Outros contribuem para que possamos atingir aquilo que consideramos necessário. Logo, não podemos contar apenas com o que dominamos, há outros domínios que necessitamos nos associar. Assim como o homem público, manipulamos, nos aliamos, rompemos e combatemos.
Por que é importante entender a política nesta dimensão ampla? Um dado importante, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é que o número de jovens que se interessam pela política cresce. Inclusive uma campanha feita pelo Tribunal Superior Eleitora na internet estimulou jovens de 16 e 17 anos a tirarem o título de eleitor e participar da escolha dos representantes públicos. Isto é um bom sinal. Mas, sempre há um “mas”, ainda é pequeno o número de eleitores nesta faixa de idade.
No Paraná são 310 mil indivíduos com 16 ou 17 anos. Destes, 54.796 tiraram o título de eleitor, o que representa 17,6% da população. O número pode crescer na proporção em que nos conscientizamos que a política é ato constante. Desmistificamos a imagem preconceituosa da prática política de atos de homens públicos quando percebemos que a política não se traduz no ato ilícito de quem faz carreira na vida pública.
Se queremos renovar lideranças e construir uma política “saudável”, é bom estimular o entendimento de que a política está em nossa natureza e ela é vital para podermos alcançar nossos interesses.
Vivemos sempre sonhando, até demais. Pensando em possibilidades que não existem, em uma vida que não vai se realizar. Isto nos move. Será que sonhar faz bem ou sufoca a realidade ao ponto de morrermos de overdose?
Quem muito sonha tropeça por ficar olhando para o céu. Contemplando o que não se sustenta, os sonhadores esquecem de sustentar a sua própria existência. Paga-se o preço da ignorância do caminho que se percorre. Hoje, nós nascemos para sonhar, isto é perigoso.
A geração de 60 anos nasceu em um ambiente para o trabalho. O sonho se lançava sobre as bases primordiais de que é preciso ter chão para se sustentar antes de se lançar nos devaneios. E o calo nos pés doíam para nos lembrar que há um limite e que a vida real, com seus dilemas, merece atenção.
Na sociedade onde a principal função e desejo da maioria é consumir, a busca da aquisição é a realização de todos os sonhos se realiza ao consumir. Ironicamente tudo o que desejamos consumir está a venda, oferecido como mercadoria. Logo, se quer e para isso a ilusão de que basta comprar. Apenas se esquece que toda a compra requer um pagamento, e pagar implica em ter dinheiro para adquirir. E ter dinheiro é condição de quem trabalhar, o que poucos associam.
Estamos diante da inversão da análise da realidade. Antes, se tinha que perceber a vida para sonhar. Agora, se quer sonhar para viver. Se o sonho impulsiona, há que se ter os pés no chão para poder caminhar. Um sonho só se sustenta, assim como um sonhador, se ele estiver uma vida real para viver, nem que seja sonhando.
O ex-juiz Sérgio Moro desistiu de sua candidatura a presidência da república. Vai para o União Brasil e saiu do Podemos sem avisar. Pelo menos é o que afirmou a direção do partido que tem Renata Abreu à frente e é o partido dos três senadores do Paraná, Álvaro Dias, Oriovisto Guimarães e Flávio Arns.
Moro vai mais longe, muda o domicílio eleitoral para São Paulo e deve se candidatar a deputado como um paulista. O filho da terra traiu suas origens. Quanto não vale o poder? O incorruptível rompe com as promessas e se coloca na onda que o levar mais longe. Mas Moro pode não sair do lugar.
Inclusive, em sua própria história, o ex-juiz já demonstrou equívocos estratégicos. Ao sair da magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro e depois ao se tornar um homem público com a retórica do que é o melhor para o Brasil agora demonstra o que é melhor para ele mesmo. Possivelmente, desde o princípio, Moro já tivesse a intensão de se dar bem.
Em entrevista a CBN, eu o indaguei se ele tinha a intenção de sair do Podemos, ir para o União Brasil e abandonar a disputa presidencial. Ele foi categórico, não saio do Podemos e o meu projeto é a presidência da república.
Para quem sempre exigia que os depoentes jurassem com a “mão na Bíblia” dizerem a verdade somente a verdade, ele mesmo não parece ser tão fiel a ela.
Como estamos em um período em que “as máscaras estão caindo”, a do ex-juiz e ex-paranaense Sérgio Moro também caiu.
Dizem que o mundo é feito de oportunidades. Contudo, existem as escolhas. Nem sempre o que escolhemos é uma oportunidade que construímos. Vivemos a noção do imediato e não consideramos que os atos que temos hoje são, efetivamente, os construtores de oportunidades, ou não, do amanhã. Logo, vai se engolindo a vida em um fôlego de cada vez em uma jornada sem sentido. Se a oportunidade aparecer, desta forma, é fruto do acaso.
Então, temos que diferenciar oportunidade de escolhas. Em determinados momentos, nós como cidadãos, estamos fazendo nossas escolhas. Este é um exercício da democracia. Porém, há uma diferença nas oportunidades que a cidadania gera e as obrigações do cidadão.
Chamo a atenção para a vida que se constrói e as oportunidades que viver oferece. Não é uma questão de “sorte”. Mesmo que a tenhamos, ela não está disponível a quem não atende os seus pré-requisitos. Para ter sorte é preciso estar no lugar certo e na hora certa.
Se torna necessário construir as nossas oportunidades. E para isso, não se pode simplesmente levar a vida e deixá-la à própria sorte. Tomar as rédeas de nossa existência, este é o ato necessário. Colocar nossa condução no caminho que estamos trilhando. Mudar o rumo quando acharmos necessário. Ter a responsabilidade pelos desvios e encruzilhadas. Saber de onde se partiu e para onde se quer chegar.
Se fizemos este ato, de assumir a autoria de nossa vida, acabamos com os discursos de inocência. Estes que todos os dias justificam o que não fizemos por escolha. As falas de que nosso fracasso é fruto de imposição. Não é resultado de nossa covardia. Concluindo que assim, não tivemos oportunidades na vida.
Acordamos e perguntamos, por que a vida não é como a gente gostaria que ela fosse? A busca desta resposta é o tema deste comentário de Gilson Aguiar. A vida é uma angústia. Não há um mundo pleno. Há uma história que se escreve todos os dias, como frases de um diário que se torna obra lida e vivida aos parágrafos.
Como afirma Weber, projetamos as nossas ações com a construção de um sentido que nos estimula. Ele não é a realidade, mas dá a ela um sabor. Sem ter como interpretar a vida nas buscas que temos, nada seremos. A construção do que se deseja é a condição que temos para construir com os pés no chão uma mente com asas para voar, mas saber onde está seu porto seguro, fincado na consciência.
O mesmo ser humano que sonha é o que reflete sobre os dados da ciência e da a consciência a verdade. Nem sempre considerada na dimensão que tem, mas real o bastante para limitar os passos que desejam maior que o chão com buracos. Quem faz isso tem como destino o tropeço. E quantos não tivemos nesta vida.
Depois de uma caminhada longa a busca do sentido de se ser, o que podemos encontrar é algo diferente do que desejamos, mais do que acreditávamos que somos e o bastante para justificar a jornada até seu destino. Somos incompletos sempre e este é o sentido de caminhar.
Líderes demagógicos persistem, são muitos. Eles expressam em sua estética o discurso do incentivo a interação com seus colaboradores, defendem abertamente a inclusão e o diálogo. Nas suas práticas se denuncia o contrário. A demagogia é seu traço marcante. Eles se contradizem.
Consideram estes “líderes” que são vistos pelo que falam e, na prática, são considerados pelo que fazem. A inteligência que marca um gestor está na ação. Como pais e filhos. Você pode até mentir para as crianças, tentar passar uma imagem de mãe e pai responsáveis. Mas a prole vai ficar com o ato e não vai considerar tanto o discurso. Seus filhos sabem quem vocês são.
Em uma empresa não é diferente. Os chamados colaboradores não se iludem com as falas, se convencem pela prática. O discurso seduz, mas são as ações que arrastam. Elas é que vão estabelecer o critério com que se tem o gestor e como se pode esperar uma reação a qualquer necessidade que envolva o líder.
Contudo, o que entristece e é comum, quando alguém resolve denunciar a prática corrosiva e mostrar que a oratória não passa de um verniz sobre o “metal podre”, este pagara o preço de sua ousadia.
Assim é que dentro da corporação as pessoas obedecem mais por medo do que por respeito. Agem com o “fio da navalha” sempre na memória. Como se uma arma estivesse apontada o tempo todo e dispara para quem ousar denunciar a verdade dos fatos e negar a estética da ambientação.
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