As regras do mosteiro proibiam expressamente que um monge tocasse uma mulher.
Certo dia, dois monges estavam no campo recolhendo lenha quando encontraram uma mulher que não conseguia atravessar um riacho.
A água estava alta, a correnteza forte, e ela não tinha como passar.
Um dos monges, com pena da mulher, a pegou nos braços e a levou até o outro lado do rio.
Assim que a deixou em segurança, voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido.
Durante o resto do dia, os dois monges não trocaram uma única palavra.
Só no final da tarde, quando já voltavam para o mosteiro, um deles, visivelmente chateado, quebrou o silêncio e disse:
— Por que você carregou aquela mulher?
Você não sabe que isso é proibido?
O outro monge respondeu com calma:
— Eu deixei aquela mulher do outro lado do rio há horas.
Mas você ainda continua carregando ela na sua mente.
E é exatamente assim que a maioria de nós vive.
A gente passa a vida inteira remoendo o que fez,
o que deixou de fazer,
o que alguém nos disse,
ou o que alguém deixou de dizer.
Vamos carregando culpa, arrependimento, mágoa, ressentimento…
quando tudo poderia ser muito mais leve se simplesmente deixássemos o passado onde ele pertence: no passado.
Pense por um instante:
o que aconteceria se você soltasse essas histórias antigas que ainda carrega?
Qual seria o prejuízo?
Nenhum.
Só haveria mais leveza para seguir em frente.