Um carro bonito parou em frente a uma loja de brinquedos.
O casal desceu.
Trinta e poucos anos. Rosto cansado, mas bem vestidos.
Ela coberta de joias.
Ele com o celular grudado na mão.
Entraram.
Olharam bonecas que choram, jogos que falam, bichos que dançam, robôs que riem.
E depois de um tempo, ela disse à vendedora:
— Temos uma filha de dez anos.
Vivemos fora de casa o dia inteiro. Às vezes voltamos só pra dormir.
Nos fins de semana, a gente quase não para.
Ela vive sozinha. Sorri pouco.
Queremos comprar alguma coisa que a faça feliz, mesmo quando a gente não tá por perto.
A vendedora respirou fundo e respondeu com doçura:
— Sinto muito… mas a gente não vende pais.
Silêncio.
Desses que deixam um nó na garganta.
Porque é isso.
Tem gente comprando brinquedo pra compensar o que não tem preço.
Tem pai que trabalha pra dar o melhor pro filho — e esquece que o melhor sempre foi ele.
Quantas vezes teu filho te chamou e tu respondeu “já vou”?
Quantas vezes ele quis mostrar um desenho e tu disse “agora não”?
Quantas vezes ele esperou… e tu não percebeu?
A infância é um suspiro.
Pisca, e acabou.
E quando tu parar pra olhar, pode ser que teu filho já tenha parado de te esperar.
Pode ser que ele tenha aprendido a se virar — sem ti.
E aí, de que adianta o carro, o cargo, o dinheiro, se o que ele queria era só o teu tempo?
Pais não se compram.
Pais se sentam no chão.
Pais escutam, erram, abraçam.
Pais ficam.
Porque, no fim das contas, o brinquedo mais caro do mundo ainda é a presença.