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Grupo Arauto episodes

  • O brasileiro e o futebol

    O que tem de especial no futebol que fez o clima do país mudar através de uma copa?

    O que faz com que tantos vistam suas camisas, decorem suas casas de verde e amarelo, chamem os amigos, reúnam a família ou, ainda que sozinhos, planejem o seu dia em torno de um jogo?

    É bem verdade que, efetivamente, não há lucro algum em gastar tempo e cordas vocais torcendo para que alguém acerte uma bola em uma rede.

    Efetivamente, talvez não.

    Mas, somente um baita de um materialista reduzirá tudo a isso.

    O esporte, todo ele, tem um papel fundamental em nossas vidas: o de nunca esquecermos que essa vida é luta, é batalha. Que as vezes teremos quedas e sofrimentos, mas que precisamos seguir. Quem tem medo de tentar, nem em campo entra!

    O futebol então, carrega uma magia, uma poesia ainda maior dentro do brasileiro. Ele faz parte da nossa biografia, da nossa história.

    Em nossa memória, estão as vuvuzelas, o som de waka waka, os gritos de guerra, as cenas dos jogadores vibrando ou chorando, o frio na barriga que só uma decisão em pênaltis pode trazer.

    Sempre tinha algum familiar que se sacrificava pra fazer as comidas, aqueles que gritavam gol antes do tempo, os que não sabiam o que era impedimento e os que só sabiam reclamar do juiz ou dos jogadores.

    Quando o hino do Brasil começa, o jogador não é mais só ele. Há um time, uma história, uma tradição a serem representados e defendidos ali. Cada jogador representa um brasileiro e suas inúmeras batalhas.

    Ainda que nossos problemas não se resolvam quando o apito final ressoa, para muitos, acredite, esses serão um respiro alegre diante de uma vida de sofrimentos.

    Desculpe se você é chatão e serião demais pra gostar de futebol, mas eu gosto mesmo de vibrar com algo de banal de vez em quando, de fazer piada, de me emocionar com o hino, de sofrer com os jogos, e de, como em uma orquestra ensaiada, pular e gritar ao ver que, depois de muitas tentativas, a rede balançou!

    Vai, Brasil! O hexa é nosso!

    Rebecca Athayde

    4 min
  • A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos

    O empresário certo é o que investe em seus funcionários nos momentos incertos; o funcionário certo é o que aposta na empresa nos momentos incertos; os colegas certos são os que permanecem lutando, junto com você, nos momentos incertos; o amor certo é o que está ao seu lado, chova ou faça sol, nos momentos incertos.

    Pablo Neruda disse certa vez: a pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos. E isso faz toda a diferença do mundo, já que a vida é repleta de momentos incertos.

    Nos momentos de sua vida nos quais tudo está indo bem e dando certo, as pessoas erradas se aproximam.

    Você não as notará, porque está tudo certo. Verá o melhor delas, porque está tudo certo. Gostará mais delas, porque está tudo certo. Será mais fácil de iludir você, sua empresa, departamento ou até toda a sua família, amigos e colegas, porque está tudo certo.

    Como um cruzeiro em um iate, todos nós sofremos uma certa dose de "ilusão das férias de verão" quando conhecemos alguém, seja na vida profissional ou pessoal, com a qual só experimentamos momentos de calmaria, de festas, baladas e alegria.

    Momentos muito bons, mas nos quais é impossível separar o "joio do trigo". Momentos nos quais só vemos o melhor ângulo da personalidade de uma namorada (ou namorado), um funcionário, um sócio, um parceiro. Temos, portanto, uma visão perigosamente mono dimensional.

    Muitos casamentos acabam, quando marido e mulher, descobrem que a personalidade da outra pessoa é muito mais complexa do que podia ser visto durante a fase de namoro e noivado - especialmente quando aquela fase não ofereceu "crises" para testar o casal. Os dois só viram o "trigo", antes do casamento, descobrindo o "joio" depois. Sim, há casos em que o joio é visto bem antes, mas alguns de nós fazemos questão de fingir que não estamos vendo nada, ou acreditamos na fantasia de que depois essa pessoa mudará...

    Quantas pessoas que você considerava "grandes amigos", não se afastaram imediatamente, assim que você perdeu aquele emprego? Sim, é impossível avaliar amigos, colegas, funcionários e amores sem o teste das crises.

    Para conhecer realmente essa pessoa, você tem que observa-la quando o iate entrar em uma tempestade gigantesca no meio do oceano, quando o navio estiver sob risco de afundar, e um grupo de piratas começarem a destruir tudo e invadir a nau.

    Neste momento, você verá, de modo cristalino, quem é que corre para os botes salva-vidas esquecendo-se completamente de você, da empresa ou do projeto, e quem está com você até o fim -- seja este fim qual for.

    Por isso, antes de julgar alguém pelo belo sorriso em um dia de sol, veja se o sorriso ainda está lá, mesmo que haja lágrimas em um dia de chuva. Como explicou Pablo Neruda: A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos.

    5 min
  • Não deixe

    No primeiro mês, é um tom um pouco acima do normal, é uma grosseria eventual, mas não vê perigo nenhum, afinal você o ama.

    No segundo mês, ele aponta o dedo na sua cara, com os olhos esbugalhados e as veias saltando, parece uma outra pessoa, não o reconhece, porém releva, perdoa a desavença, acredita que é unicamente excesso de preocupação, excesso de trabalho.

    No terceiro mês, ele lhe proíbe de sair de vestido curto, você pensa que é brincadeira, só que não, ele lhe desafora para a plateia dos vizinhos. Você desiste de se encontrar com as amigas e acha que é somente uma má fase da relação.

    No quarto mês, ele não aceita ouvir a sua opinião, segura o seu braço com força e lhe ameaça:

    - Não ouse me responder!

    Você está encurralada num canto, na teia do cuspe dele, no hálito acentuado dele, mas releva, os ajustes e brigas são naturais para quem se ama, a possessividade é compreensível por quem se deseja, busca se convencer disso.

    No quinto mês, já são uivos, já são socos na mesa, você responde que ele não é seu dono, e ele corre enlouquecido atrás. Você se tranca no banheiro. Ele esmurra a porta. Você chora deitada num canto e espera a raiva dele passar para abandonar o esconderijo, vem o cansaço e o sono e esquece de contar para a família o que aconteceu.

    No sexto mês, ele questiona alguma foto que publicou no Facebook, se aquilo são modos de mulher casada, você não enxerga mal nenhum, ele lhe empurra com força e você bate a cabeça no chão. A testa sangra, mas entende aquilo como um acidente e não leva a queixa adiante. No emprego explica que caiu da escada.

    No sétimo mês, ele chega em casa tarde, bêbado, e lhe força a ter relações sexuais, você não quer, mas se cala novamente pelo amor que um dia já guardou por ele.

    No oitavo mês, ele começa a fazer piadas machistas a seu respeito na frente das visitas, zombando que tem que mais que obedecê-lo, todo mundo ri, menos você, que vai tirar satisfação a sós. É neste momento, do nada, que ele dá um soco em seu rosto. Você cai e ele ainda chuta a sua barriga, o ventre do filho possível, o ventre do sonhado filho, mas você já está muito sozinha para ser socorrida, com muito medo para se levantar, com a estima muito baixa para virar as costas e fazer as malas.

    No nono mês, você nem sente mais que está mentindo porque não existe mais nenhuma verdade em sua vida. Silencia-se por dentro, evita passear, evita as chamadas dos colegas, evita o contato nos olhos. Tenta apenas não morrer. Você não o ama mais, mas também não se ama mais e é tarde para pedir ajuda.

    Por favor, se proteja, peça ajuda. Não deixe isso acontecer.

    Autor: Fabrício Carpinejar

    4 min
  • Fora de moda

    Se não estivesse fora de moda eu iria falar de AMOR.

    Daquele amor sincero, olho nos olhos, frio no coração, aquela dorzinha gostosa de ter muito medo de perder tudo.

    Daqueles momentos que só quem já amou um dia conhece bem.

    Daquela vontade de repartir de conquistar todas as coisas

    mas não para retê-las no egoísmo material da posse,

    mas para doá-las no sentimento nobre de amar.

    Se não estivesse fora de moda eu iria falar de SINCERIDADE.

    Sabe aquele negócio antigo de fidelidade, respeito mútuo e outras coisas mais. Aquela sensação que embriaga

    mais que a bebida que é ter, numa pessoa só, a soma de tudo que as vezes procuramos em muitas.

    A admiração pelas virtudes e a aceitação dos defeitos,

    mas, sobretudo, o respeito pela individualidade,

    que até julgamos nos pertencerem, sem o direito de possuir.

    Se não estivesse tão fora de moda eu iria falar em AMIZADE. Na amizade que deve existir entre duas pessoas que se querem. O apoio e o interesse

    a solidariedade de uns pelas coisas dos outros

    e vice-versa.

    A união além dos sentimentos a dedicação de compreender para depois gostar.

    Se não estivesse tão fora de moda... eu iria falar em FAMÍLIA.

    Sim, família!!!

    Essa instituição que, ultimamente vive à beira da falência,

    sofrendo contínuas e violentas agressões.

    Pai, mãe, irmãos, irmãs, filhos, lar...

    Isso mesmo, o bem maior de ter uma comunidade unida

    pelos laços sanguíneos e protegidas pelas

    benções divinas.

    Um canto de paz no mundo, o aconchego da morada,

    a fonte de descanso e a renovação das energias.

    Família, o ser humano cumprindo sua missão mais sublime de sequenciar a obra do criador.

    E, depois, eu iria até, quem sabe, falar sobre algo como...

    a FELICIDADE.

    Mas é pena que a felicidade, como tudo mais, há muito tempo já está fora de moda. 

    Me sinto feliz por continuar acreditando nessas coisas todas, mesmo que isso signifique estar tão fora de moda...

    3 min

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