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A História Global tem se consolidado como uma perspectiva recente de pesquisa, que se volta para eventos e processos históricos em conexão com contextos globais. Esse novo norte investigatório surgiu no final do século XX, estabelecendo críticas ao eurocentrismo e ao nacionalismo metodológico. Ao longo do tempo, o campo da História viu emergir diversas alternativas de escrita que cruzavam as fronteiras nacionais. Muitos pesquisadores(as) se equivocam ao confundir o conceito de História Global com uma História universal, sem perceber que a Global History guarda muitas especificidades metodológicas e variações. A História Global pode ser entendida como a história das conexões e a história da integração do mundo, abrindo a possibilidade de se entender os fatos contemporâneos como resultados de processos macrohistóricos. Suas temáticas são inúmeras, como por exemplo, as conexões policiais transnacionais, os estudos migratórios e as investigações sobre as redes de militantes anarquistas. Para tratar das questões metodológicas, singularidades e seus desafios contamos como a presença do Prof. Dr. Diego Galeano (PUC-Rio) e do Prof. Dr. Gonçalo Gonçalves (UNIRIO), com as mediações dos coordenadores do LPPE-IFCH/UERJ Angela Roberti e Flaviano Isolan. Programa disponível também em nosso canal no YouTube e em nossa página no Facebook. Gravado em 08 de dezembro de 2020.
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No século XXI, mais do que nunca, encontramo-nos mergulhados em uma grave crise ambiental, em escala local e global, resultado de um modelo de “civilização” perverso que privilegia os ganhos econômicos, valendo-se de uma intervenção deletéria sobre a natureza. Desse modo, utiliza-se dos recursos naturais de forma imoderada e ilimitada, desconsiderando os ritmos próprios de reprodução da natureza e discriminando e destruindo modos de vida alternativos. A constatação e reflexão acerca desse dilema da humanidade, revelou a necessidade de a questão ambiental ser estudada do ponto de vista da história, o que motivou o surgimento da chamada História Ambiental. Esse domínio da história consiste em abordar as questões ambientais no tempo, transformando o meio ambiente em objeto de estudo privilegiado. Para tratar das origens e da relevância da História Ambiental nos dias de hoje, da renovação que promoveu nas abordagens de temas tradicionais como terra, agricultura, território, bem como discorrer sobre a potencialidade desse domínio da história nas reflexões sobre queimadas, agrotóxicos, pantanal, e mesmo sua importância nos estudos sobre as cidades e a vida urbana, contamos com a presença da Profª Drª Lise Sedrez (UFRJ) e do Prof. Dr. Sando Dutra e Silva (UEG), nesse encontro realizado dentro do projeto LPPE EM TEMPOS DE COVID-19. Curta, compartilhe e convide seus amigos para assistir.
O programa está disponível em nosso canal no YouTube e em nossa página no Facebook.
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“Eu vim do planeta fome” (Soares, Elza)
A mulher do fim do mundo, Elza Soares é o exemplo do quanto o racismo por ser cruel em todas instâncias, sua vida foi marcada por tragédias e momentos com bastante reviravoltas. Nascida no dia 23 de junho de 1930, na Zona Oeste carioca, na favela da Vila Vintém, Elza Gomes Conceição era filha de um operário Avelino Gomes com a lavadeira Rosária Maria da Conceição. Seu interesse pela música veio na influencia de seu pai. Através do canto e o violão, Elza deu os seus primeiros passos como artista. Apesar disso, ao completar 12 anos, teve sua infância interrompida por um súbito casamento, obrigado por esse mesmo pai que a influenciava na música..
Elza iniciou-se sua carreira enquanto trabalhava como encaixotadora na fábrica de sabão português, no bairro de Engenho de Dentro, em 1953, no programa de calouros do famoso compositor brasileiro Ary Barroso, na antiga Rádio Tupi, onde se destacou ao ficar em primeiro lugar. Ainda no início de sua carreira, no ano de 1960, trabalhou na Orquestra Garam Bailes, cantou no Festival Nacional de Bossa Nova, foi também representante artística do Brasil na Copa do Mundo no Chile em que a seleção brasileira alcançou o bicampeonato.
Da sua primeira relação amorosa com Lourdes Antônio Soares, Elza teve seu primogênito João Carlos, que veio a falecer aos 15 anos por complicações de saúde. O drama a assolou mais uma vez com a perda do seu segundo filho com Lourdes. A cantora conhecida por sua voz grave tinha uma vida de muita luta e perdas. Seu marido acaba sendo morto brutalmente e, aos 21 anos, a cantora torna-se viúva.
No Chile, quando foi como representante do Brasil na Copa de 1962, Elza conheceu o famoso jogador Garrincha, com quem teve uma relação bem conturbada e bastante questionada pelo fato dele ser um homem casado. A imprensa da época transferiu toda responsabilidade do relacionamento extraconjugal à cantora, transformando-a na vilã da história, em uma sociedade conservadora. Depois de muitas especulações, Garrincha se casou com Elza e, dessa relação de dezessete anos, nasceu Júnior que também veio a falecer em um acidente de carro em 1986. Durante o casamento, sofreu inúmeras violências físicas e psicológicas do jogador, que tinha graves problemas com o vício da bebida, no entanto nunca as denunciou. No ano de 2015, Elza nos apresenta a canção Vila da Matilde, que reproduz muito de sua própria história de violência doméstica:
“Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim
Mão, cheia de dedo
Dedo, cheio de unha suja
E pra cima de mim? Pra cima de moa? Jamé, mané!”
Elza foi conhecida por muitos sucessos, como: Dentro de cada um, Exú nas escolas, Deus há de ser, A Carne, entre outros. Por conta de todos esses anos de trabalho e de um talento esplendoroso, no ano 2000, a BBC de Londres nomeou Elza soares como a melhor cantora do universo.
Em seu álbum denominado “A mulher do fim do mundo”, o que Elza nos apresenta é, na verdade, anos de sofrimento registrado, um manifesto autobiográfico. A obra fez-se importante da vida de muitas mulheres que reconhecem ali seus traumas. Suas músicas inspiraram muitos movimentos feministas e antirracistas. Também no ano de 2020, foi homenageada por sua escola de samba de coração l, a Mocidade Independente de Padre Miguel, com o samba-enredo “Elza Deusa Soares”. Aos 87 anos, Elza Soares é uma mulher que passou por um mundo de sofrimento e reviravoltas encarou: fome, pobreza, um casamento prematuro, quando ainda criança, perseguição, perda de quatro de sete filhos, racismo, violência doméstica... Como ela mesma se autodenomina: uma sobrevivente.
“senhoras e senhores, vocês estão diante de uma sobrevivente”.
O fascismo marcou profundamente a história do século XX. Por força da dramaticidade dos fatos que a ele se relacionam é possível dizer que o sentido dessa experiência universalizou um conceito. Associados ao fascismo permaneceram um sem-número de procedimentos, condutas e discursos que sobreviveram, inclusive ao fenômeno histórico propriamente dito. No mesmo sentido vai o antifascismo que, menos que o fascismo, provocou o interesse dos pesquisadores. Ainda que fundamental para a recuperação da dita normalidade democrática em viários países, o antifascismo permanece mesmo muito opaco, até obscuro, para significativa parcela do universo acadêmico. É preciso refletir sobre isso, tanto mais por ter o movimento antifascista nascido no seio da classe trabalhadora, ainda que com apropriações partidárias. Revisitar o antifascismo nos parece, particularmente nos dias que correm, mais do que uma demanda histórica. Debater o antifascismo é antes aspecto central para se encontrar o nexo entre as resistências tão necessárias de ontem e de hoje. Para tratar desse tema, vamos promover um debate com seriedade. Neste novo encontro do HISTÓRIA PRESENTE-LPPE EM TEMPOS DE COVID-19, contamos com a presença dos professores e pesquisadores Alexandre Samis (CPII), Timo Bartholl (UFF) e Giovanni Stiffoni (GEA-NEC-UFF), com a mediação dos coordenadores do LPPE: professora Angela Roberti e professor Flaviano Isolan.
Vídeo também disponível em nosso canal no YouTube e na nossa página no Facebook! Acompanhe-nos em nossas redes sociais!
Programa gravado em 17 de novembro de 2020.
O professor de antropologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Piero Leiner foi o entrevistado do Diálogos em Sul Maior de 12 de novembro de 2020. A conversa girou em torno dos temas abordados em seu livro "A guerra híbrida e o contexto brasileiro" . Com as participações de Beatriz Bissio, jornalista e historiadora, coordenadora do NIEAAS/UFRJ; Angela Maria Roberti Martins, historiador e Jacqueline Ventapane, historiadora e cientista política, coordenadoras do LPPE/UERJ; e Paulo Cannabrava Filho, jornalista, escritor e diretor da revista Diálogos do Sul. A Diálogos do Sul Maior é fruto de uma parceria inédita entre o Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino em História (LPPE) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UERJ, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre a África, Ásia e as Relações Sul-Sul (NIEAAS), vinculado ao Departamento de Ciência Política da UFRJ, e a revista Diálogos do Sul.
Programa disponível nos canais no YouTube do LPPE, Diálogos do Sul, NIEAAS e Opera Mundi.
Durante a pandemia, muitos problemas - que já existiam há tempos no mundo em que vivemos - ganharam ainda mais destaque e atenção. Um desses problemas é o racismo, uma ferida profunda em nossa história. E nós, como historiadores e cidadãos, devemos assumir uma postura combativa quanto a isso, buscando uma educação antirracista e uma reflexão sobre comportamentos que simplesmente reproduzimos, sem ao menos questionar o porquê de o fazermos. Nesse sentido, cabe destacar até mesmo a nossa forma de expressão mais comum: a linguagem. E também pensar em como as piadas, travestidas de humor, revelam o racismo e suas nuances. Para tratar dessa discussão, precisamos encaminhar o debate com seriedade. Para isso, neste novo encontro do HISTÓRIA PRESENTE-LPPE EM TEMPOS DE COVID-19, contamos com a presença das professoras Claudia Calmon, Doutora em Educação e professora de História (SME/RJ), técnica de nível superior do LABIMI/UERJ, associada ao Instituto de Pesquisa das Culturas Negras, e Simone Ricco, escritora, Mestre em Literaturas Africanas, pesquisadora eprofessora do Município do Rio de Janeiro, trabalhando com as questões étnico-raciais por meio da literatura. E para realizar a mediação deste encontro, temos a participação do pesquisador associado do LPPE e atual Diretor da Faculdade de Educação da UERJ, professor Washington Dener.
Programa gravado em 13 de outubro de 2020. Disponível no canal do LPPE no YouTube e na página do Facebook do LPPE.
Notas sobre Historiadoras é uma série do podcast História Presente, organizado pelo Laboratório de Pesquisa e práticas de Ensino em História da UERJ, com o objetivo de pensar o papel de protagonismo de mulheres dentro da historiografia. Estamos em tempos difíceis. Por isso mesmo, mais que nunca, faz-se necessário pensar a História e quem faz dela seu ofício. Neste episódio, apresentamos a historiadora Emília Viotti da Costa.
"No programa notas sobre historiadoras de hoje, falaremos de Emília Viotti da Costa historiadora, escritora, pesquisadora e ativista nascida no dia 28 de fevereiro de 1928 no estado de São Paulo.
Emília Viotti foi uma grande historiadora e suas contribuições metodológicas foram de suma importância para a historiografia da escravidão. Sua formação acadêmica, paralelamente aos seus engajamentos políticos, iniciou-se na sua graduação em história pela Universidade de São Paulo, onde também cursou o mestrado e o doutorado. Por anos, dedicou-se à pesquisa sobre escravidão em conjunto com o mundo do trabalho. Os desdobramentos de sua pesquisa foram um marco na historiografia brasileira, trazendo novas perspectivas para a corrente historiográfica que destaca narrativas sobre o cotidiano, as abordagens culturais e as mentalidades. Da Senzala à colônia é um dos seus trabalhos principais. Nessa obra, que vai da independência à abolição, Emília Viotti discorre sobre como foi processo de abolição no Brasil no espaço rural e a sua desintegração a partir das estruturas paternalistas. Outros dois de seus trabalhos importantes foram os livros Da Monarquia à República - momentos decisivos, publicado no ano de 1966, pela editora Unesp; e A abolição publicado no ano 1982, também pela então editora Unesp.
No ano de 1999, Emília Viotti da Costa recebeu o título de professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, universidade onde lecionou de 1964 a 1969, quando foi aposentada de forma precoce pelo AI-5. Por conta disso, Emília deixaria o país, diante do clima de insegurança instaurado pela ditadura, e se mudou para os Estados Unidos com a sua família, passando a lecionar na faculdade de Yale, situada em New Haven, Connecticut.
Emília Viotti morreu no 02 dia de novembro de 2017, aos 89 anos, na cidade de São Paulo. O papel de historiadora e mulher foi imensurável na historiografia brasileira e até hoje segue como referências nos estudos sobre a história do Brasil."
Neste segundo programa do Diálogos do Sul Maior, entrevistamos o Embaixador do Estado da Palestina no Brasil, Ibrahim Al-Zeben. O projeto Diálogos em Sul Maior é o fruto da parceria entre o Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino em História (LPPE) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UERJ, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre a África, Ásia e as Relações Sul-Sul (NIEAAS), do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, e a revista Diálogos do Sul, que intensifica o diálogo, também, entre a universidade e a sociedade civil, na compreensão de nossa inserção no Sul Global, não apenas como um espaço geográfico ou geopolítico, mas como uma ideia integradora de um mundo melhor, de desconstrução de hegemonias do Norte, na libertação integral do Sul. A conversa teve, ainda, as participações de Beatriz Bissio, coordenadora do NIEAAS/UFRJ, Angela Roberti e Jacqueline Ventapane, coordenadoras do LPPE, e Paulo Cannabrava Filho, jornalista e diretor da Revista Diálogos do Sul.
Programa gravado no dia 29 de setembro de 2020. Disponível nos canais do YouTube do LPPE, NIEAAS, Diálogos do Sul e nas páginas do Facebook do LPPE-IFCH/UERJ, NIEAAS/UFRJ, Acervo da Revista Cadernos do Terceiro Mundo, Diálogos do Sul e Opera Mundi.
“É o olhar que faz a História”, escreve Michele Perrot em livro clássico dedicado à história das mulheres. Abordar a história das mulheres exige levá-las a sério na constituição das relações sociais, das relações entre os gêneros, no desenrolar dos acontecimentos, nos fluxos da história. É uma questão de escolha e de olhar. Uma opção política, portanto. É tomada de posição que se volta para (re)encontrar as figuras, os acontecimentos, as experiências que são as das mulheres na história. O podcast História Presente, na seção Mulheres no Mundo tem esse perfil e esse compromisso. Venha participar conosco nesse encontro de falas e de ideias!
Neste episódio, Daniele Ribeiro Fortuna, jornalista, mestre em literatura brasileira e doutora em Literatura comparada pela UERJ, Pós-doutora em comunicação também pela UERJ, Jovem Cientista do nosso estado pela Faperj e professora do programa de pós-graduação em humanidades, culturas e artes da Unigranrio, traz um pouco da história da escritora Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do Brasil.
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